Modelo bandido

“Quem você vai ser quando crescer?” – Eu vou ser Pelé. A maioria dos meninos que praticavam futebol em escolas, estádios ou terrenos baldios sonhava em ser Pelé.

O mesmo ocorria com aqueles mais chegados na velocidade dos carros. “Eu quero ser Aírton Senna,” diziam os meninos com olhos muito vivos e cheios de orgulho. Pelé e Aírton Senna, foram ao lado de muitos outros ídolos dos esportes, modelos a serem copiados pelos jovens de sua época. Bons esportistas , com ficha limpa e sempre preocupados e servir de bom exemplo para a juventude , esses esportistas prestaram grande serviço ao país, não só nas conquistas esportivas, mas, sobretudo dando belos exemplos de pessoas bem centradas e comprometidas com a ética e a honestidade. Depois deles vierem outros nomes importantes, e do mesmo padrão que  deixaram suas marcas na historia como bons profissionais e grandes brasileiros. O saudosista diria: “bons tempos aqueles”, como se isso tivesse ocorrido no tempo do Brasil colônia.

Faz pouco tempo que o Brasil passou a viver sem ídolos do porte de Pelé, Senna, Zico, e tantos outros modelos de esportista e pessoas de bons princípios. Exemplos que ficaram na lembrança de quem teve oportunidade de viver esse tempo. Isso não quer dizer que nos dias atuais não tenhamos esportistas, artistas e outros profissionais que podem ser tomados como modelo de bom comportamento para influenciar os mais jovens.

Eles existem, sim, mas tem menos espaço na vitrine televisiva que os bandidos. Não passa uma semana que não esteja na telinha um bandido que praticou algum ato bárbaro neste país. A televisão serve de vitrine para bandidos que imitam os modelos exibidos nos programas de notícias onde o crime é o destaque.

Um bandido queimou uma dentista em São Paulo, a televisão se ocupou do assunto exaustivamente mostrando um novo modelo de crime. Dias depois ato semelhante foi praticado por outro criminoso no interior de São Paulo e dias após na capital paulista um  cidadão foi assaltado e queimado quando abastecia seu carro.

Esse tipo de modelo deveria ser banido da programação televisiva. A insistência em noticiar com detalhes esses crimes, serve apenas para transformar bandidos em celebridades e colocar na mídia modelos que não servem de exemplo para ninguém. A Televisão tem o dever de transmitir mais que distração e informação nos seus telejornais. Precisa acrescentar uma dose generosa de bons exemplos, destacando modelos de pessoas que, a exemplo de Pelé e Aírton Senna, sejam motivo de orgulho para os mais jovens.

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Por Jamur Júnior

Radialista e jornalista e foi apresentador noticiarista de rádio e televisão em emissoras de Curitiba e Florianópolis. É autor dos livros Pequena História de Grandes Talentos contando os primeiros passos da TV no Paraná e Sintonia Fina – histórias do Rádio. Jamur foi um dos precursores do telejornalismo em Curitiba.
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