Jornalista / Escritor: Depois do Juízo Final

Silveira Júnior

Eu tinha um livro me ‘varrumando’ a cabeça, com diria o Zeca Diabo, e não sosseguei enquanto não o transportei para o papel. Levá-lo para a letra de forma foi um trabalho árduo, mas, felizmente, a Editora Global, de São Paulo, o editou, vestindo-o com uma capa artística, lindíssima, de autoria de Alceu Júnior. Trata-se de um livro de ficção científica, baseado numa progressão malthusiana da população universal, que chegaria a total saturação dentro de uns 200 anos. E é nesse ambiente de total desorganização das populações que ocorre parte do enredo.

O livro se chama Depois do Juízo Final porque essa hiper população gera um desastre universal, que exige medidas heróicas e impiedosas, para, finamente, a terra voltar a um quase paraíso graças a uma invenção sueca. É lógico que eu não vou contar o enredo do romance, que foi lançado na VII Bienal do Livro de São Paulo e se encontra a venda nas principais livrarias do Brasil. Inclusive Florianópolis.

Alguns capítulos do livro podem dar idéia do seu conteúdo. Por exemplo: “A luta pelos alimentos levou a humanidade à destruição”. “Um mundo com sessenta e quatro bilhões de habitantes”. “Revolução no Vaticano: eleição papal pelo voto direto”. – “Numa manhã, a guarda suíça do Vaticano foi dominada por 10.000 líbios famintos”. – “O Papa perguntou: quantas pessoas seriam mortas? E Gruber respondeu: “ao redor de 50 bilhões”. – “Um abalo sísmico nunca antes registrado sacudiu toda a costa Oeste dos Estados Unidos”. “Foi um genocídio seletivo que atingiu os mais velhos, os mais pobres, e poupou os bem alimentados”. – “Em uma geração, a população da Índia passou para de cinco bilhões para 500 milhões”.

Desde já posso adiantar que é um livro chocante. Ninguém vai ficar indiferente às suas teses. Muito se revoltarão contra certas soluções propostas. Se eu fosse um americano (como, por exemplo, o autor do Planeta dos Macacos) certamente o leitor não se voltaria para o escritor do livro, um nome distante e impessoal.

Acontece que eu sou um burguês acomodado, pai e avo amantíssimo, como se costuma se dizer nas notas de falecimento e – num determinado instante – lanço um romance de ficção científica que faria corar um George Orwel ou um Aldous Huxley, pelas teses revolucionárias que proponho e pelas soluções extremas que anuncio.

A minha velha quizília coma Igreja Católica, que eu tanto amo e tanto ofendo me fez criar uma invasão ao Vaticano, uma eleição papal pelo voto direto e a presença marcante de um Papa brasileiro, Electus III, que toma decisões heróicas para salvar o que foi possível do mundo.
Posso garantir que o livro obteve pareceres muito generosos da crítica especializada, mas o que eu quero mesmo é saber o que o leitor pensa do meu trabalho.

Garanto que não é um livro comum. Ninguém ficará indiferente aos seus problemas e às suas soluções. Quase chego à modéstia de afirmar que, se fosse uma obra de origem norte-americana, mal traduzida para o português, poderia ser um sucesso de livraria.

Como César, repito: “Alea jacta est”. Agora é esperar a reação do leitor.
(Publicado em Aponte – 2ª semana de setembro de 1982 e no livro Imponderáveis do Destino lançado pela Academia Catarinense de Letras. Pesquisa e organização de Lauro Junkes).

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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1 responder
  1. TALITA SELL says:

    Boa Noite

    Li este livro na 8ª série, em 1996 e estava a procura para rele-lo.
    Ele é impressionante e na época parecia algo surreal, hoje já nem tanto…
    Parabéns pelo belo trabalho!
    Talita Sell

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