Manoéis

Dona Maria estava envolvida com suas muitas tarefas domésticas; naquele exato momento mantinha atenção ao feijão que cozinhava e já se fazia perceber na vizinhança do simpático e exuberante Ribeirão da Ilha, em Florianópolis.

De repente, alguém bate palmas em seu portão. A dona de casa vai atender:

– Oi Manoel. Como tu estás meu filho? A família tá bem?

– Tô bem, dona Maria. E a família também. Vim falar com o Manoel. Ele tá aí?

– Não tá, não. Foi na casa do Manoel. É que a mulher dele já chegou da maternidade e ele foi lá fazer uma visita; eu vou lá mais tarde.

– Que legal. Eu não sabia que já tinha nascido. É menino ou menina? Como é o nome?

– É um menino. Com a graça de Deus nosso Senhor, nasceu com saúde. O nome vai ser Manoel.

– Que notícia boa, dona Maria. O Manoel deve estar todo tolo. Ele dizia que não importava se fosse homem ou mulher, mas eu bem sei que ele queria um filho homem. A senhora sabe me dizer se o Manoel volta logo?

– Não sei dizer, não, meu filho. Acho que depois ele ia na casa do tio Manoel; ficou de comprar um remédio na farmácia e levar pra ele.

– Poxa, isso eu não sabia, que o tio Manoel tá doente. É grave?

– Graças a Deus nosso Senhor parece que não. Ele foi no médico, no doutor Manoel. Acho que ele falou que é labirintite.

– A senhora sabe que meu avô, o seu Manoel, também tem essa doença?

– Pois então eu não sei?. Outro dia falei com teu avô lá na feira do seu Manoel. Que bom que ele tá se tratando.

– Dona Maria, eu vou lá barbearia do Manoel cortar o meu cabelo e depois eu passo aqui; preciso muito falar com o Manoel.

– Olha quem vem de bicicleta; ah que velho forte. Tá com 88 anos e pedala por tudo. Bom dia, seu Manoel, tudo bem, meu querido? Vai devagar aí meu amigo.

– Bom dia, dona Maria. Vou devagar e sempre. Manda um abraço pro meu amigo, Manoel. E tu Manoel, manda um abraço pro teu avô.

– O seu Manoel é muito boa gente. Eu volto mais tarde, não é nada grave, mas preciso muito falar com o Manoel ainda hoje.

– Tá certo meu filho, tô mesmo com comida no fogo, tenho que voltar pra cozinha.

– Que feijão cheiroso, dona Maria. Ah, tem alguém chamando a senhora lá dentro.

– Ah, é o Manoel. Manoel – gritou dona Maria em direção a casa – já tô indo. Esse meu velho com o pé machucado quer tudo na mão.

– A senhora diz que eu mandei um abraço pro seu Manoel e desejo melhoras. Até mais tarde.

– Até mais tarde. Manda um abraço pro Manoel, faz esse favor, rapaz.

– O Manoel barbeiro ou o meu avô?

– Pros dois, meu filho, pros dois.

– Vou indo. Olha só quem vem chegando, dona Maria, o Manoel.

– O meu filho?

– Não. O carteiro.

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