Manoel Timóteo no foco de todas as atenções

Mercado Público: tradicional ponto de encontro na rotina dos florianopolitanos, se modifica e vira atração turística da cidade.

ManecaDiretor de comunicação da ACIF – Associação Comercial e Industrial de Florianópolis – o jornalista Manoel Timóteo de Oliveira exibe uma publicação de 1928 com os “indicadores” da cidade, ou seja, dados sobre as empresas, o número de estabelecimentos comerciais, os hotéis e restaurantes em operação e muitas outras informações, incluindo atividades dos clubes sociais e anúncios de jornal, que dão uma idéia do que era a Capital catarinense na época. Entre esses dados aparece a lista dos dez açougues que funcionavam no Mercado Público, em espaços não chamados de “boxes”, mas “compartimentos”.

Naqueles anos, uma ocupação corriqueira era a dos carregadores que entregavam para as famílias mais abastadas as compras feitas no Mercado Público. Um dos mais ativos se chamava Benjamim José Pereira que servia a família Bulcão Vianna. No final da década de 1920 o Mercado era administrado por Propício Seara, o prefeito da cidade era Heitor Blum – que já havia sido presidente da ACIF – e o Estado era governado por Adolpho Konder.

A situação do Mercado, tradicional centro de compras da Capital, sempre esteve entre as preocupações das entidades representativas do comércio na Ilha. Em 1998, sob a presidência de Vinícius Lummertz, a ACIF, por meio de um núcleo coordenado pelo comerciante Beto Barreiros, tentou promover uma reorganização das atividades do Mercado, que já apresentava inúmeros problemas de estrutura, risco de incêndio em vista da precariedade das instalações elétricas e improvisações que cada lojista fazia por conta própria.

Divididos, os comerciantes não quiseram mudar as práticas e nem discutir a implantação de um novo mix, proposta pela ACIF e que agora, finalmente, se concretiza. O noticiário da imprensa falava das propostas do núcleo setorial do Mercado e das reuniões que envolviam diferentes órgãos nas áreas de planejamento urbano, turismo e segurança pública. Os bombeiros chegaram a sugerir a instalação de uma central de gás, porque os botijões eram individuais e poderiam, provocar – como de fato aconteceu em agosto de 2005 – uma tragédia de grandes proporções.

O Mercado nas ondas do rádio

Aos 65 anos, Manoel Timóteo, conhecido como Maneca, pertence a uma família que incluía na rotina visitas quase diárias ao Mercado Público. Nascido na rua Menino Deus próximo ao Hospital de Caridade, ele viu seus pais comprarem carne sempre nos açougues – como até hoje fazem as pessoas que não se acostumaram com os açougues dos supermercados. Seu avô paterno foi funcionário da Alfândega, e o o avô materno, que era pescador, trazia peixes de barco para o Mercado, levando de volta os mantimentos de que a família necessitava para passar a semana. “Minha mãe, filha de pescador, era respeitada pelos peixeiros, porque não podia ser enrolada facilmente por eles”, conta Maneca.

Uma das figuras que tiravam dalí a sua matéria prima era o radialista Dakir Polidoro, que no programa “A Hora do Despertador”, na Rádio Guarujá (e depois na Rádio Diário da Manhã), dava notícias sobre as novidades e fatos relacionados ao Mercado nas primeiras horas do dia. Ele criou um personagem chamado Quintanilha, que agia como se estivesse alí vendo as tainhas chegarem de baleeira ao nascer do sol. Outro homem de comunicação conhecido era Adão Miranda, do jornal “A Gazeta” que diante da falta de notícias policiais, teria matado uma galinha, espalhado o sangue na calçada e noticiado um crime que nunca aconteceu. A cidade só tinha brigas de bar, e o que se noticiava era uma ou outra apreensão de maconha”, conta Timóteo.

Linha do tempo

1950 – Época movimentada no Mercado Público ficou marcada pelas feiras de produtos coloniais. Os colonos chegavam as segundas e terças-feiras e se instalavam na pensão Kowalski, que depois abrigou o restaurante Pirão. As embarcações ficavam ancoradas nos trapiches ou afixadas com poitas ao largo da Baía Sul.

1974 – A construção do aterro da Baía Sul e da ponte Colombo Salles mudou para sempre a área onde está o Mercado. A partir dalí, tudo o que era abastecido por barcos e carroças até 1974 passou a chegar em caminhão e outros veículos de menor porte.

1980 – Houve uma redefinição de conceito de Mercado Público. Bares e outros tipos de comércio deram um tom mais cosmopolita ao Mercado, que foi inserido definitivamente no roteiro turístico da cidade.

1984 – 20 de março. O prédio é tombado como patrimônio histórico municipal.

[ Foto Bruno Ropelato/ND | Nosso Mercado| Florianópolis, Quarta-feira, 5 de agosto de 2015 | Da série Reviver do Instituto Caros Ouvintes ]

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