Morrendo de medo

Memória | Capítulo 19
O Júlio Mazepa, experiente vendedor que dedicou sua competência ao departamento comercial de várias emissoras de Rádio e TV, foi quem me contou este causo.
Curitiba. Meado dos anos 90.
Numa fria manhã de inverno, antes das sete horas da manhã, a cidade ainda estava às escuras.
Vera Lúcia Molin, então recepcionista da Rádio Clube Paranaense, foi a primeira a chegar ao setor comercial da emissora.
Sábado de pouco movimento, ela sentou à mesa, ficando de frente para a porta de entrada. Estava distraída quando a porta se abriu e ela viu num susto aquele homem todo de branco, as vestes cheias de manchas de sangue, com uma grande faca na mão. O homem mal falou “Você…” e ela interrompeu-o aos gritos dizendo:
– Vá embora! Me deixe em paz! Saia daqui!
Mas foi ela quem saiu, e saiu correndo, apavorada, indo se trancar na sala do Departamento Comercial. O homem, lá fora, gritava:
– Moça! Moça!
E a Vera Lúcia morrendo de medo lá dentro. Só com a providencial chegada de outro funcionário da Rádio, logo após, é que a situação ficou esclarecida. O homem ensanguentado era um entregador de carne que estava com seu caminhão parado na Rua Dr. Murici, nos fundos do Mercadorama da Praça Tiradentes, bem perto da Rádio Clube. Ele só queria permissão para usar o telefone a fim de pedir aos funcionários do supermercado que abrissem a porta de serviço para ele fazer a entrega da mercadoria. A faca de cortar carne era a sua arma de proteção na rua escura. Para azar da recepcionista a Bedois era a única empresa nas imediações que já estava com as luzes acesas naquele horário. E nessa, até o entregador de carne acabou levando um susto danado.

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