Jornalista defende tese na França sobre radionovelas brasileiras

A tese “Radionovela e Publicidade: memória da recepção em Florianópolis durante os anos 1960” será defendida no próximo dia 6 de outubro, na França, pelo jornalista e escritor Ricardo Medeiros.O trabalho acadêmico aborda o processo de recepção das histórias em capítulos e das mensagens comerciais dos patrocinadores dos folhetins eletrônicos da antiga Rádio Diário da Manhã, atual CBN Diário. De outra forma dita, a tese estuda como se deu a relação e interação entre os dramas , as publicidades e os ouvintes, bem como os efeitos gerados pela cumplicidade desses três eixos na emissora de maior audiência de Santa Catarina há mais de 40 anos.

Desde 2001, Ricardo Medeiros está ligado ao Departamento de História da Université du Maine, da cidade de Le Mans, onde desenvolveu este trabalho acadêmico. Através de uma convenção entre Brasil e França, o jornalista pôde com isso contar com dois orientadores. Pelo lado francês, Ricardo Medeiros foi orientado pela doutora em História Contemporânea, Brigitte Waché, enquanto que pelo setor brasileiro a orientação se deu através do doutor em Jornalismo Eduardo Meditsch, professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

A defesa da tese será viabilizada através de videoconferência entre a Université du Maine e a UFSC. Isto implica dizer que por esse sistema os membros da banca examinadora e o doutorando estarão se comunicando ao vivo através de monitores.  Os membros do júri serão num total de cinco: três franceses e dois brasileiros. Do lado francês fazem parte da banca os professores de história contemporânea Brigitte Waché (Université du Maine) e  Guy Martinière (Université de la Rochelle) e pelo setor brasileiro o professor Eduardo Meditsch, além da historiadora Lia Calabre, vinculada à Fundação Casa Rui Barbosa, do Rio de Janeiro, e que desenvolveu a tese No Tempo do Rádio : radiodifusão e cotidiano no Brasil (1923-1960).

A defesa da tese  “Radionovela e Publicidade: memória da recepção em Florianópolis durante os anos 1960” foi marcada para o dia 6 de outubro, em sessão que começara às 9 horas pelo horário brasileiro e às 14 horas pelo horário francês.  A defesa é aberta ao público dos dois países.

2. Capítulos da tese

A pesquisa do jornalista Ricardo Medeiros foi dividida em duas partes: Radionovela e Vida Cotidiana e A Ação da Publicidade sobre os Ouvintes, totalizando seis capítulos. A primeira parte engloba os três primeiros capítulos: Gênese da Radionovela, Radionovela em Florianópolis e O Mundo Imaginário como Entretenimento… No primeiro capítulo, Gêneses da Radionovela , é feita uma retrospectiva da origem das radionovelas e sua exploração comercial. Os romances saem das páginas de livros e jornais para ser interpretados no rádio, via a Soap-opera americana e os dramas cubanos, gêneros direcionados às donas de casa e que desde o início foram bancados por empresas de produtos de sabão. Anos mais tarde, o estilo cubano de se fazer novelas se espalha pela América Latina, e leva à reboque os patrocinadores tradicionais que usam da propaganda para « vender » à responsável pelas compras de casa os mais variados produtos. O segundo capítulo, Radionovela em Florianópolis, enfoca a origem e o desenvolvimento dos dramas radiofônicos na capital catarinense, que passam pela realidade de conviver sobretudo com o apoio publicitário das multinacionais. Por sua vez, no terceiro capítulo, O Mundo Imaginário como Entretenimento, nós temos vários momentos distintos. O primeiro deles refere-se às modalidades de diversão dos ouvintes de Florianópolis, entre às quais os bailes, passeios pelo centro da cidade, cinema, leitura de revistas e jornais, além da escuta de rádio. O segundo momento desse terceiro capítulo é relacionado com a escuta das radionovelas na RDM : freqüência, período, local, hábitos particulares para a audição dos dramas, assim como identificação das pessoas com quem o ouvinte dividia esse espaço de contato com as novelas. No terceiro capítulo é feita ainda uma análise sobre os aspectos : atração dos ouvintes pelas radionovelas, nomes de dramas, lembranças de enredos e influência de temas de radionovela na vida do ouvinte, entre outros. Além disso o capítulo relata a relação entre ouvintes, personagens e atores. De outra forma dita, esse seguimento do trabalho entra no campo de influência de personagens no cotidiano da população ouvinte da Rádio Diário da Manhã e da ligação na década de 1960 entre ouvintes e atores e atrizes do rádio.

A segunda parte do trabalho, intitulada A Ação da Publicidade sobre os Ouvintes, contempla os três últimos capítulos: As Armadilhas da Sedução, Patrocinadores Brasileiros e Patrocinadores Multinacionais. Assim sendo, o quarto capítulo, As Armadilhas da Sedução, discorre a respeito dos temas de propagandas lembradas pelos ouvintes , conteúdo dessas propagandas e análise de jingles e spots inseridos no momento das novelas. Este seguimento enfoca igualmente outros aspectos, como as táticas para persuadir o ouvinte e o grau de influência da publicidade sobre as compras da população . O quinto capítulo, Patrocinadores Brasileiros, dá atenção aos parceiros publicitários das histórias seriadas, vinculadas da Rádio Diário da Manhã, tanto a nível local , como estadual  e nacional.  O último capítulo, Patrocinadores Multinacionais , trata dos mantenedores estrangeiros de folhetins, ou seja : empresas americanas e européias que anunciavam na emissora de Florianópolis.

3. Resultados da tese com aplicação de questionário

Para viabilizar esta pesquisa um dos recursos utilizados foi uma enquete por questionário, aplicada no ano 2002 junto ao ex- público da Rádio Diário da Manhã na Grande Florianópolis. No total, foram preenchidos 57 questionários, que continham perguntas em torno dos eixos radionovela-publicidade e radiouvinte. Sua primeira parte traçava um perfil do entrevistado : nome, ano de nascimento, cidade nascimento, qual a atividade do entrevistado e seu estado civil na década de 1960, além do seu nível escolar, entre outras questões. A segunda parte era conduzida diretamente para o assunto radionovela : sobre o que as novelas de rádio falavam, qual a influência dos temas de novelas no cotidiano do ouvinte, lembrança de nome de radionovelas, freqüência de audição de novelas, lembrança do nome de personagens , lembrança de nomes de atores e atrizes, entre tantas indagações. A terceira parte do questionário contemplava a questão da propaganda : lembrança de nome de propagandas, lembrança de produtos anunciados, lembrança de patrocinadores e compra de produtos influenciada pela publicidade inserida em radionovela, entre outros.

Das 57 pessoas que responderam o questionário, 47 (82, 5%) são do sexo feminino e 10 (17,5%) são do sexo masculino. A idade média dos entrevistados é de 61 anos, sendo que o mais novo possui 38 anos e o mais velho 77 anos. Quarenta e três deles (75,4%) moram em Florianópolis, 13 (22,8%) em São José e 1 (1,8%) em Palhoça.

Na década de 1960, majoritariamente os entrevistados eram donas de casa, integrado por 20 mulheres (35,1%) que se dedicavam à vida doméstica. Outros 16 entrevistados (28,1%) eram estudantes nesta época. Havia também um grupo de 21 pessoas (36,8%), que possuía outras atividades, como a de funcionário público, costureira e professor. Em relação à década em questão, 30 consultados (52,6%) declararam que pertenciam à classe média e 23 (40,4%) à classe baixa. Apenas 4 consultados (7 %) disseram pertencer nos anos 1960 à camada carente da população brasileira.

3.1. Ouvintes

A maioria dos ouvintes da Rádio Diário da manhã  escutava histórias seriadas todos os dias da semana. Isto quer dizer que 56% dos interrogados por questionário disseram ter seguido cotidianamente os folhetins que passavam na estação de Florianópolis. Por outro lado, 22,8% responderam que escutavam as radionovelas sem frequência definida e 21% as escutavam somente alguns dias por semana.

Entre os períodos do dia, o mais preferido para acompanhar novelas era o da noite. Quase 30% das pessoas escolhiam este período para estar sintonizados na Rádio Diário da Manhã. Por seu turno, 24,6%  dos habitantes estavam na escuta dos folhetins somente pela manhã, enquanto que 19,3%  se consagravam às histórias radiofônicas somente à tarde. Mas havia pessoas que seguiam as histórias durante dois períodos do dia : de manhã e à tarde, de manhã e à noite ou de tarde e à noite. Além disso, havia pessoas que se extasiavam com as radionovelas durante os três períodos da jornada. Na prática esse último grupo tinha à sua disposição  cinco horários de ficção : 10h20, 10h45, 15h, 16h30, 20h05.

A maior parte dos ouvintes escutavam as radionovelas em suas casas. De outra forma dita, 89,5%  das pessoas ficavam em seus lares para acompanhar as histórias radiofonizadas. Esta preferência pode ter relação com o fato de que a maioria , nos anos 1960, já tinha um receptor de rádio. Isto quer dizer que quase 100% dos 57  entrevistados por questionário disseram ter um aparelho de rádio naquela época.

Mais de 50% dos ouvintes ouviam as novelas em família. Ou seja, a população de Florianópolis escutava as histórias em capítulos com a mãe ou pai, esposa, filhos, irmão, irmã, avó, avô, sobrinho ou sobrinha. Enquanto isso 32% dos entrevistados ficavam em suas casas para acompanharem sozinhos as radionovelas. Havia também uma parte, 14% dos ouvintes, que escutavam as novelas na casa dos vizinhos.

Para acompanhar  as radionovelas, alguns ouvintes tinham um ritual diário.  O ritual de Ana Maria Martinelli consistia em colocar no chão um cobertor, no qual ela repousava o seu bebê, a pequena Adriana. Sentada junto à criança, que brincava com os pés da mãe, a ouvinte tricotava e escutava o seu folhetim de rádio preferido.

Durante à escuta das radionovelas a maior parte das pessoas se emocionavam. De outra forma dita, 70% das pessoas declararam ter chorado, enquanto acompanhavam algum drama radiofônico. As pessoas diziam ir às lágrimas porque as histórias eram: emocionantes (48%),  tristes (17%), mexiam com os sentimentos do público (14%), porque havia sofrimento nas histórias seriadas (8,5%), por causa do poder de interpretação dos radioatores (3%), por causa da dramatização (3%), 7)  porque os ouvintes eram muito « chorões » (3%), e por causa do herói e da heroína que choravam também.

3.2. Personagens e suas influências

A maior parte dos interrogados por questionário – 63% – estavam de acordo que os personagens de radionovelas os influenciavam na sua vida cotidiana, porque : o público imitava os personagens (51,7%), a população batizava suas crianças com o nomes de personagens das ficões (6,8%), o público ficava com raiva dos vilões e vilãs das radionovelas (6,8%), os personagens incitavam os ouvintes ao sofrimento (6,8%), os ouvintes tornavam-se mais emotivos por causa dos personagens (6,8%), através dos personagens o público assimilava lições de vida (6,8%), as pessoas tornavam-se mais amorosas (3,4%), os personagens interviam na convivência de um casal de namorados (3,4%), a população tinha vontade de viver os momentos românticos das radionovelas (3,4%), e a população se identificava com a forma de ser dos personagens (3,4%).

Dentro da categoria « a população batizava suas crianças com o nome de personagens das ficções » está o  caso de Ana Maria Machado. A ouvinte queria dar o nome de Rosa Madalena aos eu primeiro bebê . Segundo ela, « Rosa Madalena era o nome da mocinha da novela. Quando eu estava esperando o primeiro filho, eu disse ao meu marido que a criança receberia o mesmo nome  da personagem de rádio ». No entanto, Ana Maria Machado deu à luz a um menino. Grávida pela segunda vez, a ouvinte tinha ainda esperanças de batizar o seu próximo bebê com aquele nome ouvido no rádio. Ana Maria não teve sorte de novo, pois nasceu um outro menino. Todavia, se fosse uma menina, ela iria se chamar Rosa Madalena.

3.3. Publicidade e patrocinadores

As mensagens publicitárias tinham influência sobre as compras dos ouvintes. Foi a resposta de 78% dos entrevistados através de questionário. Os produtos mais comprados sobre o impacto da propaganda eram os de toaletes e medicamentos. Como produtos de toalete estão na lista dos sondados creme dental, sabonete e talco.  Entre os medicamentos os mais comprados pelos ouvintes eram analgésicos, laxantes e fortificantes.

Uma parte signficativa dos ouvintes- ou seja 56%- se lembraram também do conteúdo das publicidades que passavam na RDM durante as radionovelas.. Aliás, a maior parte dos reclames eram trechos de jingles, como o  « melhoral, melhoral é melhor e não faz mal » ou « pílulas de vida do Doutor Ross faz bem ao fígado de todos nós ». Uma explicação para isso vem do publicitário Lula Vieira, da V& S Comunicação, que diz que o jingle tem muita força junto ao público, uma vez que a memória coletiva do brasileiro é impregnada de sensibilidade musical.

Quanto aos patrocinadores, mais da metade dos questionados se lembraram de nomes de empresas que apoiavam financeiramente as interpretações radiofônicas. Isto implica dizer que 52%  do público se lembrou das companhias que anunciavam suas mercadorias na hora das radionovelas. A empresa mais lembrada pelos ouvintes foi Gessy Lever, do Grupo anglo-holandês Unilever. Em segunda posição ficou a rede de lojas A Modelar, de Florianópolis,  e em terceiro lugar a empresa americana Colgate Palmolive.

4. Importância da tese

A importância da tese  a respeito de  radionovela no Brasil reside primeiramente no fato de que os estudos de uma forma geral  sobre a recepção dos meios de comunicação de massa na América Latina  são muito recentes. Eles datam do início dos anos 1980, quando são iniciadas as discussões teóricas a propósito do assunto. Na década seguinte são lançadas no ano de 1997   duas obras clássicas que debatem a recepção nos mass media: “Dos Meios às Mediações” , do colombiano Martin-Barbero; e  “Culturas Híbridas “, do argentino Nestor Garcia Canclini.  Em sua obra, o sociólogo Nestor Garcia Canclini sublinha que nem as instituições  nem a mídia costumam averiguar quais os padrões de percepção e compreensão a partir dos quais o público se relaciona com a cultura de massa.  Canclini relata ainda que esses dois setores não se preocupam também com os efeitos gerados pela cultura de massa sobre a conduta cotidiana da população.

Em termos de folhetins na mídia eletrônica, há que se ressalvar que alguns trabalhos já foram feitos  na  área de recepção de telenovelas. No Chile  Valério Fuenzalida publicou  a obra « La Influencia Cultural de la Televisión » (1987) e no  México Jorge Gonzalez escreveu « La Telenovela en Família : una mirada em busca de horizonte » (1991). Por sua vez, na Colômbia, Martin-Barbero em conjunto com Sônia Munhoz dirigiram o livro “Telévision y Melodrama”(1992).

No Brasil, em particular,  pesquisadores da  Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo fez igualmente um trabalho-referência. No ano de 1997, eles analisaram a recepção da telenovela global  “A Indomada” em 4 famílias na cidade de São Paulo. Este trabalho, sob a corrdenação da professora  Immacolata Vassallo Lopes, virou livro em 2002, sob o título de : « Vivendo com a Telenovela ».

Em se tratando de rádio, apesar dele existir desde os anos 1920,  são raros os estudos que se concentram em analisar como as mensagens transmitidas por esse meio são recebidas e processadas pelo público. Principalmente no Brasil há uma falta de dados a propósito do que é produzido no rádio e o que acontece com os receptores dessas informações produzidas.

Levando tudo isso em consideração é que Ricardo Medeiros consagrou à sua tese às radionovelas brasileiras, no sentido de ajudar a entender o discurso do meio de comunicação rádio e a sua absorção por parte dos ouvintes. Ele tentou fazer uma das possíveis leituras sobre as  histórias radiofôncias, que ao mesmo tempo entretém os  brasileiros há mais de 60 anos, tentam vender aos ouvintes as mais diversas mercadorias.  Ou seja, pela fala dos personagens, da música, da sonoplastia e contraregragem o público se descontrai fazendo uma espécie de  « viagem auditiva » e  simultaneamente absorve as informações dos patrocinadores dos folhetins eletrônicos.

5. Depoimentos

Para desenvolver “Radionovela e Publicidade : a memória da recepção em Florianópolis durante os anos 1960” uma outra fonte escolhida foi a da história oral, que consiste na realização de entrevistas gravadas com pessoas, por exemplo, que possam testemunhar a respeito de determinado acontecimento, como a radionovela. Esta metodologia de pesquisa, que começou a ser utilizada nos Estados Unidos nos anos 1950 e no Brasil a partir da década de 1970, é um dos dispositivos eficazes- em paralelo com documentos escritos, imagens e outros tipos de registros- para se ter uma noção do que foi o passado.

Assim sendo foram colhidos o depoimento de 53 pessoas, entre ouvintes, publicitários, pessoal da parte artística e técnica de radionovela, produtor de programa, diretor de rádio, psicólogo e produtor musical. Todas as entrevistas foram registradas em gravador e depois transcritas na sua integridade, transformando então, na prática, o discurso em fonte documental. Tal compreensão deveu-se ao entendimento de que , segundo Lígia Maria Leite Pereira (1991), a função do documento oral é preencher as lacunas existentes nos documentos escritos ou para registrar o que ainda não se cristalizou nesses mesmos documentos. Ela relata também que as histórias de vida, com suas riquezas de detalhes, tornam-se uma relevante fonte nas áreas em que determinada pesquisa encontra-se estagnada. Destes relatos orais surgem outras variáveis, além de novas questões , agindo no sentido de reorientar o campo de investigação.

Pelo lado do público ouvinte, foram reunidos 26 testemunhos, sendo nove deles durante o ano de 2000 e o restante em 2002. No cômputo geral, foram entrevistados 24 mulheres e 2 homens. Os representantes masculinos são José Alvari Oliveira e Nilo Padilha, enquanto as mulheres aparecem na pesquisa via Ana Maria Martinelli, Cecília Maria dos Santos Machado, Delmar Bellin , Juça Brincas , Lúcia Rosa Daniel, Maria dos Santos Oliveira, Nadir Soncini, Terezinha Lopes, Beatriz Anália Demaria, Carmem Goulart da Silveira, Dilma Maria Cunha,Vera Pacheco Bastos, Nina Rosa Lima Medeiros, Jane Bulcão Vianna, Maria Marta da Costa, Maria Ana Machado, Uda Gonzaga, Odaci Andrade de Saibro,Vanda Alves de Lima, Eli Jovelina Lino, Norma Barbato Couto, Elza Cunha, Ivete Lucia Bruggemann Wagner e Nilza Pereira da Silva.

Quando da escuta das radionovelas na RDM os interrogados eram mulheres do lar (38,4), estudantes (26,9%), professores (15,3%), funcionários públicos (11,5%), domésticas (3,8%) e comerciários (3,8%). Vinte e quatro depoentes (92,3%) habitavam em Florianópolis e 2 moram em São José (7,6%). Os entrevistados, com idade média de 61 anos, trouxeram à tona, como diz Samuel Raphael (1990) a respeito dos idosos, « verdades que são gravadas nas memórias das pessoas mais velhas e em mais nenhum lugar ; eventos do passado que só eles podem explicar-nos, vistas sumidas que só eles podem lembrar ».  Foram pessoas, como nos alerta Maurice Halbwachs (1990), que reconstroem o passado com o auxílio do presente para evocar suas lembranças.

Ainda em busca de uma multiplicidade de pontos de vistas e da resignificação da história, foram feitas entrevistas abertas com 27 pessoas ligadas diretamente ou indiretamente com radionovela ou com o mundo publicitário. Neste universo, onze pessoas foram abordadas no ano de 2000, quatorze em 2002 e duas no ano de 2003. Do total dos depoentes, 21 deles tiveram o seu relato gravado e 6 foram interrogados via internet. Para melhor checar algumas informações o publicitário Eloy Simões e o novelista Gustavo Neves foram entrevistadas em duas ocasiões.

Dentre as pessoas entrevistadas em 2000 estão Antunes Severo, publicitário e ex-funcionário da Rádio Diário da Manhã; Augusto Mello, ex-sonoplasta da RDM; o publicitário Eloy Simões; George Alberto Peixoto, ex-diretor da Rádio Santa Catarina; Gustavo Neves Filho, ex-ator e ex-autor de novelas da Rádio Diário da Manhã; Maria Alice Barreto, ex-atriz de radionovela; e Nivalda Severo, ex-funcionária da RDM. Além deles, foram colhidos depoimentos pela internet com Jorge Pereira de Souza, proprietário das organizações Pereira de Souza; Luiz Cama, publicitário da empresa Ogilvy; Mario Lago, ex ator e ex autor de radionovela; e de Wilson Russell Mac Cord, ex-publicitário da empresa Sydney Ross.

No período de 2002 foram entrevistados a proprietária da Rádio Santa Catarina Heloisa Cruz; o ex-contábil e diretor comercial da Diário da Manhã Hidalgo Araújo; o ex- Gerente do grupo A Modelar, Ody Varella; o ex- diretor financeiro do grupo A Modelar, Altair Cascaes; o ex-redator de publicidade do grupo A Modelar, jornalista Itaeli Pereira; o ex-diretor comercial do grupo A Modelar, João Alfredo de Campos Filho; o ex-diretor da Loja de Móveis do grupo A Modelar, Delcir Iguatemi da Silveira; o ex-funcionário da Unilever no Brasil Karam Albert; o Geógrafo Rocelito de Souza Coelho; o jornalista Walter Souza; o jornalista Cyro Barreto; o jornalista e escritor Francisco José Pereira; o técnico em eletrônica Walter Lange Júnior; e Osmar Silva filho, filho do autor de novelas Osmar Silva. No ano de 2003 contribuíram igualmente com seus depoimentos, pela internet, a diretora do programa de radioteatro da Rádio FM Cultura de Porto Alegre; e o jornalista, radialista e teatrólogo Nilson Mello.

Foi desta forma, unindo os mais diversos depoimentos com a parte teórica e demais materiais, que esta tese foi se edificando, numa tentativa de construção de um cenário possível onde circulavam os dramas radiofônicos que permitissem analisar um pouco mais a ligação publicidade-radionovela-ouvinte na Florianópolis dos anos 1960.

6. Perfil de Ricardo Medeiros

Ricardo Medeiros, 41 anos, é especialista em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) e Mestre em História pela Université du Maine (Le Mans – França), onde está concluindo o seu doutorado. Relacionado diretamente com o meio radiofônico, ele publicou “Dramas no Rádio – a radionovela em Florianópolis nas décadas de 50 e 60” e “História do Rádio Em Santa Catarina”. Para novembro, Ricardo Medeiros lança em conjunto com o publicitário Antunes Severo a obra “Caros Ouvintes”, que aborda os 60 anos do rádio na cidade de Florianópolis. Ao retornar para o Brasil, o jornalista assume as suas funções como repórter da Assessoria de Comunicação Social da Prefeitura da capital.

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Por Ricardo Medeiros

Doutor em Rádio pelo Departamento de História da Université du Maine (Le Mans, França). Radialista, jornalista, escritor e professor de rádio do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina e assessor de imprensa da Prefeitura de Florianópolis. É um dos fundadores do Instituto Caros Ouvintes.
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