Jornalista José Nazareno Coelho

Aos 18 anos Nazareno Coelho inicia a mais longa jornada de sua vida profissional ingressando como técnico de som (operador de áudio) na Sociedade Rádio Guarujá – a mais popular – como era conhecida a pioneira e então única emissora de rádio da Capital.

José Nazareno Coelho, o Nasa como era tratado pelos colegas mais íntimos, teve, entretanto várias outras vidas: formou-se em Contabilidade, foi professor da rede estadual de ensino, mais tarde graduou-se em Direito, embora não tenha exercido a profissão, mas foi assessor especial da Secretaria de Segurança e procurador do Estado junto ao Tribunal de Contas. Durante o exercício dessas atividades Nazareno mantinha o vínculo com o rádio, o grande amigo do coração.

No rádio, iniciou pela base: começou pilotando uma nova e brilhante mesa de som com entrada para quatro microfones simultâneos ou oito, alternadamente, dois pratos toca-discos, entrada de som do gongo, intercomunicador com o estúdio onde estava o locutor e campainha para chamar o locutor quando este não estivesse no posto. Familiarizado com o ambiente de trabalho, aproveita as horas vagas para dar uma furungada pela discoteca onde os bolachões aos milhares o espreitavam do alto de suas janelas nas prateleiras.

Nazareno vai aos poucos estendendo seu conhecimento e domínio sobre outras áreas do fascinante mundo do rádio: entrar no estúdio, olhar de perto o contato a caixa de textos comerciais e a lista de programação com os nomes das músicas, seus autores e intérpretes – sim, porque naquela época música não era filha órfã, tinha nome de pai, mãe e de padrinho ou madrinha, que eram os intérpretes: “E agora vamos ouvir de Haroldo Barbosa e Luiz Reis, na voz de Elizeth Cardoso Nossos Momentos”.

E a paixão foi aumentando. Logo a seguir o garoto esquivo e acanhado vai ousando cada vez mais: faz locução comercial em programas esportivos e jornalísticos. Produz e apresenta programas de auditório. Entrevista, faz reportagens, participa das jornadas esportivas, narra jogos de futebol e cobre eventos de remo e ciclismo, os dois grandes esportes da década de 1950 em Florianópolis. Continua marcando pontos até chegar aos cargos de diretor de esportes e notícias da emissora até encerrar sua carreira.

Como profissional de comunicação, José Nazareno Coelho, foi presidente do Sindicato de Jornalistas Profissionais de Santa Catarina e fundador da Casa do Jornalista, hoje Associação Catarinense de Imprensa.

Falou sobre a personalidade do colega e amigo, JB Telles, presidente da ACESC, Associação dos Cronistas Esportivos de Santa Catarina e assessor de comunicação do Figueirense Futebol Clube, em recente homenagem prestada ao Nasa.

José Nazareno Coelho nasceu em Laguna, cidade histórica do Sul de Santa Catarina, no dia 11 de janeiro de 1930 e faleceu em 30 de julho de 1987. Em rádio trabalhou exclusivamente na Rádio Guarujá, onde permaneceu por 39 anos.

Fontes: Livro Caros Ouvintes – Os 60 anos do Rádio em Florianópolis. Ricardo Medeiros e Antunes Severo. Editora Insular, 2005.

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