Lula, uma tristeza

Recém saímos da ditadura e a desesperança volta. Quando a sepultamos, após 20 anos de resistência, brotou a esperança de um novo Brasil. Esperança sustentada em vários símbolos – nada mau nisso, a humanidade é movida por símbolos.

Lula. Foto: Ag. Estado

Havia entusiasmo a fé durante o velório do arbítrio. Tudo parecia fácil e sólido no horizonte. Imaginávamos que bastava nossos símbolos chegar ao poder em Brasília, arregaçar as mangas e tornar a esperança por mais justiça e ética em fato real.

Ópera bufa: só 35 anos depois desse recomeço um dos principais símbolos desse novo Brasil vagueia errático pela lama: Luiz Inácio Lula da Silva. O homem que encantou e fez sombra a verdadeiros símbolos de esperança de outras nações revelou-se, para tristeza geral, um ser patético, preocupado com seu umbigo. Verdadeiro vassalo dos homens mais ricos e poderosos da Nação, a quem serviu com rara subserviência.

O que há de extraordinário nisso? Boa pergunta! Fica a amargura por constatar que tão logo chegam ao poder nossos símbolos traem o que havia de mais sagrado, ou seja, os que morreram, foram torturados, presos, prejudicado na luta contra a ditadura e para viabilizar essa decantada nova esperança!

Nada mais típico, entretanto, entre nós, latino-americanos, do que ver o salvador da Pátria da vez fazer hoje exatamente tudo o que condenava ontem. Todos os amantes incondicionais do povo não passam de traidores falastrões ciosos em encher suas burras com o vil metal. Com Lula a tristeza é imensa porque as feridas da era ditatorial ainda não cicatrizaram.

Lula cresceu no imaginário do povo como homem que, entre outras coisas, daria fim à corrupção. Nada tem de parecido na história brasileira, em termos de pertinaz roubalheira, do que ocorre na chamada era-Lula – cujo emblemático inicio se deu com o mensalão e culmina agora na Operação Lava-Jato.

Lula teve tudo: prestigio, carisma, apoio popular, admiradores e bajuladores. Dono de inteligência fina, poder de sedução pela palavra, Lula chegou a ser venerado pelo povo e fez no Brasil tudo o que lhe deu na cabeça. Foi incensado, também, pelo segmento da intelectualidade nacional e internacional que está no divã e acredita que o mal da humanidade são os outros.

Há tristeza, também, porque o ex-presidente se revela um oportunista que lava as mãos e joga toda responsabilidade para os outros na hora do incêndio. Sacando a grandeza da encrenca que, sob seu comando carismático meteu PT e o atual governo, Lula se comporta como politico demagogo de oposição. Como o capitão que abandona por primeiro o navio junto com os ratos. Ninguém tem sido tão contundente nas criticas ao PT e ao governo da presidente Dilma do que Lula. Quem explica?

Para escapar da cota de responsabilidade, especialmente na roubalheira sem fim, cinicamente se posta de bonzinho ao debitar todos nossos males ao partido que criou e comandou como se dele não fizesse parte.

Mais, a ópera bufa prova como os latino-americanos são suscetíveis ao canto da sereia. Somos crianças esperando que alguém pegue pela mão e nos conduza. Adoramos oportunistas por preguiça mental, parece que gostamos de ser massa de manobra.

Olhando tudo – o ontem e o hoje – indago: quem ganha quando um líder como Lula não passa de oportunista? Ninguém! Somos todos perdedores… Tristes perdedores!

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