Mimi Sodré, orgulho do Ameriquinha da Tijuca e Escotismo Brasileiro

Tributo ao chefe escoteiro Paulo Roberto Guimarães

O comando do  Quinto Distrito Naval enquanto esteve sediado em Santa Catarina trouxe para nossa terra figuras extraordinárias, desde  simples marinheiros, a oficiais e almirantes que fizeram história e que também contribuíram com estórias vindas de outras paragens. Assim foi o almirante Carneiro – o pioneiro de ações sociais  no Morro do Horácio, nas covancas do 25 e em outros sitio menores daquela região do morro do Antão, que depois se chamou Morro da Cruz e hoje é chamada de Morro da TV.

Também assim foi com o almirante Carvalhal que implantou com remanescentes civis do Estaleiro Arataca o Estaleiro Naval onde já fora a sede da Escola de Aprendizes Marinheiros e hoje é o Portal Turístico de Florianópolis. Desse Estaleiro Militar saíram embarcações projetadas e construídas em madeira e que se destinavam às pesquisas oceanográficas do Atlântico Sul atuando como navios balizadores dos canais das baías Norte e Sul.

Veio ainda o Almirante Rademaker que amava essa nossa Ilha Encantada com uma intensidade extraordinária que se traduziria na construção do Hospital Naval, inicialmente projetado para funcionar no Bairro Agronômica (ali próximo onde foi o Abrigo de Menores) e que serviria em especial para atender a população humilde do Norte da Ilha. Mas, manobras  politiqueiras e malévolas jogaram  por terra, literalmente, uma grande obra que hoje estaria aliviando a demanda de estabelecimentos desse tipo, como o que existe no Rio de Janeiro.

Mas, entre todos, a figura mais  querida e respeitada pelos Ilhéus foi, sem dúvida, a do Almirante Benjamin Sodré, por sua postura cordial, conciliadora, entusiasta e apaixonada por esportes. Foi durante sua estada na Cidade Ilha Capital – primitiva, pacifica e hospitaleira – que ele recebeu patente de Oficial General da Marinha de Guerra do Brasil.

Mesmo assim, para nós, seus amigos mais íntimos, ele continuou sendo o Mimi Sodré – craque de futebol do Ameriquinha (América Futebol Clube, orgulho dos  bairros cariocas de Vila Isabel e  da Tijuca), Escoteiro do Mar, Velejador e personagem de uma história pessoal de vida marcante: consta que nosso marinheiro-escoteiro, em plena e acalorada disputa de um clássico que decidia o ganhador do Campeonato Carioca de Futebol contra um dos grandes da primeira Divisão, ele marcou o gol que dava o título ao seu Ameriquinha. Mas, ao perceber estar em posição irregular foi ao fundo da meta adversária, apanhou a bola e humildemente a entregou ao trio de arbitragem, dizendo-se impedido de considerar como lícito aquele tento.

Como, porém, o Trio de Arbitragem já houvesse homologado  o ponto a favor do Ameriquinha, encerrou de imediato o  prélio não  aceitando a atitude do atleta-cadete e registrando advertência grave na sumula do jogo contra Mimi Sodré “que tivera a audácia de por em dúvida a capacidade técnica do trio de arbitragem, o que poderia representar perigoso precedente na imaculada história do esporte no país”…

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