MIS DO RIO REABRE COM O MELHOR DA ERA DO RÁDIO

Que tal ouvir um arranjo de Radamés Gnatalli ou Lyrio Panichali para a Rádio Nacional, tal qual eles escreveram? Ou ouvir depoimentos de Pixinguinha e as gravações caseiras de Jacob do Bandolin? Ou ainda programas radiofônicos antigos, como PRK30, Um Milhão de Melodias ou César de Alencar, ou ler seus roteiros?
Por Beatriz Coelho Silva
O Estado de S.Paulo, 12/09/2006

A partir deste mês, o Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio terá todo esse acervo à disposição do público. A sede da Lapa, um prédio de 1864, onde ficam guardados essa coleção e todo o acervo de som, foi restaurada e, após dois anos, será reaberta na segunda quinzena, para comemorar os 41 anos da instituição.
As obras e o tratamento do acervo custaram R$ 1,8 milhão, pagos pela Petrobrás sem recurso a leis de incentivo à cultura. As 20 mil partituras e os 10 mil discos de acetato herdados da Rádio Nacional foram digitalizados e podem ser consultados por computador. Das partituras, 140 foram editoradas, um processo que permite ouvir o arranjo. “Por enquanto teremos só consulta agendada porque dispomos só de seis computadores para a pesquisa”, avisa a diretora do museu, Nilcemar Nogueira, neta do compositor Cartola. Sua vice-diretora é a museóloga Lygia Santos, filha do compositor Donga, que trabalhou na fundação da instituição em 1965 e está de volta desde abril deste ano. “Lutamos para levar a imagem e o som para a rua. O povo tem que consumir o que cultiva”, completa Lygia.
O MIS guarda ainda todo o acervo de Almirante, compositor e radialista que atuou dos anos 30 aos 60; da cantora Elizeth Cardoso (inclusive seus vestidos de cena), das irmãs Linda e Dircinha Batista e do crítico de cinema Salvyano Cavalcanti, com livros, revistas, cartazes e catálogos nacionais e estrangeiros. Mas estes ainda requerem tratamento como a coleção da Rádio Nacional. “Já retomamos os depoimentos de artistas como Monarco, Léo Gandelman, Carmem Verônica e Berta Rosanova”, diz Nilcemar. O acervo de imagem do museu fica na sede da Praça 15.
Nos planos de recuperação do museu está ainda a campanha Abrace o MIS. “Terá logotipo de Ziraldo, para chamar atenção para o museu”, promete a diretora, que vive às voltas com falta de funcionários e de recursos. As comemorações de aniversário serão encerradas em outubro com show de música popular brasileira.

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