Liberdade – tão desejada quanto temida

Liberdade. Quantos homens, mulheres e crianças já a desejaram e quantos ainda a desejam ou melhor, a necessitam?

Escravos, prisioneiros em campos de concentração, campos de trabalho forçado, trabalho escravo (até hoje), mulheres humilhadas ou espancadas por maridos covardes, crianças vítimas de maus tratos por parte dos próprios pais e até de religiosos. Quantos desejam se livrar da opressão política ou da religião? Da corrupção e das mentiras declaradas no dia a dia. Ah, pena que os animais têm seu meio de comunicação limitado, afinal de contas os bois da “farra”, os touros de outros “espetáculos”; se pudessem, creio que dariam seu grito de – liberdade.

Imagine o Brasil do século XIX, antes de 1888, quantos escravos sonhavam com a carta de alforria ou a abolição da escravidão.

Mas como ficaram os escravos libertados pela carta de alforria ou pela abolição? De início pulos de alegria e lágrimas de emoção. Passada a euforia a realidade, a tão desejada – liberdade. O sonho de liberdade tornou-se um temor para muitos; outros já a temiam antes.

Sempre houve pessoas, inclusive escravos, que sabiam que a tão sonhada liberdade traria grandes desafios e responsabilidades. Afinal de contas liberdade e responsabilidade devem andar de mão dadas, senão a liberdade não é plena.

Hoje há pessoas em diversas situações que almejam a liberdade, mas a que preço?

A liberdade em seu pleno sentido tem um preço, o preço da responsabilidade. Enquanto em ignorância não aparece a – responsabilidade, mas com ela precisamos agir em harmonia.

O que vale mais, aprender, abrir a mente e entender em que mundo vivemos e aceitar as responsabilidades ou ficar naquela – imaginária confortável situação?

O educador e filósofo, Paulo Freire (1921-1997), entre suas frases e reflexões, nos brinda com esse pensamento sobre liberdade. Entre as tendências progressistas estava a – Libertadora. O educador e filósofo dizia que os alunos, os estudantes, deveriam passar pelo processo de libertação. Para que isso acontecesse a escola e professores deveriam incentivar a curiosidade com a convicção de que é possível mudar. Todos, professores e alunos deveriam gostar de pesquisar e ouvir.

Eis um dos desafio dos professores; incentivar com convicção. E ainda mais, levar os alunos a questionar, a ouvir, a pesquisar e investigar.

Quem ousa questionar seu líder religioso, seu marido violento, seu representante político?

Mais delicado ainda; quem sabe ou está preparado para questionar? Quem foi educado a não “engolir” qualquer coisa dita na imprensa, no lar, na igreja, na empresa?

Questionar exige o saber, ter conhecimentos; o saber em que mundo se vive.

Há muitos que dizem: “Tem mais é que quebrar tudo mesmo”. Estudiosos de sociologia chamam algumas revoluções que presenciamos ou ouvimos falar de: contra-revolução ou revolução às avessas. Mudam os nomes de quem está no poder, mas se mantêm no poder os quais os nomes não mais aparecem.

Curtir o futebol, os demais programas de entretenimento da TV e outros não nos isenta da responsabilidade do saber; o saber que traz as responsabilidades essenciais a vida individual, em família, em sociedade.

O saber que liberta sem medo, sem medo de dizer: “Sou livre até para questionar”.

O problema é que para muitos a tão sonhada liberdade causa medo; medo de assumi-la.

O saber leva a sair da “zona de conforto”. Exige ação. Requer esforços. Daí, o medo.

Medo de dizer ao líder religioso: “Por que devo fazer isso?”. “Por que não faço àquilo?”.

Medo de ser diferente quando o diferente é o certo, mas a maioria pensa daquela maneira.
Será que realmente pensam como dizem algumas notícias, ou são persuadidos a crer nisso?

O fato é um interessante paradoxo – ser livre é muito bom; ainda assim causa medo a muitos.

Afinal de contas o que vale mais, o saber e mudar ou o deixa como está; vai que piora?

Se a libertação dos escravos acontecesse em nossos dias quais seriam as diferenças entre nós e eles ao ouvirmos: Estamos livres!?

 

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