Lembranças do bom rádio: Vinícius Coelho

Nos anos 1950, Hebe Lagos e a irmã Jezy Lagos trabalhavam num “cast” de radionovelas em Curitiba. Jezy usava o nome artístico de Suzy Delamare. Um dia, ela convidou o jovem Vinícius Coelho dos Santos a entrar no rádio e se casou com ele.

miss-parana-61 2A partir daí, Vinícius Coelho teve uma vitoriosa carreira – mais de 50 anos – gravada na história do rádio e do jornalismo nacionais.  Nome consagrado na imprensa de seu Estado, sua história passa pela quase totalidade das emissoras curitibanas na época, iniciando na Rádio Emissora Paranaense. Vinícius Coelho também marcou com o seu talento as rádios Marumby, Independência, Colombo, Rádio Cidade de Curitiba, Educativa, Ouro Verde e Rádio Clube Paranaense, a PRB2.

Copa do Mundo 2Vinícius Coelho, dentre tantas ações no rádio, foi narrador e comentarista de esportes. No seu currículo está a cobertura de nove Copas do Mundo e de duas Olimpíadas.  Também atuou como colunista esportivo nos jornais Diário do Paraná e Tribuna do Paraná.

Na televisão, ele comandou na década de 1960 a Resenha Facit, programa de grande audiência na TV Paraná. Em 1969 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde publicou uma coluna de esportes diária por cinco anos no Jornal O Globo. Participou também nos jornais Correio da Manhã e Última Hora. Ao final da década de 1980, Vinícius Coelho foi presidente da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos – ABRACE.

Retornou a Curitiba em 1974 para ser chefe da editoria de esportes da Gazeta do Povo, onde trabalhou por dez anos. Simultaneamente, trabalhou na TV Paranaense (hoje RPC TV), empresa que deixou em 1986.

Uma das suas maiores paixões e que o acompanhou por toda a vida foi o Coritiba Football Club, o time do seu coração. Ao Coritiba, dedicou três livros: Aryon Cornelsen, Atle-Tiba Paixão de Multidões e Evangelino: Campeoníssimo, os dois últimos em parceria com o jornalista Carneiro Neto. Mas a sua dedicação ao clube não se resumiu aí: Vinícius Coelho escreveu o primeiro hino do clube. Em 1985, viveu o momento mais emocionante da carreira, ao narrar do Maracanã para a televisão o título nacional do “coxa-branca”.

Um relato do colega e amigo Severo Antunes: “Eu o conheci na Rádio Marumby em 1955. O Vinícius escrevia no jornal O Estado do Paraná e já nesta época era tido como de alta credibilidade e reconhecimento do público. Ele valorizava quem bem trabalhava e tinha talento, fossem diretores de clubes, jogadores e arbitragem. Embora fosse um homem um pouco fechado, era simpático ao ouvinte. Na época a “Bedois” – Rádio Clube Paranaense, transmitia por uma onda média e três frequências de ondas curtas, então ouvida no Brasil inteiro”.

Vinícius Coelho dos Santos nasceu em 27 de maio de 1932 em Curitiba e faleceu em 27 de junho de 2012, aos 80 anos.  As homenagens póstumas foram feitas no Estádio Couto Pereira, tendo o Coritiba F.C. decretado três dias de luto.

Conforme relatos dos próprios colegas, ele foi responsável pelo sucesso da carreira de muitos. Sua passagem pode ser em parte resumida pelas palavras de Cristian Toledo, jornalista da Rádio 98FM : “Nós convivemos durante 10 anos juntos e ele sempre foi um cara muito gentil e educado. Ele chegou a um patamar muito alto no jornalismo brasileiro e, mesmo assim, nunca deixou de ser uma pessoa muito gentil, sempre ajudando todo mundo. Ele foi uma figura símbolo no jornalismo brasileiro, mas sempre teve uma relação muito forte com o Estado. Além de tudo, de ter sido uma pessoa muito educada e atenciosa, ele foi um dos pioneiros em multimídia, muito antes de todo mundo”.

A ele nossa admiração e homenagem.

Fotos: Acervo da família | Fontes: Relatos familiares, Instituto Caros Ouvintes e http://www.coritiba.com.br

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