Morreu um ícone do rádio paranaense


Um das figuras mais importantes da história do rádio do Paraná faleceu no último dia 20. Falo de Euclydes Cardoso de Almeida, o Kid para os amigos que foi o responsável pela minha ida para a Rádio Clube Paranaense em 1994. Euclydes Cardoso de Almeida na função de Superintendente da B-2 colocou a emissora num patamar de competitividade com as grandes emissoras do país. O esporte era líder absoluto de audiência e seguiu após a morte de Lombardi Junior. Esteve presente em 1995 sob sua direção em todos os jogos da Seleção Brasileira e transmitiu ao vivo as partidas (todas) do Atlético, Coritiba e Paraná.

Tinha visão

Euclydes Cardoso de Almeida era um homem de visão muito além da maioria que dirigia as emissoras curitibanas. Um dia me chamou a sua sala para que falasse por telefone com a direção da Deutsche Welle (A Voz da Alemanha) quando ficou autorizada a recepção por satélite da programação da emissora estatal da Alemanha. Alicerçado em ideias de rádio grande com jornalismo e esporte em primeiro plano, depois da minha contratação acabou trazendo o consagrado Ney Costa que fazia primeiro lugar no IBOPE com “Os Repórteres”. Euclydes buscava a cada instante dar qualidade e mais qualidade à programação da Rádio Clube Paranaense até que os “gênios” da Fundação Nossa Senhora do Rocio resolveram tirá-lo do caminho até que se demitisse. E o que aconteceu com a Rádio Clube Paranaense após a gestão de Euclydes Cardoso de Almeida o mundo conhece e muito bem.

Triste

Euclydes Cardoso de Almeida tinha trânsito livre em todas as áreas da sociedade e após a decepção que lhe fora proporcionada, juntamente com Jair Brito (falecido em 26 de Maio deste ano) foi convidado em 2001 a recolocar a Rádio Independência como rádio de marca no Paraná. Ficou semanas e semanas ao lado de Jair Brito tentando organizar a emissora e coloca-la novamente na linha de frente do rádio paranaense. Não obtiveram êxito, pois os proprietários fazendo um levantamento dos custos preferiram vende-la para uma igreja.

Menos um

Já dizia meu saudoso amigo Randal Juliano quando aterrissávamos em Congonhas de retorno de mais uma transmissão feita pela Jovem Pan pelo Brasil afora: “menos uma”, corrigindo-me quando eu falava em mais uma viagem concluída. Ele explicava: “agora temos uma viagem a menos por realizar”. O “menos um” é para dizer que Euclydes Cardoso de Almeida deixa mais uma lacuna enorme no rádio do Paraná. Com a devida autorização do grande Jota Agostinho (Os outros comentam, ele analisa), transcrevo o artigo publicado em seu site no dia 21 de Julho.

ADEUS, MEU GRANDE AMIGO KID

Reconhecido como um dos mais importantes nomes do rádio paranaense, Euclydes Cardoso de Almeida, o Kid, morreu aos 77 anos, na última sexta-feira (20/07), e foi sepultado no início da tarde de sábado (21), no Cemitério Água Verde, em Curitiba. Mesmo lutando contra as complicações da diabete, Euclydes trabalhava para realizar seu grande sonho: viabilizar um museu do rádio. Segundo o amigo e radialista Wasyl Stuparyk, que mantém o site O Rádio do Paraná, Kid estava próximo de realizá-lo. Ambos estavam conversando sobre como disponibilizar na internet o grande acervo que Euclydes tinha sobre décadas do rádio.

Nascido na capital São Paulo, em 1935, o radialista se mudou para o Paraná em 1939, morando em Londrina e, depois, em Curitiba, em 1953. Na capital paranaense, passou de porteiro de rádio a diretor, trabalhando nas rádios Cruzeiro do Sul, Cidade, Independência, Iguaçu, FM 104 e Clube Paranaense, além de ser colaborador da Paraná Educativa, E-Paraná. Segundo o amigo Luiz Carlos Chacon, Euclydes colocava todas as rádios em que trabalhava em primeiro lugar em audiência.

Mesmo tendo trabalhado em emissora concorrente, o radialista Ubiratan Lustosa também destaca o trabalho de Kid. “Ele era um profissional muito sério, um radialista de valor que honrou a nossa produção. Apesar de trabalharmos em emissoras rivais, sempre nos demos bem, havia muito respeito.” Quem trabalhou diretamente com Euclydes se lembra de como ele agia de forma atenciosa. Wasyl Stuparyk diz que o amigo foi uma inspiração para uma geração inteira de radialistas, pela competência e qualidade do trabalho. “Um exemplo é o ocorrido em 1964, quando fizemos a primeira e única greve de radialistas. A greve começava no dia seguinte e a programação da rádio Cruzeiro do Sul seguia até uma [hora] da madrugada. Euclydes dispensou os funcionários depois da meia-noite, para que participassem da greve e, mesmo sendo o diretor, assumiu a mesa de som e fez a programação até de madrugada”, conta.

O publicitário e radialista Renato Mazânek diz que Kid foi a pessoa do rádio mais correta que conheceu, que o colega era muito dedicado ao trabalho e que ajudou a formar muita gente.

Como ex-funcionário de Kid, o jornalista e radialista Carlos Alberto Pena, conta que foi um privilégio ter trabalhado com Euclydes, que “escrevia textos fantásticos e era um diretor sem igual”.

“Foi uma perda irreparável, de um diretor que acreditava nas pessoas e era muito humano”, diz Pena.

Confira mais informações e um áudio com entrevista de Euclydes Cardoso em www.oradiodoparana.com.br

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