Meu inalcançável seguro de vida

Ele é necessário. Um dia será usado. Alguém ou algumas pessoas usufruirão. Necessidades serão atendidas. Sonhos serão realizados. Casa, carro, viagens, silicone, etc.

O único não beneficiado será aquele que por anos pagou o seguro. Mas pagou com carinho, pensando no bem estar de quem ama. Mas não usufruirá um único real daquele dinheiro. Outro dia cheguei em casa e flagrei minha família fazendo planos. Falavam em viagem, passeio, carro novo, até em conhecer a Disney. Pensei “ Que legal, um passeio, uma viagem, coisas novas”. Que nada, antes de notarem minha presença notei que falavam a respeito do seguro de vida, do meu seguro. Pior, alguém disse: “se for por acidente é quase cinco vezes mais”. Fique imaginando que morrer de doença não está valendo a pena.

Não fiquei zangado. Resolvi ajudar, dei sugestões.

Dei uma ideia para a esposa. Se um dia desses eu “dormir demorado”, “esticar as canelas”, há uma maneira boa e mais fácil de falar aos filhos. Como o sonho é conhecer a Disney, pensei no seguinte, ela chegaria e diria assim:

– Filhos, filhos. Tenho duas notícias, uma boa e outra nem tanto. A boa é que vamos conhecer a Disney.

Logicamente eles “matarão” a outra notícia, o único meio no momento de fazer essa viagem, é com o dinheiro do seguro. Se for por acidente é quase cinco vezes mais. Ah, não confundam as coisas. Sou desses que creio que nascemos para não morrer, mas já que ela ainda existe, ainda faz parte da vida, ou melhor, do fim dela, temos que nos preparar. Sem receios em falar dela.

Ah, esse meu seguro de vida. E o seu? Já que nós não vamos usufruir, que façam bom uso. Para mim ele é inalcançável.

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