Landell de Moura e o primeiro transmissor-receptor de voz sem fio

Aos poucos o país vai reconhecendo a importância das pesquisas de Landell de Moura na descoberta e desenvolvimento da radiodifusão.

O trabalho que hoje apresentamos é uma das colaborações do radioamador, pesquisador e escritor Ivan Dorneles Rodrigues.*

Ivan, que nos tem abastecido com uma porção de conteúdos ainda não apresentados, numa de suas colaborações mais recentes enviou o texto do trabalho de conclusão de curso do agora engenheiro Carlos Guerra Lima. Carlos concluiu no último dia sete de dezembro o Curso de Engenharia Elétrica na Faculdade Pitágoras de Londrina, PR, sobre o trabalho do padre Roberto Landell de Moura, praticamente desconhecido de grande parte dos profissionais de comunicação.

A monografia de conclusão de curso de Carlos Guerra Lima está referenciada pelo orientador professor Fernando Ciríaco Dias Neto e pelos professores Everaldo Ribeiro Brinhole e Luciano Bento Dantas que integraram a banca examinadora em nome da Faculdade Pitágoras. Guerra Lima faz uma leitura pouco comum quando aborda a participação do padre Landell na história da radiodifusão mundial.

Ele ao ater-se à produção técnica do Padre Inventor cobre uma lacuna há muito aberta na literatura dedicada ao desenvolvimento da radiodifusão no Brasil e praticamente inexistente na Europa onde os louros são todos dirigidos ao italiano Marconi. Destaca ainda Guerra Lima que as instituições brasileiras de ensino superior “ainda não tentaram apresentar sobre a forma de réplica as invenções deste notável inventor”.
O estudo do engenheiro Carlos Guerra Lima será proximamente disponibilizado na área de estudos acadêmicos do Instituto Caros Ouvintes, ora em fase de atualização na verão atual do site. Por hora, transcrevemos o Resumo para orientação dos interessados.

“No final do século XIX a humanidade reunia os conhecimentos necessários para tornar a  radiodifusão uma realidade. Com a descoberta de Hertz surgiram vários modelos de transmissores. Porém, poucos vingaram como produto. Os receptores todos se baseavam no coesor de Branly. O nome mais proeminente é o de Guglielmo Marconi. A ele foram depositadas todas as glórias pela descoberta da radiodifusão. Este trabalho apresenta sob a óptica técnica uma análise de um destes cientistas da época: o Padre Roberto Landell de Moura nascido em Porto Alegre no estado do Rio Grande do Sul. Padre Landell criou vários equipamentos de radiodifusão primeiro utilizando o centelhador e depois modulando a voz sobre a luz. Destes inventos ele obteve patentes nos Estados Unidos o que atesta o caráter de exclusividade dos mesmos. Hoje o invento do rádio é atribuído a Nikola Tesla grande inventor que utilizou seus conhecimentos para criar o primeiro barco-robô controlado por radiofreqüência.  Comercialmente apenas Marconi prosperou. Isto se deve ao fato dele ter visto a necessidade de marketing daquele momento: a cobertura do Atlântico norte, onde as embarcações cruzavam constantemente. Padre Landell ao retornar ao Brasil com suas patentes serviu de chacota para funcionários públicos federais do governo do Gal. Rodrigues Alves. Chateado com este tratamento voltou a se dedicar ao sacerdócio. Suas patentes caducaram e foram incorporadas em inventos de outros cientistas. Durante o estudo ficou claro que os cientistas que optaram por antenas de maior tamanho obtiveram maior êxito com relação à distância de transmissão. Isto justifica em parte o sucesso de Marconi sobre os demais”.

* Mais informações sobre os trabalhos de pesquisa de Ivan Dorneles Rodrigues: http://www.geocities.com/py3idr/landell/ivan.html

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