Miau-au!

Certa vez, um nobre deputado federal apresentou um projeto de lei que propunha o pagamento de uma taxa (mais uma…) pelos proprietários de animais de estimação.
Segundo ele, a principal justificativa era que vários milhões de reais são gastos todo o ano para alimentá-los e tratá-los, com tudo do bom e do melhor, enquanto várias crianças abandonadas minguam nas ruas, a pão e água. O montante arrecadado com essa taxa seria, então, revertido para assistir a esse contingente desvalido.

Havia certa “justiça poética” nessa propositura… Ainda mais quando constatamos que muitas pessoas dedicam mais carinho e atenção a seus animais do que aos próprios filhos. Algumas chegam trocar lambidas explícitas e apaixonadas com seus “filhinhos”, em praça pública, e partilhar a mesma merenda, boca a boca, ao mesmo tempo em que reagem enojados ao toque de uma criança de rua, que lhes pede algo para comer.

“Seja mais humano! Seja menos canino! Dê guarida pro cachorro, mas também dê pro menino!” dizia o “hit” de Eduardo Dusek, há alguns anos.

Existem, sim, sérios desvios, distorções e excentricidades em nossa sociedade. Mas o problema não é o exagero financeiro e afetivo com que alguns proprietários cuidam de seus fiéis amigos: é a infinitamente pródiga “criatividade” de nossos parlamentares em descobrir maneiras de aliviar nossos bolsos, sem nunca serem afetados.

Graças a essas “idéias brilhantes” o povo está cada vez mais “no mato, sem cachorro” ou como “gato em teto de zinco quente”. Às vezes, dá a impressão que para eles tudo se resolve com tributação, mesmo contrariando e traindo a confiança de seus eleitores.

Nesse ponto, não há dúvida: os cães são muito mais confiáveis e fiéis! Além disso, bem tratados e vacinados, eles não pegam nem transmitem hidrofobia. Já nossos políticos nos mantêm permanentemente espumando de raiva! Aliás, seguindo essa linha, o comportamento da maioria dos políticos está mais para gato que para cachorro.

Faz sentido! Afinal, dizem que os caninos apegam-se aos donos, enquanto os felinos preferem a casa. Os cães gostam de estar ao lado do dono o tempo todo, sofrem quando ele se ausenta e fazem festa espalhafatosa quando ele chega. Os gatinhos adotam um estilo mais sorrateiro: somem e só aparecem quando querem algo. Os cachorros não esquecem seus donos, em qualquer circunstância! Já os gatos…

Independentemente disso – e por melhores que fossem as intenções do deputado -, taxar e sobretaxar os proprietários de animais de estimação não vai resolver o problema das crianças carentes, nem nenhum outro problema do Brasil!
40% de carga tributária sobre o PIB já é mais do que suficiente e humanamente aceitável!

O dinheiro público é que precisa ser corretamente destinado e fiscalizado! Senão, continuará sendo desviado pelas “cachorradas” de “menores carentes” eleitos pelo voto popular.

Se os políticos quiserem, de fato, destinar mais recursos para programas sociais honestos, existem outras formas muito mais objetivas, rápidas e politicamente menos desgastantes: A redução dos cargos de vereadores já é um belo exemplo.

Se juntarmos a isso a doação “espontânea” de 50% dos salários de todos os parentes e apadrinhados de políticos que ocupam cargos por indicação; de financiamentos de campanha eleitorais; dos cortes de remuneração dos parlamentares faltosos; do dinheiro de fraudes e propinas repatriado de contas no exterior; e dos recursos gastos em convocações extraordinárias do Congresso teremos, seguramente, verba suficiente para financiar um grande e efetivo programa de reinserção social – ou, ao menos, desemperrar o que já devia estar andando…

Estas seriam medidas extremamente populares, no melhor sentido, e que deixariam totós, bichanos, crianças de rua e contribuintes igualmente felizes!

Agora, se taxar os proprietários de animais domésticos for, realmente, o método ideal para a sensibilização onerosa da sociedade quanto a problemas sociais, então, por que não aplicar a mesma fórmula aos nossos políticos, às vezes tão insensíveis, alheios e infiéis aos que os sustentam?

Será que eles – tão bem tratados e alimentados com o dinheiro do contribuinte – vão querer roer esse osso?

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