Meu Caro Antunes Severo

Hoje, há um silêncio triste e reverente no dial de sua família, parentes, colegas e amigos. Sua transmissão pelos meios materiais cessaram porque você foi assumir seu lugar no broadcasting das paragens infinitas. Sua voz bonita e potente, de inflexão modelar e afirmativa, não poderá mais ser levada pelas ondas hertzianas. Suas ideias sempre criativas e inovadoras não poderão mais gerar realizações admiráveis e sempre bem sucedidas, no rádio, na publicidade e mesmo nestas infovias da Internet, às quais você se adaptou com a aplicação e o entusiasmo que geralmente só se atribuem às novas gerações.

 

Este é um momento silente de homenagens e agradecimentos da parte de todos os que o conheceram. Alguns, por toda a vida, outros por décadas e décadas; outros ainda, como eu, apenas por alguns anos. No meu caso, não tive o merecimento de conviver com você pelo tempo que gostaria nem com proximidade física que desejava, situado com estou aqui, nesta distância que separa Niterói, no Rio de Janeiro, de Florianópolis.

Para mim, foram proporcionados apenas dois encontros. O primeiro, no centro de Floripa, ocasião em que tive a honra de ser entrevistado por você. O seu cuidado de jornalista e repórter fez com que a gravação com este seu desimportante amigo ficasse registrada nos arquivos da Caros Ouvintes. O segundo, na casa de meu cunhado, Paulo Roberto, no Córrego Grande, onde, saboreando um cafezinho, pudemos prosear e admirar a simplicidade, a gentileza e um pouco da sua riqueza de contador de casos.

Ainda nesse dia, vendo umas belas flores num canto do jardim, seu afeto pela Natureza o fez pedir uma mudinha que você conseguiu multiplicar e, segundo me disse, oferecer para alguns amigos. Devem estar por aí, enfeitando o mundo.

Pois é, Antunes, você sempre foi um jardineiro, um semeador de exemplos, ideias, empreendimentos, e um professor, desses raros mestres que ensinam pelo exemplo tanto quanto pelo conteúdo ensinado.
De minha parte, jamais esquecerei sua generosidade de abrigar minhas pobres escrevinhações e narrações no Caros Ouvintes e ao lado de tão ilustres radialistas, jornalistas e comunicadores.

Mas saiba, meu caro Antunes Severo, que embora tenha voado ontem para longe, hoje o som de sua voz já ecoa nos ouvidos de todos que o admiraram e aprenderam com você. Radialista, essencialmente radialista e comunicador, você já nos manda mensagens de coragem, otimismo e fé. Oxalá saibamos escutar essas, como sempre, competentíssimas transmissões.

Suas emissões continuarão, amigo Antunes, fortes e claras, atingindo, sobretudo, o coração de seus entes queridos, abalados pela irreparável perda e imersos em grande saudade.

Para sua querida “pretinha”, sei que você continuará a mandar a mais linda mensagem de sempre: o testemunho do amor eterno.

Boa sorte, querido amigo, em seus novos empreendimentos na Rádio Celeste.

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