Lima Martensen: o início de uma carreira gloriosa de publicitário

O rádio acabou servindo de trampolim para que Rodolfo Lima Martensen ingressasse no mundo da Publicidade.  Mas antes de entrarmos na história de hoje, preciso fazer um registro sobre um assunto de que não falei até agora. Lima Martensen contraiu tuberculose ainda em sua cidade natal, Rio Grande e transferiu-se em 1931 para São José dos Campos, em São Paulo em busca de tratamento.
Por Chico Socorro

Como muitas pessoas de hoje desconhecem, a tuberculose era quase que incurável nos anos 30. Mas, graças a uma determinação férrea, disciplina e vontade de viver, Lima Martensen foi considerado curado em 1937 quando estava prestes a ingressar na Publicidade.  Naquele período, graças ao sucesso conseguido no Rádio com o seu Programa  A Hora Esquisita,  Lima Martensen foi encarregado pelo sr. Domingos Giorgetti, Gerente de propaganda da  Lever,  da campanha publicitária para o lançamento daquele que viria a se tornar um produto de grande sucesso: o sabonete Lifebuoy. Georgetti que já admirava o talento do futuro publicitário fez a ponte e o apresentou ao presidente da filial brasileira da multinacional inglesa Lever Brothers mr. George Mc Cabe.

Mas a história tem muito mais sabor nas palavras do nosso herói:

“—Existem certas pessoas que têm cara daquilo que são. Açougueiro que tem cara de açougueiro, médico que você vê na rua e é capaz de jurar: esse aí é médico… George Mc Cabe tinha cara, voz e postura de presidente de multinacional. Ainda por cima era inglês. Um dos ingleses mais inglês que conheci. Quanto entrei em sua sala. Levantou-se cortesmente como se eu fora uma importante personalidade. O diálogo que se  estabeleceu entre nós veio mudar totalmente o curso da minha vida profissional e tenho-o gravado nitidamente em minha memória. Falou-me em português, com um carregado sotaque britânico:

—Sr. Martensen, tenho lido os seus copies com muito interesse. Qual é a sua experiência em propaganda? – Muito pouca, Sr. Mc Cabe. Sou, essencialmente, um homem de rádio. — Isso é o que senhor pensa. Eu acho que o senhor é um advertising man. — Um homem de propaganda? O que é que faz o senhor me dizer isso? — A sua maneira de escrever. Tenho uma larga experiência em marketing e propaganda e sou capaz de julgar um copywriter; Queria lhe fazer uma proposta: venha trabalhar full-time  conosco. — Para fazer o quê, sr. Mc Cabe? — Propaganda. Há seis anos, abrimos no Brasil a nossa Lintas. Mas não existiam condições para fazê-la funcionar dentro dos nossos padrões. Por isso fechamos a Lintas em 1933 e entregamos nossa conta publicitária à J. Walter Thompson. Temos agora apenas um pequeno departamento de propaganda.

— Desculpe, Mr. Mc Cabe, mas o que é Lintas? — Ah, sim!  É preciso que lhe explique. Lintas é a sigla de Lever Internacional Advertising System e atua como uma house agency da Unilever…”

Lima Martensen, com 21 anos, depois de saber das condições financeiras irrecusáveis da proposta fica literalmente atônito, mas, mesmo assim, diz que pretende pensar a respeito pois amava o rádio de paixão e teria de abandoná-lo.


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Por Chico Socorro

Publicitário, nasceu em São Paulo e veio para Santa Catarina no final da década de 1970 para implantar e gerenciar o setor de comunicação e marketing da Cia Hering de Blumenau. Chico Socorro é consultor independente de comunicação e marketing para as áreas de licitações públicas e prospecção de novos negócios.
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