Lourival Bruno, primeiro e único técnico da Rádio Diário da Manhã

Discreto, perfeccionista, simples, objetivo e direto – esse o perfil impecável de Lourival Bruno o primeiro diretor técnico da Rádio Diário da Manhã de Florianópolis.

Carteira ProfissionalNosso relacionamento foi fraternal e amigo desde quando fomos apresentados no dia da admissão do Edwin Scott Balster, colega que viera comigo de Curitiba para nos fixarmos na Ilha de Santa Catarina em 1956. Mesmo assim, com toda essa intimidade, foi ele um dos mais renitentes convidados a conceder uma entrevista desde quando comecei a levantar dados para o livro Caros Ouvintes – Os 60 anos do Rádio em Florianópolis. Cerquei por todos os lados até que consegui arrancar as informações que compõem esta série de episódios que semanalmente estará aqui em forma de textos e podcast. (Colaborou Norma Bruno). Lourival Bruno, rádio telegrafista e rádio-técnico, ilhéu nascido no Saco dos Limões, em 24/03/1928. Fone: XXX 0799. Casou com dona Aurelina em 1953. Em 1956 fez concurso para telegrafista nos Correios. Assumiu em 1958.

Entrevista realizada na casa dele com a participação da Preta (Nivalda Jacques Severo), na Rua Alba Dias da Cunha, 166, em 10/07/2003.

Antunes: Como foi o seu começo no rádio:

Lourival: Eu era rádio telegrafista da Secretaria de Segurança desde 1947 e já me interessava por eletrônica. Lia revistas técnicas em espanhol, francês e inglês e também fiz alguns cursos. O meu chefe na secretaria, Alberto Edmundo Alves, era técnico em rádio e dava assistência técnica à Rádio Guarujá e eu passei a auxiliá-lo para aprender um pouco mais e também para praticar. Quando o Mascarenhas recebeu a incumbência de montar a Diário da Manhã, em 1954 ele convidou o Alberto, mas ele disse que não podia aceitar porque além de concorrente a nova emissora pertencia à UDN (família Bornhausen) e ele trabalhava na emissora do PSD (família Ramos).

Antunes: (Foi mencionado o nome do ténico em rádio Percival Flores que era alinhado à UDN, mas não ficou claro porque ele não participou da instalação da emissora). Então você foi convidado.

Lourival: Sim. O salário era melhor e a oportunidade era muito boa. Eu ganhava 500,00 cruzeiros e passei a ganhar 600,00. Todo o equipamento da emissora era da Philips holandesa: desde os transmissores, mesas de som, até os microfones.

Antunes: Qual era a potência licenciada?

Lourival: Duzentos e cinqüenta watts. A Guarujá já operava com 1.000 watts.

Antunes: A que se atribui o sucesso explosivo da nova rádio?

Lourival: Ao equipamento mais moderno, a frequência (1.010 quilohertz) bem no meio dial, o padrão de voz dos locutores e a qualidade de som conseguida com uma série de inovações.

Antunes: Por exemplo.

Cantora Marlene, Rainha do Rádio, batiza inauguração transmissor de ondas curtas.

Cantora Marlene, Rainha do Rádio, batiza inauguração transmissor de ondas curtas.

Lourival: Localização da planta de transmissão no pé do morro junto ao centro da cidade, o transporte do sinal feito com linha especial de dois fios e não em forma de par como linha telefônica. Além da separação dos fios mantendo uma distância de 20 centímetros um do outro, a cada 50m metros os fios eram cruzados, para não alterar a impedância e evitar perdas das frequências mais agudas. Também eu entrei com uma inovação. Como o sinal perdia potência por causa da distância, eu instalei uma das maletas de transmissão externa antes da entrada do sinal no transmissor. O som ficou inigualável.

Antunes: A emissora começou a operar em definitivo no dia 31 de janeiro de 1955. Quanto tempo ela ficou em caráter experimental?

Lourival: Os 30 dias regulamentares. Foi ao ar dia 28 ou 29 de dezembro de 1954.

Antunes: Quem foi o primeiro locutor a falar na rádio?

Lourival: O Souza Miranda que já havia trabalhado com o Mascarenhas lá em São Francisco do Sul.

Antunes: Era um dos “vozeirões” da época. Ele é paranaense, mas quando veio para cá estava em São Paulo, trabalhando na Tupi.

Contato 03/12/03 – O Lourival está gravando depoimento. Hoje conversamos sobre o início da Rádio Diário da manhã e ele lembra que a emissora começou com o slogan “O melhor som de Santa Catarina”. Isso era baseado principalmente nas cápsulas de captação do som dos discos, segundo uma tecnologia da Philips holandesa que estava se instalando no Brasil.

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *