Luiz Henrique x Wittich Freitag

Uma briga de cachorro grande. Essa era avaliação de todos sobre a disputa para prefeito de Joinville, em 1992. Fui convidado por Freitag para ser o seu coordenador de imprensa na campanha eleitoral, quando vivi momentos inesquecíveis.
Por Léo Saballa

Em 1992 aceitei o convite do empresário Wittich Freitag para ser o seu coordenador dos programas eleitorais no rádio e TV, na disputa para prefeito de Joinville. Logo deduzi que haveria uma briga de cachorro grande. De um lado, Wittich Freitag, um dos maiores empresários do Brasil, fundador da Cônsul, Embraco, Lojas Freitag, Empreendimentos WF entre outras empresas responsáveis por milhares de empregos e ainda por cima ex-prefeito de Joinville e exercendo o mandato de deputado estadual. Um verdadeiro campeão de votos, considerado pela revista Veja como o melhor administrador municipal do Brasil.

O adversário, ninguém menos que Luiz Henrique, o presidente nacional do PMDB, ministro da Ciência e Tecnologia, deputado federal mais votado de Santa Catarina, por diversas vezes, além de ter exercido o cargo de prefeito de Joinville com muita competência e nunca perder uma eleição em toda a sua carreira política.

O que os institutos de pesquisa previam acabou se confirmando: os dois foram para o segundo turno. Aliás, a primeira vez em que ocorreu segundo turno em Joinville, com ligeira vantagem para Freitag.

Nesta etapa todas as pesquisas mostravam um equilíbrio muito grande entre os dois candidatos. Qualquer prognóstico não passava de mera especulação. De fato, Joinville vivia a sua mais acirrada disputa política.

Os aliados de Freitag temiam que as dificuldades de expressão do candidato pudessem ser a causa da derrota. Sotaque alemão carregado, semblante sério, Freitag era o oposto de Luiz Henrique que, com discurso afiado, eletrizava os comícios com sua oratória popular.

Na simulação do debate decisivo promovido pela RBS-TV, naquela noite, coube a mim, no período da tarde, fazer o papel de advogado do diabo, ou seja, formular as perguntas que poderiam partir de Luiz Henrique.
– Candidato Freitag, qual é a real situação da sua saúde?
– Não tá lá essas coisas, seu Léo. Tirando as três pontes de safena e o mal de parkinson, dá para ir levando.

Assim era Freitag, sincero, honesto e que falava apenas o que estava pensando.

No dia do Debate, quando muitos acreditavam que Luiz Henrique faria um massacre, o velhinho surpreendeu. Aproveitando um comentário jocoso, seguido de um sorriso cínico do oponente, Freitag ergueu o dedo e falou: “Senhor Luiz Henrique, por favor, me respeite, eu exijo respeito”. Naquele momento, Wittich Freitag se tornaria o primeiro a impingir uma derrota ao imbatível candidato do PMDB. Quer dizer, a sinceridade de Freitag foi mais convincente do que qualquer argumentação de marqueteiro.


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Por Léo Saballa

Radialista, publicitário e produtor cultural. Residente em Joinville/SC, atuou em diversas emissoras de rádio em Santa Catarina. Como jornalista, foi editor de Política e de Geral no jornal A Notícia de Joinville, onde é cronista no caderno AN Cidade. Léo tem prestado assessoria de imprensa para entidades filantrópicas.
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