Miguel Livramento, o ‘narrador da moda’

Nasceu em Biguaçu (SC), em 8 de maio de 1942. O alfaiate que se transformou em “narrador da moda”, “Miguelito”, “o homem do sapato branco”, esses são alguns dos apelidos de Miguel Aroldo Livramento.

[Por Valci Zuculoto, Eduardo Meditsch e alunos UFSC]

Foto: Divulgação

Ou apenas Miguel Livramento, como é conhecido em todo o estado de Santa Catarina. Sua voz inconfundível, de fala rápida e típico sotaque manezinho, é tão autêntica quanto seu estilo de fazer rádio ou seu costume por sapatos brancos. Torcedor assumido do Avaí – fato que não poupa o time de suas críticas –, Livramento tem paixão tanto por seus passarinhos quanto pelo rádio. Mesmo assinando uma coluna em jornal, confessa: “não gosto de escrever, gosto mesmo de falar”. Miguel Livramento começou trabalhando como alfaiate. Com a diminuição das alfaiatarias, trabalhou como caixa no comércio.

Seu começo no rádio, em 1971, foi provocado por uma participação de ouvinte atento que corrigiu uma informação equivocada transmitida por Evaldo Bento, apresentador da emissora Anita Garibaldi, anunciando o falecimento do jogador Gama, então no Avaí. Ao ouvir a notícia errada, Livramento telefonou para a rádio, foi colocado no ar e esclareceu ao vivo: quem na verdade tinha morrido era o irmão do Gama – também jogador com passagem no futebol catarinense, mas com menos destaque. A ousadia resultou no convite para comentar uma partida entre Avaí e Internacional de Lages e, posteriormente, para ser repórter na própria rádio.

No ano seguinte, ainda como repórter, foi para a Rádio Jornal A Verdade, onde ficou até 1978. Desse tempo, Miguel Livramento leva duas grandes lembranças: as entrevistas com Garrincha – que enfrentou o Figueirense já no final de sua carreira jogando pelo Olaria – e com o rei Pelé – em um amistoso do Santos contra o Avaí, no extinto Estádio Adolfo Konder –, ambas em 1972.

Nos tempos da estação Jornal A Verdade, Miguel descobriu também o talento como apresentador. Dois programas marcaram sua carreira nessa função: “Programa Miguel Livramento” e “Zero Hora Esportiva”. O primeiro, programa de variedades e serviços no horário das 10h às 12h, é um modelo tradicional de produção que acompanhou o radialista pelas rádios em que passou durante 30 anos. O segundo – um debate esportivo à meia-noite e sem limite de tempo – foi uma inovação e contava com outros históricos do rádio de Florianópolis como Adilson Sanches, Murilo José, Newton César Viegas, Brígido Silva e Carlos Alberto Campos.

Em 1º de fevereiro de 1978 foi para a Rádio Guarujá?, onde seguiu com o “Programa Miguel Livramento” e também passou a exercer a função de narrador, ganhando o apelido “o narrador da moda”. Mas as novidades não pararam por aí. No ano seguinte, Miguel foi chamado para trabalhar como comentarista na TV Cultura de Florianópolis por Roberto Alves, seu parceiro até hoje, tanto na tevê quanto no rádio. A dupla protagonizou discussões e momentos históricos na televisão de Santa Catarina, como no debate após a final do Campeonato Catarinense de 1992 entre Avaí e Brusque, quando Livramento soltou a pérola “se isso não foi pênalti, minha avó é uma bicicleta”. Ou quando um policial militar fardado e armado invadiu os estúdios do programa Terceiro Tempo, transmitido ao vivo na TV Cultura, para reclamar dos salários atrasados.

Mesmo com experiência de 33 anos na tevê, Miguel não esconde sua preferência pelo rádio, por ser mais autêntico. E de fato nunca largou sua paixão. Após sair da Guarujá? em 1983, foi para a Rádio Diário da Manhã, atual CBN/Diário. Depois passou para a Rádio Cultura que, em 1987, fundou a Guararema, onde Miguel trabalhou com uma equipe que fez história no rádio da capital catarinense composta por Claudionir Miranda, Gastão Dubois, Paulo Brito, Hélio Costa, Polidoro Júnior e chefiada por Roberto Alves.

Em1995, quando um novo diretor assumiu a Guararema e acabou com a programação esportiva, Miguel continuou trabalhando na emissora. Mas já no ano seguinte retornou à Guarujá?, onde trabalhou até 2003. Em 2004, foi para a Rádio Bandeirantes e TV Barriga Verde, afiliada à TV Bandeirantes, onde ficou até 2006. Em agosto deste mesmo ano voltou ao Grupo RBS, na RBS TV afiliada à TV Globo.

Com 41 anos de profissão, a história de Miguel Livramento se confunde com a história do rádio de Florianópolis. Atualmente, produz para todas as mídias: escreve no jornal Hora de Santa Catarina e é comentarista dos canais RBS TV e da TVCOM. Mas é na rádio CBN/Diário onde exerce a profissão da qual tem orgulho e faz questão de ser lembrado: radialista.

Referências

http://www.carosouvintes.org.br/blog/?p=3521
http://blog.colunaextra.com.br/2006_08_01_archive.html

1 responder
  1. Sérgio Freitas Flores says:

    Trabalhei com ele, e a melhor é quando ele pega na manga da camisa e faz uma trouxinha e diz assim: fala pra esse bonequinho aqui ó, quem sabe ele acredita!!

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *