Mãos

Sempre juntos, mãos abanando, são vagabundos. Um dia os três mal podem se arrastar depois do futebol e da pinga. Sentam na guia, trânsito pesado à frente, um deles com mãos trêmulas acende o toco que trazia no bolso. Como irmãos baforam a dois, enquanto o que não fuma observa na outra pista a mulher tentando, com as mãos finas, ajeitar o macaco pra trocar o pneu. “Zico, vamo ajudá?”. Pressentidas à distância, as mãos deles acenam um “espere aí”. Os mal-vestidos se levantam e provocam terror. Carro aberto, tudo no chão, fuga. Deste lado um xinga, os outros só olham. Todos se sabem na contra-mão. (do livro Pensar e Sorrir a ser lançado).

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