Livro faz o histórico da Fluminense FM, a Maldita

O livro “Rádio Fluminense FM – A porta de entrada do rock brasileiro nos anos 80” (Editora Outras Letras), da colega jornalista Maria Estrella amplia a monografia que ela apresentou no curso de especialização em jornalismo cultural da UERJ. Como o título diz, a Fluminense era uma emissora que ajudou a dar o start na geração 80 do Rock Brasil junto com a série Rock Voador, do Circo Voador.
Divulgação

A Fluminense Maldita tocava as gravações que as bandas faziam por conta própria, divulgando nomes que depois se tornariam marcas fortes na música brasileira como Barão Vermelho, Kid Abelha, Paralamas do Sucesso e outros. A audiência da rádio e a freqüência do Circo Voador tomaram uma curva ascendente a partir do final de 82, levado as gravadoras a contratar os grupos mesmo sem saber direito o que estava acontecendo.

A rádio nasceu da idéia dos jornalistas Luiz Antonio Mello (foto) e Samuel Wainer Filho que apresentaram o projeto de um programa chamado Rock Alive e receberam como resposta a oferta da rádio inteira para fazer o que quisessem. Eles agregaram uma equipe, decidiram que a rádio só teria locutoras, não aceitaria jabá e nem músicas de trabalho e módulos de três músicas, uma brasileira, um clássico do rock e um quase clássico. As locutoras podiam escolher o que desejavam tocar da playlist, não se tocava a mesma música duas vezes por dia e as músicas eram tocadas por inteiro,
sem que as DJs falassem em cima.
Que falta faz uma rádio dessas hoje em dia.
A rádio começou em março de 1982 como a 15ª de um ranking de 16 emissoras e chegou ao terceiro lugar em abril de 1985. Depois do esfacelamento parcial da equipe inicial, que culminou com a saída de Luiz Antonio Mello em 1985, a emissora foi perdendo audiência. Apesar de caracterizada como a rádio que dava vez ao novo, havia uma divisão interna, com um grupo considerando a rádio fechada no material mais clássico. Maurício Valladares, fotógrafo, DJ e titular do programa Rock Alive, reclamava que o novo só ocupava de 20% a 30% da rádio, enquanto o programador Alex Mariano ponderava que uma certa taxa de redundância era necessária para que a informação nova fosse assimilada. (Será que um percentual muito novo de novidades espanta ouvintes?).

Em sua pesquisa sobre a programação da rádio, Maria Estrella concluiu que 77% da programação eram de música recente e, destes, 43,5% eram produção de 1983 e 1984. Depois da saída de Luiz Antonio, Maurício queria uma programação voltada para a música negra, de Motown a Jorge Ben, mas Alex brecou. Com altos (sétimo lugar em fevereiro de 90) e baixos (16º em setembro de 1989), a Fluminense durou até 1994 e permanece insubstituída.
O livro de Maria Estrella complementa o autobiográfico “A onda maldita”, de Luiz Antonio Mello, duas boas fontes de consulta sobre a história recente do rádio e do Rock Brasil.


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