Mozarela ou calabresa

Existem “trocentos” tipos de pizza, com os mais inusitados nomes e coberturas possíveis. É pizza para todos os gostos, até os mais exóticos! A única coisa que parece não mudar é a base, normalmente circular. É sobre ela que os “pizzaiolos” exercitam sua criatividade e maestria! Massa grossa ou massa fina, com borda recheada ou não, ela foi transformada numa folha de papel, que aceita qualquer coisa. Virou sinônimo de alegria e confraternização: consubstanciação do espírito napolitano, ícone do “fat food” (“fat” mesmo!), pois ninguém consegue comer um único pedaço.
 
Há os que resistem, sim! Mas, correm o risco de desenvolver neuroses com a “síndrome de abstenção”. Para tentar consolá-los, inventaram as pizzas “naturais”, com coberturas “light” ou “diet”, massa integral…
Mas, pizza é pizza!

Seu único aspecto negativo, afora o risco de aquisição de alguns “quilinhos” a mais, é a expressão: “Tudo acabou em pizza!”, que virou símbolo da impunidade na política nacional.

Pizza: Comida rápida e simples que consegue ser um objeto de desejo gastronômico em todas as classes socais, que a pedem nos restaurantes, pelo telefone, pela Internet ou fazem em casa.

E pensar que, antes da variedade de hoje em dia, houve um tempo em que não havia mais do que dez tipos na “praça”… Ainda assim, a preferência nacional recaía “de boca” sobre dois, em especial: mozarela e calabresa (esta com muiiiiiiita cebola, para desespero das namoradas), seguidos de perto pela “portuguesa”, a de “aliche” e a de atum.

Minha mãe cozinhava muito bem e era raro comermos em restaurantes (um “luxo”, naqueles tempos de vacas magras); mas, foi meu pai quem fez a primeira pizza em casa, com massa (farinha de trigo, leite, óleo, fermento, uma pitada de sal e um “tiquinho” de açúcar) e tudo o mais. Logo, viramos literalmente “pizzaiolos” amadores: no fazer e no amar!

No entanto, em minha “abalizada” opinião de comedor inveterado de pizzas, confesso que nada substitui essa iguaria feita no forno à lenha. Tanto que as pizzas mais deliciosas que eu já devorei foram feitas assim; principalmente, aquelas que tinham dia e hora certos para serem saboreadas: o dia era o de pagamento do cinema onde meu pai era projecionista, no período noturno e fins de semana; e a hora era por volta de meia-noite.

Ele recebia, normalmente, no dia 10 e, ato contínuo, ia comprar duas pizzas: uma de mozarela e outra de calabresa. Quando abria a porta de casa o aroma se espalhava por todos os cômodos e despertava qualquer um do sono mais profundo. A mesa era preparada rapidamente, com a velocidade do desejo!

Elas eram deliciosas! Mas, tão bom quanto saboreá-las nessa ceia era aquela conversa fora de hora, que ia até um pouco mais tarde e fazia o sono ficar mais gostoso (apesar do “peso” no estômago). Aquelas noites acabavam em pizza, mas a alegria era pura e não fazia mal a ninguém. Todos dormiam com a consciência tranquila!

Nunca mais comi pizzas tão gostosas! Mas, com todas as opções e requintes de agora, qual seria a diferença entre aquelas e as atuais? Serão as coberturas, que antes eram de queijo e lingüiça, e hoje são de: colesterol, radicais livres, gorduras, conservantes, transgênicos…? Será que, antes, a gente comia com prazer e hoje come com culpa?

Talvez, nada tenha mudado, no fim das contas! A não ser dois certos ingredientes, que a gente tende a esquecer, com o tempo: dar valor às coisas simples e preservar a pureza da infância!

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