Milton Wolff: lembras desta foto?

A pergunta é do corretor de seguros Milton Wolff Júnior. Milton é itajaiense e nos conhecemos em 1960 quando residi lá dirigindo a Rádio Difusora local.

Antunes (E), Humberto, Lauro e Zigelli nos estúdios da Rádio Diário da Manhã, 1956

Depois de muitos anos nos reencontramos em Florianópolis onde ele atua na condição de corretor da seguradora MAFRE. A pesar da diferença de idade, nosso relacionamento tem gratas recordações, pois ele é filho da dona Ida, então secretaria da diretoria do Banco INCO e que atendia o Silveira Júnior, jornalista e escritor que ficara responsável pela emissora de rádio após ter sido adquirida pelas famílias Bornhausen e Lins, também proprietárias do banco. Dona Ida era dessas pessoas que põem a alma no que fazem. Tornou-se amiga da minha família como era amiga da família do Silveira.

De posse da foto enviada pelo Wolff as ligações de amizade com os colegas de trabalho de Florianópolis fizeram com que eu voltasse aos anos de 1956 quando comecei minha vida profissional na Rádio Diário da Manhã, de Florianópolis. Zigelli, Humberto, Lauro e eu integrávamos as equipes de radiojornalismo e esportes da emissora, juntamente com Rozendo Lima, Ciro Nunes, Carminatti Júnior, Edgard Bonassis, Gustavo Neves Filho, Iran Nunes e Dakir Polidoro.

Inspirado pela lembrança de nosso trabalho pioneiro, saí a cata de mais informações sobre o Lauro Soncini e encontrei o comentário de Felipe Matos que transcrevo para você, leitor, com o sentimento de gratidão que tenho por ter conhecido o Lauro e dele ter recebido tantas provas de respeito e carinho.

Lauro Soncini (In Memoriam)

Lauro, o neto Juliano e um dos filhos, o médico Libório Soncini.

Lauro, o neto Juliano e um dos filhos, o médico Libório Soncini.

Nascido em Florianópolis (SC), em 01/06/1930, Lauro Soncini foi um ponta-esquerda de chute forte que desfilou pelos gramados nas décadas de 1940 e 1950 por Avaí, Figueirense, Guarani, entre outras equipes de Florianópolis, além de passagens por Grêmio (RS) e Atlético (PR).

Encerrou a carreira de atleta em 1959, quando ao término de uma partida amarrou as chuteiras e jogou-as para o amigo João Polli, que estava nas arquibancadas.

Embora de família alvinegra, Lauro tornou-se torcedor do Avaí desde que fora dispensado pelo Figueirense, em 1956.

Após pendurar as chuteiras tornou-se jornalista e radialista. Ingressou a convite de Humberto Mendonça na Rádio Diário, ao lado de Adolfo Zigelli e Antunes Severo.

Mais tarde transferiu-se para a rádio Guarujá, a convite de Aderbal Ramos da Silva. Era chamado pelo Dr. Deba de “Zé Bronquinha”, por ser polêmico e radical em suas opiniões.

Foi presidente da antiga Comissão Municipal de Esportes de Florianópolis, presidente do Clube Náutico Martinelli, da ACESC, um dos fundadores da ABRACE, diretor do Sindicato dos Jornalistas e da casa dos Jornalistas de Santa Catarina, superintendente da AGAP/SC, ator de radionovela e um dos mais populares narradores esportivos do rádio catarinense.

Da época do rádio, conta-se muitas histórias que já se tornaram folclóricas. Por exemplo, por causa de algumas palavras suas contra o Carlos Renaux, em Brusque, serraram os pés de sua cabine. Foi agredido em Lages e Blumenau.

Em Itajaí, um torcedor invadiu a cabine onde estava e, com um revólver, o ameaçou obrigando-o que falasse no microfone que Itajaí era a cidade mais linda do Estado. E Soncini prontamente abriu o microfone da rádio e falou: “Torcida catarinense, que belas praias tem Itajaí, muito mais lindas do que as de Floripa!”

Numa partida entre Figueirense e Flamengo, no Orlando Scarpelli, encarou a fúria de João Saldanha, da Rádio Globo, por Soncini ter dado a melhor cabine de transmissão a Rádio Tupi, concorrente da Globo. Acabaram grandes amigos.

Na gestão Osni Mello na FCF, a influência de Soncini cresceu. O próprio radialista gabava-se de que escalava árbitros e acertava jogos. Dizia que ajudou muito extracampo times como Metropol, Comerciário, Barroso e Olímpico.

lauro sonciniSua paixão pelo Avaí também lhe causou problemas. Conta Roberto Alves que num campeonato estadual na década de 1960 o Avaí estava em último lugar  e o Hercílio Luz pronto para chegar à final. De repente, a surpresa: Avaí 4 a 2, em Tubarão, tirando o Hercílio Luz da decisão.

Soncini, que estava narrando o jogo, não conseguiu sair do estádio após o jogo, por volta de 17h30min de um domingo.

Depois de uma engenharia que envolveu um jipe do Exército e muitos policiais, por volta de 23h00, com a torcida ainda esperando, Soncini saiu fardado, sem ser reconhecido. Na rua, vários soldados lhe deram continência, e ele, empolgado, saltou do jipe para responder. Jogaram o locutor dentro do carro, que saiu em disparada. Atrás, uma caravana de torcedores tentou alcançar o jipe.

Só desistiram na BR-101, quase em Capivari de Baixo. No primeiro restaurante encontrado aberto, em Laguna, Soncini saiu para um trago relaxante.

Além de suas atividades em rádio e jornais da capital, Soncini exerceu atividades no Departamento Estadual de Estatística e foi assessor de imprensa dos governos Henrique Córdova e Antônio Carlos Konder Reis e do então Secretário do Trabalho, Fernando Bastos (por onde anda?).

Avaiano, admirador da escola de samba Protegidos da Princesa, morador do bairro Bom Abrigo, comedor de siris, berbigões, ostras e mariscos com farinha de mandioca e aguardente, Lauro Soncini faleceu em 08/12/2008, aos 78 anos.

Ficha como Jogador:

– Bocaiúva/SC (Florianópolis)

– Paula Ramos/SC (Florianópolis)

– Colegial/SC (Florianópolis)

– Guarani/SC (Florianópolis)

– Atlético Catarinense/SC (Florianópolis)

– Grêmio/RS

– Atlético/PR

– Figueirense/SC

– 1957-1958 – Avaí

(Fontes: “Somos todos manezinhos”, de Francisco H. Amante; “Retratos à luz de pomboca”, de Aldírio Simões; Blog de Roberto Alves, ClicRBS;  DC, 19 de junho de 2011, N° 9205; DC, 23/11/2007.) Felipe Matos, 23 de junho de 2011 | site Memória Avaina.

3 respostas
  1. Milton Wolff Junior says:

    ….Bons tempos……Rádio Difusora de Itajaí – ZYK-9 !!!!

  2. ROGERIO MARIO KOERICH says:

    VOU APROVEITAR A OCASIÃO E PERGUNTAR, ONDE A GENTE CONSEGUE ALGUM LIVRO SOBRE O FUTEBOL CATARINENSE DE TODOS OS TEMPOS? ABRAÇO.

  3. Antunes Severo says:

    Caro Rogério, bom dia.

    Sei de alguns ensaios e vou conferir. Espero, em breve, ter notícias. Já localizei no nosso grupo de estudos colegas historiadores interessados no tema. Se você tiver alguma dica, por favor, informa.

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