JOSÉ MARIA, COLECIONADOR DE AMIGOS E DE MÚSICA

Conheci o José Maria, ainda bem jovem. Beirava os 20 anos. Morávamos em Curitiba e ambos trabalhávamos em rádio. Ele na Emissora Paranaense do “doutor” Nagib Chede e eu na Clube Paranaense, a lendária PRB-2. Ele, curitibano de nascença e eu recém chegado de Rosário do Sul, RS, com escalas em Três Corações, MG, Lages, SC e Rio Negro, PR.
Por Antunes Severo

José Maria Carneiro de Santos, franzino, de estatura mediana, andando pela rua, carregando uma sacola a tiracolo, olhado de longe lembrava Francisco de Assis, quando resolveu chutar o balde da riqueza e se dedicar à religião. Quando ele chegava mais perto aí a gente notava que ele era mesmo mais parecido com o Gilberto Gil, o cantor.


José Maria, 72, rádio-técnico, embora aposentado, continua dando assistência técnica
em serviços de instalação e manutenção de antenas de transmissão e recepção.

Apesar das semelhanças, quem conhece o José Maria, logo nota que ele além de ser inimitável, é único e além de único é aficionado praticamente das boas maneiras, da modéstia e do cavalheirismo.
Em 1956 deixei Curitiba e aquelas polacas lindas, divinamente brancas e uma penca de amigos do peito. Entre eles o rádio-técnico José Maria, o operador de som e sonoplasta Walter Gibson Neto, o locutor Elon Garcia, a locutora Irene Morais, o músico e maestro Janguito do Rosário e o “seu” Abdo, dono do bar onde ‘pendurávamos’ o sanduíche que muitas vezes era partilhado com um ou dois colegas.
Dos amigos do peito faltou falar do Edwin Scott Balster, também rádio-oeprador-de-som e companheiro das noites que começavam depois da meia noite quando encerrávamos o período de transmissão de nossas emissoras e só terminavam depois da garoa da madrugada, quase ao nascer do sol. O Edwin me acompanhou na vinda para Florianópolis, aqui continuamos trabalhando juntos, aqui ele também casou e aqui reside.
Pois um dia, já nos anos de 1970 quando ia para o trabalho na A.S. Propague, quem encontro desfilando com sua bolsa a tira-colo em plena Felipe Schmidt? O colega e amigo José Maria que também não resistira ao chamado de Santa Catarina.
O tempo passou – ou nós passamos pelo tempo? – continuamos nos encontrando em atividades profissionais, trocamos telefonemas, conversando sobre música… Ah, sim! O José Maria é um apaixonado por música. Da música brasileira tradicional, ao jazz e aos clássicos da chamada música erudita ele conhece mais do que muita gente. Mas, nunca havíamos parado para falar e ouvir música.
Pois, na terça-feira, (01/05), às 10 horas da manhã, toca o interfone. Atendo e lá está o José Maria.
– Oi, tudo bem? Vim trazer uma encomenda.
Recebo-o na porta do elevador. Olá, bem vindo!
Ele abre a sacola e tira de lá um porta-cuia que eu havia esquecido na casa do Walter Gibson Neto, há uns 10 anos, quando lá estive. O Walter mora na praia de Ipanema, no litoral sul do Paraná, onde vive rodeado de antenas de rádio e televisão para captar emissoras distantes.
Depois de umas duas horas de conversas e de surpresas, pois ele trouxe a sacola cheia de CDs que mandou gravar reproduzindo as suas raridades musicais guardadas em vinil, chegamos a um acordo: tu deixas os CDs aqui para nós reforçarmos a audioteca do Caros Ouvintes. Eu copio e depois te devolvo os CDs, ta legal?
Do encontro resultou mais um documento gravado para a nossa história do rádio e da televisão que você poderá ouvir em seguida.
Nos áudios abaixo, destaco uma parte da conversa e a reprodução das cinco músicas escolhidas pelo José Maria.
José Maria, radioténico de profissão e colecionador de raridades musicais por hobby, reside em Florianópolis. Mesmo aposentado, continua dando assistência técnica na instalação de antenas e equipamentos de tecnologia de ponta. Nesta entrevista a Antunes Severo fala de suas atividades profissionais, dos muitos amigos que cultiva e das músicas de que mais gosta. Clique aqui
Ebb tide – de R. Maxwell e C. Sigman. Canta Frank Sinatra acompanhado pela orquestra regida por Nelson Riddle. Gravada em 29 de maio de 1958.
Spring is here – de L. Hart e R. Rodgers. Canta Johnny Mathis.
Jezebel – de Wayne Shanklin. Canta Leny Eversong acompanhada pela orquestra Neal Hefti.
A Foggy Day – de Ira e George Gershwin. Canta Sara Vaughan. Gravada originalmente por Fred Astaire em 1937.
For Once in My Life – de Orlando Murden e Ronald Miller. Cantam Tony Bennett e Stevie Wonder.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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