Miguel Livramento por Aldírio Simões

selo-retratos-aluz-da-pombocaO rótulo de “o narrador da moda” foi estampado pelo saudoso radialista Carlos Alberto Campos. Embora seja o rádio a maior paixão, Miguel Livramento é estrela do mais famoso programa esportivo da televisão catarinense ao lado do decano Roberto Alves, exibindo no vídeo o seu manequim tamanho P com roupas de griffe, ternos muito bem recortados, em que se destacam, preferencialmente, o azul e o branco, as cores do seu Avaí.

Miguel Livramento

Miguel Livramento

Um vaidoso comunicador, com cerca de trinta anos de praia e que respira futebol vinte e quatro horas por dia, tornou-se conhecido como comentarista polêmico, capaz de contabilizar a antipatia da torcido do seu próprio clube.

– Todo locutor esportivo tem o seu clube do coração. Tem um aí que diz ser Paula ramos para não se comprometer.

Refere-se ao companheiro Roberto Alves, igualmente avaiano de carteirinha. Livramento foi um dos primeiros a ser agraciado com o Troféu Manezinho da Ilha, sendo apontado, por unanimidade, como um autêntico Mané, embora nascido em Biguaçu. E nem poderia ser de outra forma. É daqueles que, mesmo metido dentro de uma fatiota, certamente não vai perder as características de um manezinho absolutamente genuíno, na forma de falar, de se expressar, sem deixar de ser irreverente e faroleiro. Ele é, decididamente, um sujeito que dispensou roteiros para vencer os capítulos da vida.

Este narcisista que adora o espelho e esconde a idade – “idade é coisa do passado” – faz merchandising de sua vaidade. Vai diariamente ao cabeleireiro, não dispensa o cinto e os sapatos brancos, mas confessa que não está preparado para submeter-se a uma possível plástica facial. “Eu sou bonito assim mesmo. O meu amigo Roberto Alves é que está precisando, tá ficando com umas sobrinhas no pescoço”. Amigos pessoais, dentro e fora da profissão, inclusive sócios de uma empresa de publicidade, eles são peças fundamentais da equipe esportiva da Rede Record e da Rádio Guarujá. As discussões e brigas simuladas no vídeo divertem os telespectadores, com o irrequieto Miguel respondendo as provocações do parceiro, vociferando manezisses com frases prontas: “Não confundir bife à milanesa, com bife ali na mesa”.

Ele não sabe explicar porque, mas sua grande aspiração era ser alfaiate de profissão. Chegou inclusive a aprender, diz. Talvez justifica-se aí o seu estilo almofadinha. “É por isso que eu gosto de andar todo arrumadinho”. A cidade perdeu um alfaiate, mas ganhou o “narrador da moda”, graças à A Modelar, que passou a vender ternos prontos em até vinte e quatro prestações. Sem poder competir com o comércio de roupas prontas, Miguel Livramento foi trabalhar como caixa da Eletromar, na rua João Pinto, em 1960.

– Eu já era vidrado em rádio. Então ficava na porta da loja vendo os locutores passar. Figurões como o Oscar Berendt, Eugênio Luiz do Livramento, Carlos Alberto Campos, Nazareno Coelho, Eleamar Nascimento, atuavam nas rádios Anita Garibaldo, Guarujá e Diário da Manhã, que ficavam nas proximidade. Entravam na loja para conhecer as radiolas que vendíamos. Era a forma que eu tinha de me aproximar deles.

Ficou conhecido de todos os locutores, em pouco tempo. Diariamente ficava ligado na rádio Anita, ouvindo principalmente os programas esportivos. Fanático torcedor do Flamengo, tinha o hábito de ler o Jornal dos Sports. Conhecia, então, todo noticiário do futebol brasileiro. “Um dia, o Evaldo Bento comentou na rádio sobre a morte do jogador Gama, que jogava no Metropol. Eu tinha lido no jornal que foi o irmão dele que havia falecido. Liguei para o Bento e ele me botou no ar”.

Era o empurrãozinho que faltava. Na mesma semana, Evaldo Bento foi a Lages transmitir o jogo Internacional e Avaí, levando Miguelzinho como convidado, e este acabou comentando a partida. No dia seguinte, Livramento ficou pasmo quando Brígido Silva entrou na loja para cumprimentá-lo. Em curto espaço de tempo estava no Estádio Adolfo Konder trabalhando como repórter de campo, num amistoso entre Flamengo e Avaí.

Com a venda da rádio Anita Garibaldi, o manezinho foi para a rádio Jornal A Verdade, a convite do Padre Quinto, ingressando na equipe de esportes, que ele classifica como uma das melhores de todos os tempos. Atuou ao lado de Adilson Sanches, Murilo José, Newton César Viegas, Brígido Silva, Carlos Alberto Campos. Era tudo o que ele queria.

(Colaborou Giane Severo)

[Do livro “Retratos à luz de Pomboca”, de Aldírio Simões. Florianópolis: 1997. Edição do autor]

1 responder
  1. renildo vicente says:

    gostaria de receber alguma noticia do avai do ano 1969-1970 era goleiro nessa epoca

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