La Famille Duraton

Na Europa, na década de 1930, a França multiplicava o número aparelhos receptores.  De 500 mil em 1929, passa para 1 milhão e 900 mil em 1935, para alcançar os 5 milhões e 500 mil aparelhos em 1939.
Por Ricardo Medeiros, de Florianópolis

Nesta época, o país contava com 26 estações de rádio, sendo apenas uma delas em ondas longas, Rádio Paris, que cobria todo o território. Com o tempo se instaurou um íntima relação entre os franceses e os receptores de rádio. A população reservava ao rádio um lugar especial dentro de seus lares.

No momento em que este meio de comunicação fazia parte do cotidiano francês, entrava em cena a novela de maior repercussão entre a população : trata-se de La Famille Duraton, ou, A Família Duraton. O folhetim ficou, na verdade, a meio caminho entre a Soap-opera americana e a radionovela cubana. De semelhança com as emissões americanas, ela tinha o período de duração, pois ficou vários anos no ar. Quanto à similaridade com o estilo cubano, podemos dizer que havia uma certa ligação entre o episódio do dia e o capítulo anterior.

Nascida em 1937 nas ondas da Rádio Cité, o folhetim eletrônico colocava em cena uma família de franceses de classe média que durante o jantar comentava os acontecimentos do dia, com ênfase para os aspectos cômicos e sociais. Os Duraton transformaram-se em velhos conhecidos do público, pois, segundo a ficção, um empresário teve a idéia de instalar um microfone dentro da sala de jantar dos membros da história. Ambientado dentro de uma França ainda dividida entre o rural e o industrial, o folhetim pintava um retrato de ingenuidade do país.

Nomeada no início, de Em Torno da Mesa , a emissão assinada por Jean Granier, fazia com que os franceses cantassem, sonhassem e rissem escutando as aventuras que levava aos lares momentos de descontrações, num período em que as notícias na Europa não eram das melhores. Após uma parada com a Segunda Grande Guerra, A Família Duraton retornou em 1948 com um novo convidado permanente na hora de jantar. Ele era Jean Carmet, que interpretava o papel do personagem Gaston Duvet: « Marcado pela boa vontade e pela inabilidade, bolsos vazios e ávido por falar, ele nasceu sobretudo sob o pecado da comilança. Eu descobri que a família improvisava seus diálogos, que a vontade de falar de todos se manifestava rapidamente, de uma palavra a outra, de maneira muitas vezes incoerente e sem seqüência lógica».

Depois de ter abandonado o dial da Radio Cité, a novela foi se abrigar nas ondas Radio Luxembourg -atual Radio Telé Luxembourg (RTL)- até 6 de outubro de 1966, quando saiu do ar definitivamente. Conforme Jacques Siclier (1998) : « Os verdadeiros heróis das radionovelas foram os Duraton quando a gente oferecia ao público, durante anos, histórias de vida calcadas sobre o real das coisas as mais banais».

Esta categoria de radioteatro suscitou dois filmes. O primeiro em 1939, A Família Duraton, de Christian Stengel , e o segundo, em 1955, Os Duraton, de André Berthomieu. Fenômeno da sociedade e uma verdadeira instituição, na hora do jantar, a emissão, foi ser encenada também na televisão, onde o público se sentia em contato com pequenos burgueses gentis, tranqüilos e sem problemas senão os domésticos. E cada um tinha a impressão de reconhecer os membros de sua família nesta encenação. [CO]

Fontes bibliográficas:

1 MARECHAL, Denis. Rádio-Luxembourg, RTL : histoire politique e culturelle d’une station de radiodiffusion depuis 1933. Thèse de doctorat. Institut d’Études Politiques de Paris, Cycle Supérieur d’Histoire du Vingtième Siècle, 1993. P. 147

2 SICLIER, Jacques IN : BENASSI, Stéphane. Télévision et Sérialité : éléments pour une typologie des genres fictionnels télévisuels. Université de Metz, janvier 1998. P. 375

3 SICLIER, Jacques IN : BENASSI, Stéphane. Télévision et Sérialité : éléments pour une typologie des genres fictionnels télévisuels. Université de Metz, janvier 1998. P. 375


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