José Mauro

Antunes Severo, fico muito grato pelo teu interesse e na pronta resposta ao meu pedido. Realmente, sou fã do Caros Ouvintes, que tem resgatado a rica história da radiofonia florianopolitana. Adoro a Ilha de Santa Catarina e guardo uma imensa frustração por não ter permanecido aí pelo resto dos meus dias, pois não vejo cidade no Brasil com melhor qualidade de vida e um povo tão amigo.
Por José Emanuel Gomes de Mattos

Morei em Florianópolis em duas oportunidades: a primeira foi quando meu pai, José Mauro, trabalhava nas rádios Anita Garibaldi e Jurerê (acho que ainda participou da programação de uma terceira, além de escrever em um dos jornais da época).

Quando minha mãe separou-se dele, nós, seus três filhos, fomos arrancados de sua convivência e trazidos para Porto Alegre, onde permanecemos em internatos pois nossa mãe não tinha condições de nos sustentar. Creio que a separação deve ter feito muito mal ao José Mauro e talvez tenha sido responsável pela vida desregrada que o levou tão prematuramente, com apenas 29 anos de idade. Na época, segundo nossa mãe, que faleceu em 1999, ele era sócio do deputado federal Elias Adaime.


Dos três filhos que o José Mauro teve, dois estão nesta foto. Da esquerda para a direita, José Icaro (de gravata vermelha) hoje trabalha em São Paulo. No centro, um dos netos de José Mauro, chamado Tiago, na noite da sua formatura, em Fisioterapia pela PUCRS, em agosto deste ano. E à esquerda do Tiago, de gravata azul, José Emanuel.

Nossa mãe sempre dizia que nunca recebeu o espólio que nos era devido. Não sei, não tenho informações, a maioria pelo visto já faleceu. Aliás, que bela notícia saber que o Dr. JJ Barreto, ainda vive e está lúcido.

Provavelmente ele não se lembra mais de mim, mas se encontrá-lo, diga que eu sou o filho do meio do José Mauro, que tornou-se jornalista. E, principalmente, por favor, tente ouví-lo e a seu irmão Cyro sobre José Mauro. Qualquer nova informação para mim será ouro puro.

A segunda vez que morei em Florianópolis foi quando, na condição de sub-editor chefe, ajudei a contratar e a treinar a redação que lançou o Diário Catarinense, entre os anos de novembro de 1985 e agosto de 1986. Alguns dos melhores profissionais da época – como Celso Vicenzi e Tarcisio Mattos, Nei Manique entre outros já consagrados, fizeram parte daquela equipe inicial, assim como jovens recém saídos da UFSC, como o Paulo Scarduelli – que hoje tem uma faculdade própria, pelo que sei -, e da UFRGS, que trouxe de Porto Alegre e hoje são nomes respeitados, como David Coimbra, Sílvio Bressan, Jakzam Kaiser, Breno Maestri e Chuchi Silva.

Os três últimos inclusive fixaram residência na Ilha. Uma desavença profissional com o então diretor de redação da época fez com que eu retornasse a Porto Alegre quando recém o jornal estava em sua edição de número 100. Lamento isso até hoje. Tenho algumas pendências em Porto Alegre, mas ainda faz parte do meu imaginário passar o resto dos meus dias nessa Ilha que amo tanto.

Quanto a foto que você solicita de José Mauro, já enviei correspondência, via e-mail, para meu irmão mais novo, José Icaro, que reside em São Paulo. Ele ficou com as fotos do espólio da nossa mãe, Dona Elony. Tenho esperança de que tenha restado alguma, embora lembre que a nossa mãe tinha, no máximo, uma ou duas e nem sei se as guardou no fim de seus dias. Seja como for, foi realmente confortador ler alguma coisa sobre José Mauro.

Mais ainda será se vocês conseguirem, na troca de informações durante os encontros que terão, resgatarem novas histórias. O Ricardo Medeiros lembrou de uma carta que escrevi e que foi publicada de alto a baixo na saudosa coluna “Fala, Mané”, há alguns anos, com ilustração inclusive. Na época, foi uma grata surpresa quando a vi no Caderno JN Capital. No mais, um grande e afetuoso abraço a ti e ao Ricardo pelos dois anos desse maravilhoso trabalho que tem sido o “Caros Ouvintes”. Mais do que escrever, vocês estão fazendo história. E isso não tem preço. Parabéns e felicidades pelo aniversário.

Um grande abraço.
José Emanuel Gomes de Mattos


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