Luis Nassif critica forma da Justiça avaliar processos de mídia online

O jornalista Luis Nassif e o portal iG foram condenados a pagar multa de R$ 30 mil cada um ao ex-colunista da revista Veja, Diogo Mainardi, por danos morais, ao chamá-lo de “colunista sela” em seu blog. A decisão judicial foi tomada pela 10ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça em 2ª instância e cabe recurso. O processo foi motivado por um texto publicado no blog de Nassif, entre dezembro de 2007, em que Mainardi fora chamado por Nassif de “colunista sela — nome que se dá ao colunista pouco informado que se deixa “cavalgar” pela fonte, tornando-o mero passador de recados. Na época, Nassif era colunista de economia do Portal iG. Os desembargadores que julgaram o caso consideraram que Nassif dirigiu ofensa pessoal a Mainardi. Nassif, no entanto, recorreu da sentença alegando não ter feito críticas ou ofensas ao ex-colunista da Veja, mas aos seus textos. O iG também foi condenado a pagar igual indenização de R$ 30 mil a Mainardi. O portal havia contratado a empresa de Nassif para produzir conteúdo de quatro blogs. Segundo a Justiça, o iG deve ser condenado porque funcionava “como veículo de divulgação das matérias redigidas pelo jornalista Luis Nassif e não como mero hospedeiro”.

A situação se desenrolou com base nas matérias e textos em que jornalistas da revista Veja – Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Eurípides Alcântara e Mário Sabino – escreveram entre 2006 e 2008, a respeito do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, e que foram criticados por Nassif. Devido aos embates, o jornalista responde a outros processos, incluindo o movido pela Editora Abril. Nassif disse que a forma como a Justiça julga os processos envolvendo veículos de comunicação se baseia nos meios convencionais e não nos digitais. Afirmou ao Comunique-se que os processos movidos contra ele por Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Eurípides Alcântara e Mário Sabino (que ainda trabalham na publicação) e por Ali Kamel, diretor da Central Globo de Jornalismo são beneficiados apenas pela falta de contextualização de quem os julga. “É perceptível que os desembargadores têm dificuldade de entender o jornalismo nos últimos anos. Com o avanço da internet e da opinião por meio dos blogs, eles se perdem na hora de julgar os processos de comunicação e na definição do que é ofensa e do que não é”, comentou. (Com informação de Silvana Chaves | Comunique-se)

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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