Mostra de filmes homenageia Darci Costa, fundador de cinema de rua em Florianópolis

Em março de 1986 o Cine ART 7 abria suas portas na rua Almirante Alvin, no número 491, no Centro da Capital.

Darci-Costa

Foi naquele espaço para 190 lugares, com cadeiras simples de madeira, que os adeptos do cinema de arte da cidade apreciariam os filmes fora do circuito comercial nos próximos 11 anos. Esse cinema de rua, que marcou a história e memória cultural do município, foi fundado pelo florianopolitano Darci Costa, 90, que é homenageado em mostra de filmes na Fundação Cultural Badesc neste mês. Na próxima segunda-feira (19) é exibido o documentário “Cine ART 7 – Os Descaminhos da Memória” e três curtas sobre o cinema daquela época, e Darci vai estar presente junto de colegas cinéfilos para conversar com o público.

“Eu me apaixonei pelo cinema já na maturidade, naquela época o cinema exercia um fascínio nas pessoas. Montar um cinema não foi fácil, porque havia um monopólio de exibição de filmes na cidade. Eu mesmo escolhia o que seria exibido, grande parte musical e western. E havia freqüência, com o tempo, conquistamos público, ainda que seleto”, lembra Darci Costa.

Formado em direito, jornalista e radialista autodidata, crítico de cinema do extinto jornal O Estado e bancário por profissão, Darci dedicou grande parte de sua vida à sua paixão pela sétima arte. No início da década de 60, fundou um projeto semelhante ao ART 7: o Cine Central, que teve dois anos de duração e funcionava na rua Felipe Schmidt, também no Centro da Capital. Entre as recordações dos cinemas que administrou, o produtor guarda até hoje em sua casa o maquinário de projeção, alguns rolos de celulóides de filmes, além de pôsteres e um vasto acervo de mais de três mil filmes clássicos que adornam as prateleiras de sua sala.

Durante mais de uma década de funcionamento, o ART 7 era opção para aqueles que buscavam assistir aos clássicos. Em algumas sessões, o filme era exibido para apenas cinco espectadores, o que forçava Darci a pagar do próprio bolso o aluguel da fita. Neste mesmo período, outro endereço dos cinéfilos era o Cinema do CIC (Centro Integrado de Cultura), comandado por Gilberto Gerlach. “Ninguém estabelecia concorrência com o CIC por que eles trabalhavam com proposta semelhante. Sem querer, acabávamos concorrendo com os cinemas da praça o Ritz e o São José, que exibiam mais filmes comerciais. O cinema de arte aparecia lá por acidente”, brinca Darci.

Arte em família

As netas de Darci são as cantoras do duo Sweet Dreamers, May e Lou Ferry, que participam do reality show televisivo musical The X Factor Brasil. As irmãs Mayara Ferrari, 19, e Louisie Ferrari, 23, contam que a influência do avô foi fundamental para seguirem a carreira artística. “Na sala da nossa casa, nas confraternizações de família, os filmes clássicos eram sempre exibidos. Estamos ligados de forma intensa. Nossa mãe também foi cantora, então é um mesmo caminho. Se não fosse por ele, não conheceríamos varias músicas antigas, aprendemos muito”, conta May Ferry, que diferente da irmã, passou para seletiva e continua na competição do X Factor.

O duo Sweet Dreamers também se apresenta na próxima segunda-feira após a exibição dos filmes que homenageiam o avô. Além dos documentários, a programação da mostra de filmes que segue durante setembro também traz filmes com Rita Hayworth, atriz musa da era do cinema de ouro que também é grande paixão de Darci Costa.

Confira programação da mostra de filmes que homenageia Darci Costa aqui.

(Por ND, 14/09/2016)

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