Jornalistas, poetas, e artistas plásticos, cuidai-vos

Mistérios diuturnos ameaçam vossa segurança. Se antes o perigo estava nos agentes do mal, alimentados pelo uso e tráfico das drogas, agora a coisa piorou: eles estão carregando até a carcaça metálica dos ícones de nossa mais honrada tradição.

E dizer que isso está acontecendo, logo na Praça 15 de Novembro, berço e símbolo de tudo mais sagrado que um povo tem, que são seus heróis, seus símbolos religiosos, políticos e sociais. Pois ali nasceram e se criaram as primeiras emissoras de rádio da Capital: Guarujá, Anita Garibaldi e Diário da Manhã, ali fundou-se e foi instalada a Cia Telefônica Catarinense.

Também nos entornos da praça estão ou estiveram instalados os baluartes de nossa comunicação: a cadeia para fazer a justiça humana, o palácio do governo para assegurar nossos direitos cidadãos e o templo religioso para garantir nossa comunicação divina.

Tal é o espanto deste escriba sextaferino que, data vênia peço, para transcrever o que o confrade Carlos Damião, com raro brilho e esplendor registrou em sua crônica “Casos e ocasos raros”:

“Atribui-se ao professor Amaro Seixas Neto (1924-1984) que era um tremendo gozador, o slogan “Florianópolis, terra dos casos e ocasos raros”, cunhado em óbvio tom de blague. Só aqui poderia ter ocorrido o golpe do robô da Fainco – um falso robô apresentado como verdadeiro durante uma feira tecnológica, no início da década de 1970. Só aqui poderiam, como podem, derrubar casarões históricos tombados pelo patrimônio histórico. Só aqui um prédio do século XVIII, a antiga Casa da Câmara e Cadeia, poderia ter sido interditado para justificar uma recuperação a valores milionários (mais de 25 milhões), barra em tempo graças à vigilância da imprensa, em especial do Notícias do Dia. E, claro, só aqui alguém poderia roubar bustos de quatro ilustres intelectuais catarinenses que, durante décadas, ajudaram a paginar o visual de nossa mal tratada Praça XV de Novembro. Não há justificativa, por mais que as autoridades policiais tentem esclarecer, a não a histórica falta de segurança no local, constantemente invadido por moradores de rua e marginais, que ameaçam os frequentadores da praça a qualquer hora do dia ou da noite. Sendo quase impossível roubar três pesadas esculturas, sem que ninguém tenha visto tal operação – e olha que a região é supostamente viodeomonitorada durante 24 horas -, resta-nos concluir que, no mínimo, houve omissão e, no máximo, tolerância com a má freqüência do lugar. Até ontem a noite não havia qualquer pista. E parcas esperanças de que as figuras de Cruz e Sousa, Victor Meirelles, Jerônimo Coelho e José Boiteux pudessem ser recuperadas. Afinal, os bustos eram fundidos em bronze, metal de alto valor de revenda. Podem até ter sido trocados por meia dúzia de pedras de craque. (Carlos Damião | Ponto Final | carlosdaamiao@gmail.com | ND Florianópolis, 23/08/2013)

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