Lygia Santos

Eu acho que o rádio me deu uma coisa muito boa: com o rádio eu aprendi a me relacionar com as pessoas sem guardar distância por classe social… O rádio me tirou, ou talvez já fizesse parte de mim, qualquer coisa que se pudesse ver como preconceito. Pra mim pode ser branco, preto, amarelo, o que conta pra mim é a riqueza interior das pessoas.

Lygia-Santos

Pose para os fãs: Foto “artística” com direito a retoque de laboratório, em 1951.

Lygia Santos nasceu em Itajaí. Caçula de uma família de três irmãos destaca-se por ser 15 anos mais jovem do que o irmão mais próximo. Com seis anos a família se transfere para Florianópolis onde ela vive até hoje. Lygia é uma dessas pessoas que se destacam pela alegria de viver, pela maneira saudável com que se comporta e pelo otimismo que transpira em cada gesto e em cada palavra. Esta entrevista foi gravada na sexta-feira, 23 de setembro de 2005, na sede da Associação Catarinense de Imprensa, que ela não conhecia, mas que deverá freqüentar daqui pra frente. A conversa completa você pode ouvir clicando no player acima.

Antunes: Você foi a primeira locutora profissional de Florianópolis?

Lygia: Eu acredito que sim. Eu estava um dia na Guarujá, na varanda quando o Bonassis (Edgard Bonassis da Silva) chegou e perguntou: você sabe ler bem? Eu disse, sei. – Você quer fazer um teste para locutora? Ah, eu fiquei entusiasmada.

Antunes: Mas, foi assim a queima roupa?

Lygia: Na verdade eu já cantava na Guarujá. Não tinha uma presença permanente na rádio. Era uma coisa esporádica.

Antunes: Não era uma coisa profissional…

Lygia: Nada. A gente cantava era por vaidade mesmo. Eu desde pequena já brincava de cantar no rádio… A Guarujá começou a fazer uns programas aos domingos no Teatro Álvaro de Carvalho, que então se chamava Cine Odeon. Houve uma premiação lá e todo o mundo tinha vergonha de aparecer, de subir ao palco e eu fui para receber um prêmio e dali começou o meu contato com o rádio. Então, quando surgiu o convite do Bonassis eu logo aceitei. Fiz o teste e no dia seguinte estava empregada como locutora comercial de caixinha, como se dizia. Eu comecei fazendo locução em dupla com do Dib Cherem. Ele lia um texto eu lia outro, ele anunciava uma música eu anunciava a outra e assim eu fui aprendendo. Depois eu fiz locução nos programas de auditório e também fui radioatriz interpretando papéis de destaque. Um dia faltou uma radioatriz, não lembro quem, e o diretor Palmeiro da Fontoura me convidou. Quando eu li a fala ele disse: “ah, mas ela tem jeito…” Eu acabei fazendo o papel de mocinha nas novelas.

Antunes: E a carreira de cantora?

Lygia: Ficou em segundo plano, era só diletantismo…

Antunes: E a repercussão em casa, como foi?

Lygia: Eu falei em casa para os meus pais. O meu pai disse: “Por mim você tem inteira aprovação. Não tenho nada a opor, porque eu confio em ti, sei que você sabe se comportar”. E eu trabalhei na rádio até me casar. Depois de casada, por duas ou três vezes ainda participei de algumas novelas na Rádio Diário da Manhã. O Aldo Silva que foi meu diretor artístico na Guarujá e que estava na Diário, quando se apertava recorria a mim.

Antunes: Você virou figura pública…

Lygia: É, mudou sim. Porque em todo o lugar que eu ia, eu era reconhecida. Porque muita gente me escrevia. Eu recebia uma correspondência enorme, diariamente. Aconteceu muitas vezes de eu falar em algum lugar e alguém se virar e dizer assim: “Você não é a Lygia Santos”? Pela maneira de falar, eles logo reconheciam que era eu.

Cantora: ainda garota, Lígia estréia em programa de auditório da Guarujá. Na foto de 1948 apresenta-se no Lira Tênis Clube interpretando sucessos da música latino-americana.

Fotógrafa: registra a passagem do cantor Grande Otelo (ao centro) por Florianópolis, em 1951. A esquerda Mozart Régis, o grande Pituca, posa de terno e gravata.

Dengosa: no ático do edifício do Clube Náutico Martinelli, sede da emissora, a garota aos dezoito anos emoldura a ainda não aterrada Baía Sul, em 1951.

 

Atriz: Lígia, em pé ao centro com colegas do Teatro Experimental de Arte Moderna, 1951.

 

Pose para os fãs: Esta com dedicatória para o Paulo, em 1952.

Pose para os fãs: Especial para o Paulo e a Joceli, em dezembro de 1955.

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