Lima Martensen estréia finalmente na PRA-5, Rádio São Paulo

Como estamos ainda no início desta série, cabe repetir que estamos escrevendo sobre um gaúcho que fez sucesso em São Paulo como publicitário e que viria a criar em 1952  a ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing.
Por Francisco Socorro, de Florianópolis*

Trata-se de  Rodolfo Lima Martensen  e que será homenageado  pela ESPM em maio próximo, quando se comemora  seus 90 anos de nascimento. É um caso raro de publicitário que alcançou grande projeção cuja trajetória profissional começou no rádio.

No episódio de hoje, narramos como Lima Martensen acabou participando da inauguração, nos anos trinta, da Rádio São Paulo, PRA-5 no programa Os Saraus de Madame X, grande sucesso da época, texto do escritor Menotti Del Pichia, produzido por Franchini Netto e patrocinado pela General Electric.

Como lhe havia sugerido o Dr. Paulo Machado de Carvalho, Lima Martensen procurou o Pipa (João Batista Amaral) em busca de uma chance na Rádio São Paulo, PRA-X que estava  prestes a ser inaugurada.

O primeiro impacto de Lima Martensen ao constatar as dependências rústicas da emissora foi brutal. Ele nunca imaginou que uma emissora de rádio pudesse estar instalada em bases tão franciscanas – achou mesmo que o Dr. Paulo lhe havia pregado uma peça. Vejam como Lima Martensen descreveu essa primeira impressão: “Logo na segunda-feira, corri direto à Rua 7 de Abril. Quando cheguei diante do número indicado pelo Dr. Paulo, pensei que tudo não passasse de uma brincadeira. Ali estava uma casa velha, com um portãozinho lateral e quatro janelas dando para a rua. Tinha aspecto de tudo, menos de emissora de rádio. No íntimo, fiquei magoado com o Dr. Paulo. Afinal, não devia ter brincado assim com os sentimentos de um rapazola embevecido pelo rádio. Que gozação besta! Mas, já que estava ali, abri o portão de ferro enferrujado que estava apenas encostado, subi uma escada de três ou quatro desgastados degraus de velho mármore e espiei a sala entreaberta. Sobre uma mesinha em frente a um sofá carcomido pelo tempo, estavam dois reluzentes microfones e muitos fios enrolados. Não é que aquilo poderia ser mesmo uma emissora…”

Após conversar com o Pipa, que se admirou da determinação de Lima Martensen em ingressar no rádio, o nosso herói, após ter passado por um teste conduzido pelo locutor-chefe da emissora, Eurípides Ramos, consegue fazer um teste de interpretação para um  pequeno papel  no programa Os Saraus de Madame X, um programa composto de temas mundanos com música, poesia, intrigas, amor etc.  Lima Martensen ficou radiante com o pequeno papel de mordomo (cinco ou seis falas),  valorizado pela sua voz de barítono.

Uma curiosidade para os dias de hoje: Lima Martensen descreve os recursos técnicos da época: “Naquele tempo não se dispunha de gravação em fita. Havia um incipiente sistema de gravação em fio imantado mas de qualidade tão má que nem se cogitava usá-lo numa programação normal. Tudo era irradiado ao vivo e os erros cometidos eram levados ao ar, irremediavelmente…”.

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*Francisco Soccorro – [email protected]
Planejamento de licitações públicas, prospecções de novos negócios na área privada e elaboração de cases de marketing.

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