Meu jogo inesquecível

No começo do ano recebi convite para escrever sobre “Meu jogo inesquecível no Estádio Aderbal Ramos da Silva” onde o Palmeiras EC mandava seus jogos e posteriormente o Blumenau EC. Meus conterrâneos até os dias de hoje não se esquecem do estádio da Alameda Duque de Caxias. Quando comecei na Rádio Nereu Ramos cheguei a escrever para o programa Panorama Esportivo que o Palmeiras havia treinado no Estádio da Avenida dos Coqueiros. É que a Alameda Duque de Caxias é conhecida até hoje pelas palmeiras imperiais que separam as duas pistas de rolamento no canteiro central. Como o Lazinho corrigia os textos (eu estava começando no rádio) não permitiu chamar a Alameda Duque de Caxias de Avenida dos Coqueiros e mudou o texto. Hoje rebuscando meus arquivos achei esse texto que conta uma passagem interessante deste que vos tecla. E com a devida permissão do mais laureado homem da imprensa e da publicidade de Santa Catarina – Antunes Severo – aqui está “Meu jogo Inesquecível”.

Transmiti muitos jogos importantes durante minha permanência na Rádio Nereu Ramos (1964-1972-1992-1994) no Estádio Dr. Aderbal Ramos da Silva. O clássico Palmeiras e Olímpico sempre marcou pela rivalidade em campo e fora dele. Jogos contra Criciúma, Figueirense, Avaí, Marcilio Dias, América, Caxias, Joinville, Comerciário, Atlético Operário, Próspera, Hercílio Luz, Ferroviário, os amistosos contra Flamengo, Vasco da Gama e outros grandes clubes brasileiros estão na retina. Mas, o meu “Jogo Inesquecível” no Aderbal Ramos da Silva foi aquele em que eu mesmo estive em campo.

É verdade. Aconteceu em 1963 quando o Palmeiras comemorava mais um aniversário. E para comemorar organizou um torneio entre as principais empresas da cidade na tarde de um determinado sábado. Eu trabalhava na Fábrica de Gaitas Alfredo Hering e por essa empresa fui disputar o torneio. Era goleiro do Guarani onde comecei a jogar futebol e cheguei como amador a jogar no time principal o qual em 1963 foi campeão da LBF.

Nesse campeonato eu jogava nos aspirantes e era o reserva imediato do time principal que tinha como goleiros Mosquito e Carlos. Na festa do Palmeiras minha atuação chamou a atenção do clube por defender vários pênaltis e por nos sagrarmos campeões.

Encerrado o jogo que nos deu o título, Altino de Souza que era o treinador do Palmeiras na época me convidou para treinar no clube. No dia 2 de Novembro (Finados) participei do treino coletivo jogando no time aspirante contra os titulares. Na época o Palmeiras tinha como goleiros Adalberto, Joel e Badê. Ao final do treino fui levado à secretaria do clube para assinar contrato. Não pude assinar; tinha só 17 anos e vínculo embora de amador junto ao Guarani. E mais; quando retornei à casa de meus pais, o seu Ricardo (meu pai) já tinha tomado conhecimento do que acontecera e foi logo dizendo: “se quer seguir jogando futebol faça-o no Guarani”.

Meu pai foi um dos fundadores do América Futebol Clube que mais tarde viria a ser o glorioso Guarani FC de Blumenau. Encerrei minha carreira com menos de 18 anos (31 de Dezembro de 1963 quando terminou meu contrato de amador com o clube). Continuei trabalhando na Fábrica de Gaitas Alfredo Hering e como repórter nas transmissões e programas esportivos da Rádio Nereu Ramos. Com a saída de Ivo Sutter (narrador titular da emissora) para o rádio do Rio de Janeiro aceitei convite de Evelásio Vieira, Lazinho e devidamente registrado em carteira troquei a Gaitas Hering pela Rádio Nereu Ramos em Junho de 1964 tornando-me seu principal narrador na época. E lá já se vão 48 anos. O tempo não para gente! É bom sempre lembrarmos que é “bom aproveitar a vida antes que ela se aproveite da gente” e que “saber viver é uma arte”. É isso aí.

Edemarannuseck.blogspot.com

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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