“José, como estão os seus filhos?”

José responde que João Carlos, o mais velho, formou-se em medicina há 6 anos, continuou estudando e agora é neurocirurgião.

Ana Beatriz formou-se em odontologia e buscou aperfeiçoamentos; está há 2 anos morando no Canadá. Arthur, o caçula, irá formar-se em direito no final desse ano, mas vai fazer concurso para ser juiz. José termina o breve relato sobre seus filhos ao amigo que perguntara por eles dizendo: “Graças a Deus, estão todos bem encaminhados na vida”. Ricardo, o amigo que fez a pergunta, diz a José que fica feliz por seus filhos. Eles se despedem e Ricardo sai pensando: “Por que José não respondeu à minha pergunta? Eu havia perguntado como eles estão?”.

Ricardo caminha pensativo. Imagina que deve ter formulado mal a pergunta. Havia ficado contente pelos filhos do amigo e pelo orgulho com que José falou, mas o interesse de Ricardo, o que ele realmente queria saber é como João Carlos, Ana Beatriz e Arthur estavam, afinal de contas, os conheceu ainda crianças. Queria saber se estavam bem de saúde. Se mantinham a proximidade com os pais. Se estavam casados, se tinham filhos e principalmente, se estavam felizes. Ricardo poderia ter deduzido que sim, os filhos parecem ter ótimas profissões. Algumas coisas ainda perturbavam Ricardo: Como eles realmente estavam se sentindo? As suas profissões eram seus sonhos? A vida de adultos, talvez até casados e com filhos os fazia felizes? Essas informações José não deu.

Ricardo chegou à barbearia de Otávio e encontrou a turma reunida. Maravilhosa coincidência; seu Victor, Felisberto, Juvenal, dr. Araújo o radialista Antunes Carriel; todos no maior bate-papo. Ricardo contou sobre a conversa com o amigo José, também cliente de Otávio. Felisberto disse que já sabia e que não poderia ser melhor, fez suas as palavras de José, “filhos bem encaminhados na vida”. Alguns concordaram, outros coçaram a cabeça. Carriel disse que entendia tanto a alegria e resposta de José bem como a frustração de Ricardo. O radialista acrescentou que atualmente tem visto muitos pais crendo que isso que José comentou com sinceridade e satisfação parece ser garantia de felicidade e sucesso. Felisberto retrucou perguntando: “Se isso não é felicidade e sucesso o que seria então?”. Carriel disse que uma coisa é ter uma formação profissional, ganhar dinheiro etc, mas não era a resposta que o amigo Ricardo esperava. Seu Victor e Juvenal e com o aval do dr. Araújo disseram que dinheiro, fama, o sucesso mencionado por Felisberto não é garantia de uma vida plena e feliz. Felisberto ainda discordava dos amigos.

Antunes Carriel comentou que em seus programas de rádio e entrevistas têm visto muitas pessoas e das mais variadas profissões, muitos desses com ótimos salários, porém, com uma vida pessoal e familiar lamentável. Nem os estudos nem o dinheiro havia dado a eles algo desconsiderado hoje: paz no casamento e com os filhos, com vizinhos e colegas de trabalho, conforto espiritual, sem contar que muitos descobriram que a profissão cheia de status não era o sonho de muitos deles. Disse que é comum alguns desses grandes profissionais sonharem com outra carreira; foram levados ou pela pressão dos pais ou do sistema a simplesmente estudar, estudar e estudar. Sempre mais e cada vez com menos onde realmente precisam.

Passados alguns dias José e Ricardo se encontraram por acaso na rua. José pediu desculpas a Ricardo. Disse que em sua última conversa ficou tão empolgado em falar dos seus filhos que esqueceu de perguntar como estavam os 3 filhos de Ricardo, Gabriela, Marcos e Sofia. Ricardo sorriu e disse com muita satisfação e orgulho como eles estão. Como eles estão…

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