Lupion, olha aqui! Lupion, vem cá!

O governador Moisés Lupion, logo após ser declarado eleito, viajou para descansar da árdua campanha eleitoral. 

Na sua ausência jornais e emissoras de rádio se dedicaram a natural e indispensável especulação sobre a equipe de governo que seria formada. Bom para os veículos de comunicação que ganham leitores e ouvintes e ótimo para os companheiros de campanha que aproveitam essas ocasiões para ter seus minutos de glória.

A volta do governador eleito estava sendo aguardada com grande expectativa. O anúncio do dia e hora da chegada de Lupion no Aeroporto Afonso Penna alvoroçou as emissoras de rádio de Curitiba. Todas disputavam a primazia de fazer a primeira entrevista com o governador eleito e revelar os primeiros nomes escolhidos para a equipe de governo. 

A falta de equipamentos adequados para transmissões externas dificultava o trabalho dos profissionais. A Rádio Emissora Paranaense, se fez presente com o repórter Maurício Fruet no comando da equipe de transmissão, única com carro próprio de reportagem e equipamentos mais modernos que suas concorrentes.

Colocado o carro de reportagem próximo à pista do aeroporto, Maurício logo percebeu que teria dificuldades para entrevistar o governador, já que o cabo do microfone tinha apenas dois metros, ficando muito distante da escada do avião.  Mas, para um bom improvisador alguns metros não significam um grande obstáculo.

Quando o governador descia a escada do C-46, Maurício Fruet iniciou sua narração contando detalhes da chegada, porém faltava a entrevista reveladora e exclusiva. Sem microfone de cabo mais longo ele apelou para os gritos:

– Lupion! Lupion olha aqui, aqui, aqui! Lupion vem cá! Vem cá!

E Lupion foi.

1 responder
  1. J.Pimentel says:

    Tenho uma historia parecida, na B2.Estava formando uma equipe de jornalismo e procurando novos repórteres. Apareceu um estudante de direito, pernambucano, magro, cabeça grande e comprida, cuja caricatura se assemelhava a Pantera cor-de-rosa, o que lhe valeu o apelido.Seu nome era Fernando. Muito conversador, comuna até os ossos, insistia que eu deveria lhe dar a vaga. Naquele dia Haroldo Leon Peres havia sido deposto, deveria se afastar do governo do Paraná e tinha sido proibido pelos militares de dar qualquer tipo de declaração. Entrevista, nem pensar.Para sacanear, eu disse que, se ele conseguisse uma entrevista com Leon Peres eu o admitiria. E lá foi a “pantera cor-de-rosa com meu gravador k-7 emprestado. Algumas horas depois ele aparece, desiludido. “- Não deu. não teve jeito. Gritei, pedi para ele dar entrevista e tudo o que consegui foi um não. ele disse que não podia falar nada”. Pedi para ouvir a gravação. No meio do tumulto, sua voz: Governador,governador. O senhor precisa gravar uma entrevista pra mim. E Leon Peres: “Não posso, não posso”. O rapaz insistiu: “- Mas eu preciso de sua entrevista senão eu não consigo o meu emprego. Foi essa a condição do diretor da rádio. Pelo amor de Deus eu preciso desse emprego”. E o Leon Peres: “- Se depender da minha entrevista você está desempregado. Eu estou proibido de falar”. O cara ganhou a vaga.

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