Luiz Fiuza Lima lança plano publicitário inédito para o turismo catarinense

As certezas, às vezes, me deixam desconfiado. É que ao pensar corremos o risco de abrir as comportas do sem fim, dos horizontes perdidos, da imensidão abissal.

Detalhe de anúncio de varejo publicado nos jornais da Capital

Detalhe de anúncio de varejo publicado nos jornais da Capital

Nesses momentos, o perigo se esconde nos lugares-comuns, nas frases de auto-ajuda, nos confortos, nas autocomiserações. Essa reflexão me vem quando penso no caminho que vou seguir para reordenar e reapresentar as memórias que ainda carrego dos tempos fascinantes, mágicos, posso dizer, vividos em terras Catarina, no vasto mundo da comunicação.

Quando aqui cheguei, em 1956, os primeiros passos já haviam sido dados, os lances pioneiros já haviam sido lançados. O nome de Luiz Fiuza Lima já estava estampado nas páginas dos jornais, seus feitos eram motivo dos mais diversos e díspares comentários. Céu e inferno se misturavam no burburinho dos fuxicos. Defensores e acusadores se revezavam nas críticas e nos elogios. Enfim, ninguém mais conseguia ignorar que Florianópolis, a desmoralizada capital de um dos estados mais pujantes da nação, tinha potencial econômico ímpar para ser a base da indústria turística do sul brasileiro com reflexos nos países vizinhos que se estendem do Atlântico ao Pacífico.

Por ter pegado o bonde andando valho-me da narração precisa e fiel de José Hamilton Martinelli no já mencionado livro dos 25 anos da Propague. Conta o Martina apoiado nas pesquisas da Raquel Wandelli:

“Início dos anos 1950. Tomado de profética inspiração, o cidadão Luiz Fiuza Lima vislumbra que o grande potencial econômico de Florianópolis reside na indústria do turismo”.

“Associado ao professor João David Ferreira Lima, nome respeitabilíssimo, e ao empresário Sidney Nocetti, funda a primeira empresa de aviação comercial do Estado, a Transportes Aéreos Catarinenses. O nome da TAC ficaria por muitos anos ligado aos valores culturais do Sul, graças a propaganda desenvolvida nessa direção. De início a empresa operava em Santa Catarina e Paraná. Incapaz de manter sozinha a manutenção dos aviões consorciou-se com a Cruzeiro do Sul, viabilizando conexões para São Paulo e Rio de Janeiro. A Cruzeiro entrava com os aviões (a TAC só tinha um) e a infra-estrutura de terra. A TAC entrava com uma rede de lojas nas principais cidades do Estado e um competente departamento de publicidade. Esse departamento, instalado na Capital, fez o primeiro trabalho de formação de imagem de uma empresa catarinense. A TAC ganhou carisma, colocou a Ilha na vitrine como pólo turístico e promoveu Santa Catarina em outros estados. Seus aviões se transformaram em meios de comunicação”.

“Quando o jornalista Ilmar Carvalho deixou a Rádio Difusora de São Francisco do Sul para assumir a House Agency da TAC, realizou uma pesquisa sobre anúncios nos jornais. – A Padaria Moritz oferecia pães frescos e a Modelar anunciava uma liquidação. Tudo muito rudimentar e sem ilustração – critica Ilmar. Contratou então dois nomes em evidência: os artistas plásticos Hiedy de Assis Corrêa, ou simplesmente Hassis, e Domingos Fossari. Agora, os anúncios, além de receberem belas ilustrações, ganharam slogans, textos mais criativos, apelando sempre para as vantagens de se optar por uma empresa catarinense, e chamando a atenção para as belezas da Ilha. Comerciais de rádio em espanhol divulgavam a empresa na Argentina, Chile e Peru. A TAC contratou até um locutor castelhano”.

“Cuidava de sua imagem, criando campanhas institucionais e patrocinando eventos culturais e esportivos. Vitrines itinerantes levavam textos e exposições fotográficas para outras cidades, mostrando os pontos turísticos, o artesanato, as praias e a culinária açoriana. E incentivou a melhoria da rede hoteleira para que a estrutura da cidade correspondesse ao esforço de divulgá-la”.

Nem tudo, porém, correu de acordo com os planos dos decididos empreendedores. Entretanto, a história da comunicação mercadológica e o negócio da propaganda em Santa Catarina tiveram o impulso inicial com base nesse arrojado empreendimento. A empresa aérea sucumbiu no início dos anos 1960, pois como registra Martinelli “seus proprietários tinham boas idéias, mas pouco capital” e conclui profético: “a TAC construiu uma imagem que nenhuma outra empresa da época conseguiu”.

A contribuição de Luiz Fiuza Lima e de sua equipe de jovens (e talentosos) sonhadores não ficou somente aí, como você poderá acompanhar na próxima semana.

Por hoje anote esta pequena correção histórica feita pelo Emílio Cerri Neto: “A TAC foi criada no Rio de Janeiro em 1947 com o nome de TAL. Em 1950 transferiu-se para Florianópolis e adotou a marca TAC. Teve 4 aviões (DC3). Existe registro de apenas um “incidente” ocorrido em 1953 com o PP- AJA: pane em um dos motores na decolagem, perda de altura e choque no solo. Sem vítimas. EC”

Este artigo faz parte da série Apontamentos para a História da Propaganda em SC

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