Morre em Florianópolis o jornalista e escritor Celso Martins

Morreu na madrugada desta quinta-feira (11/10), em Florianópolis, vítima de infarto, aos 62 anos, o jornalista e historiador Celso Martins da Silveira Júnior, conhecido profissionalmente como Celso Martins.

O intelectual, em imagem de seu perfil na rede social Facebook – Facebook

Atuante na imprensa catarinense desde a década de 1970, Celso trabalhou nos jornais A Gazeta, O Estado, Jornal de Santa Catarina e A Notícia, além da rádio Guarujá e TV Barriga Verde. Colaborou com os mais importantes veículos de resistência contra a ditadura civil-militar durante a década de 1970, como os jornais Movimento, Voz da Unidade e Hora do Povo.

No início dos anos 2000 fundou e dirigiu o jornal Daqui na Rede, de jornalismo hiperlocal, dedicado às comunidades de Sambaqui e Santo Antônio de Lisboa. Seu corpo será velado a partir do meio-dia desta quinta-feira, na Capela Mortuária da Igreja de Nossa Senhora das Necessidades, em Santo Antônio de Lisboa. Será sepultado no cemitério local às 17h.

O Instituto Caros Ouvintes tem em seu acervo matérias com Celso Martins. Clique nos links abaixo para conferir:

Caros Ouvintes apresenta a série “Pioneiros do Fotojornalismo”

O Estado: o livro e o depoimento de Marcelo Fernandes

Clique aqui e confira outras matérias

Muito antes de se formar em História pela Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) já se destacava como um notável pesquisador e autor de obras de referência sobre o Estado. Publicou, entre outros, os livros “Vida dura” (poemas), “Anita Garibaldi – Heroína da liberdade” (em parceria com Dagoberto Martins), “Os Comunas – Álvaro Ventura e o PCB catarinense”, “Farol de Santa Marta – A esquina do Atlântico”, “Tabuleiro das águas – Resgate histórico e cultural de Santo Amaro da Imperatriz”, “Os quatro cantos do sol – Operação Barriga Verde” e “O mato do tigre e o campo do gato  – José Fabrício e o combate do Irani”. E continua trabalhando sobre temas ligados à história de Santa Catarina. “Sou um repórter por vocação e faço dos jornais antigos e atuais a matéria-prima para minhas pesquisas”, contou para a Agecom/UFSC, em 2010. Ele foi militante do PCB (Partido Comunista Brasileiro) nas décadas de 1970 e 1980, companheiro do falecido reitor da UFSC Luiz Cancellier, um de seus amigos mais leais e frequentes.

Como tantos, Celso ficou desolado com a morte do reitor em 2/10/17. Colaborou com o ND à época, cedendo fotos do jovem Cao Cancellier, quando este era dirigente estudantil na UFSC. Em encontro recente, na Rua Victor Meirelles, conversamos durante mais de uma hora sobre os rumos do Brasil, sobre a escalada do fascismo no país e a falta de perspectivas para a juventude. Comentamos sobre nossas lutas, nossa militância incansável contra a ditadura civil-militar, de como tudo tinha valido a pena e de como precisávamos, no presente, reorganizar a resistência progressista.

Da Coluna de Carlos Damião (ND, 11/10/2018)

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *