Maurício Amorim, foi quase ao amanhecer

Vitorioso na luta contra um câncer na bexiga que o atormentou por mais de 15 anos, Maurício Amorim morreu na madrugada deste domingo vencido por uma insuficiência renal crônica contra a qual batalhou nestes últimos cinco anos.

Festeiro como sempre foi, catalizador de eventos de sucesso, colecionador de amigos, Maurício foi acompanhado por mais de uma centena de parentes, colegas e amigos. Gente entristecida, sim, porque todos o amavam, mas todos agradecidos pela oportunidade de tê-lo conhecido. Até o domingo que presenciou as cerimônias convencionais na manhã ensolarada, não se aguentou e à hora do sepultamento, desmanchou-se numa tromba d’água precedida de imensas nuvens carregadas de raios e coriscos. Parece que reverenciava o retorno à casa paterna de mais um filho laureado pela glória do amor humano. Como disse o Caco Bastos ao comentar o lançamento do livro “Não era pra contar”, de autoria do Maurício e lançado pela Editora Insular, em 2013.

“Tive o prazer de conhecer (pessoalmente) o Maurício Amorim numa tradicional “saideira ao amanhecer” no Bar das Pedras, em Itaguaçu, num dia primeiro do ano de não sei quando, após terminar o um baile de Réveillon no Clube 12 de Agosto.

Falo isso porque já o admirava, por suas iniciativas e criativas ideias na área do entretenimento (para não falar da noite), e na ocasião ele estava com seu dileto e saudoso amigo e também meu guru, Airton Oliveira, o Peteleco. (Maurício) Ativo fomentador da cultura ilhoa, versátil, como bom boêmio fundou e presidiu o Clube Social Paineiras e transformou uma desativada igreja em boate, a “Capelinha”; como amante da boa música, participou de Corais e de grupos de amigos “cantadores”; como carnavalesco, coordenou e foi jurado de diversos desfiles de escolas de samba, ajudou a fundar e/ou manter diversos blocos, tais como Amanhece Bom Jesus, LIC Gay, 12 x 12, ânsia de Vômito, do Lira TC, etc., além da fundamental colaboração com a festa do Berbigão do Boca, onde coordenava seu festival gastronômico; e, como bom “Mané”, participou da Fundação de diversas confrarias, dentre elas, a do Almoço das Estrelas, Clube do Galfo, Dinossauros…

Putz, é só uma orelha, mas falar do Maurício dava uma enciclopédia… E nem entrei no lado “sério”, o Profissional, que, por cuja competência, exerceu destacados cargos na vida pública”.

Sobre Maurício Amorim

Filho de Mário Amorim e de Maria Amorim, ilhéus do Ribeirão da Ilha e da Caieira da Barra do Sul, respectivamente, nasceu em 31 de julho de 1941 na cidade de Itaí, no Rio Grande do Sul, onde permaneceu por um dia, até sua mãe ter alta da maternidade local e retornar à moradia na terra catarinense. Mário Amorim, pai do Maurício era delegado de polícia e tinha sido transferido, por dever de ofício, de Florianópolis para Itapiranga, no Oeste Catarinense. Como na época não tinha Maternidade em Itapiranga, por ironia do destino, sua mãe tevê que cruzar a fronteira para dar à luz em terras gauchescas.

Ano seguinte, voltaram a residir na Capital catarinense. Maurício tem um irmão, Mauro Júlio Amorim e dois filhos, Matheus e Rafaella. Fez os estudos primários no Grupo Escolar Lauro Müller, secundário no Instituto Estadual de Educação e Escola Antonieta de Barros, depois passou pela Academia de Comércio até colar grau de bacharel em Direito pela UFSC. Exerceu diversas atividades profissionais, tais como cartorário e serventuário da Justiça, labutou na antiga Companhia Telefônica, Celesc, Distribuidora Catarinense de Títulos e Valores Mobiliários, Cia. Catarinense de Crédito, Financiamento e Investimento, Prefeitura Municipal de Florianópolis (onde exerceu o cargo de Secretário de Turismo), Secretaria de Segurança e Informações, Polícia Militar, ALESC e, como funcionário concursado da Procuradoria Geral de Justiça, por lá se aposentou. Ninguém na cidade conheceu mais de carnaval que o Maurício, que já o coordenou por diversas (muitas em parceria com Aldírio Simões), foi jurado, comentarista para emissoras de rádio e TV. Não é atoa que recebeu o troféu “Manezinho da Ilha” em sua primeira Edição, do saudoso Aldírio Simões em 1987.

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