Mulher do lar e do rádio

Parceria. Nivalda Jacques trabalhou com o marido Antunes Severo nos anos dourados do radioteatro

Paulo Clóvis Schmitz

Foto Marco Santiago/ND | Reprodução

O astro é o marido, Antunes Severo, homem de rádio e publicidade que já tem até livro escrito sobre a carreira, mas Nivalda Jacques reúne tantas ou mais histórias para contar sobre os tempos em que o radioteatro era a coqueluche da audiência em Florianópolis.

Ela abandonou o trabalho alguns anos depois de casada para cuidar dos filhos, mas ainda se lembra da curiosidade dos colegas que a cercavam para saber da sinopse e das falas futuras de cada personagem. Datilógrafa da Rádio Diário da Manhã (atual CBN Diário), Nivalda era a primeira saber o que ocorreria no próximo capítulo. Como nas telenovelas de hoje, havia quem não contivesse a ansiedade…

Antes desse período, no entanto, Nivalda atuara n Serviço de Expansão do Trigo, órgão do governo federal, e na Rádio Guarujá, onde fez a Hora Literária, programa semanal de poesia, ao lado do radialista Lourival de Almeida.

Também passou pelo Clube Barriga-Verde, na Avenida Hercílio Luz, onde participou de saraus com declamações, cantos e danças.

Antunes chegou à cidade em 1956 e a dupla trabalhou junto no “Encontro das 5”,  uma espécie de talk-show no qual os ouvintes mandavam cartas e pediam músicas para os apresentadores.

Outra atração dos anos 1960 foi o programa “As Crianças se Divertem”, no qual Nivalda aproveitava a rotina de mãe e dona de casa para transmitir mensagens educativas. Durante dois anos e meio ela deu vida a personagens como Tio Bona (interpretado pelo radialista Edgard Bonassis) e o garoto Zezinho (feito pela cantora e radioatriz Neide Mariarrosa). “Dávamos dicas sobre cuidados para evitar queimaduras e informações de interesse das famílias”, conta. Depois, com o apoio d Secretaria Estadual de Educação e do Laboratório Catarinense, o programa passou a ser retransmitido por outras 13 emissoras catarinenses.

Os filhos, a oficina perfeita

O material para o programa era escrito em casa, numa época em que Nivalda Jacques já cuidava de três filhos e dava conta de todas as atividades domésticas, porque não tinha empregada. “Havia fraldas pelo apartamento inteiro”, diz ela. As crianças eram sua matéria prima, e ela fez dessa imersão na arte de criar filhos uma verdadeira oficina para o programa de rádio.

A intenção de Antunes Severo é disponibilizar em breve esse conteúdo em áudio (as fitas foram preservadas) no site Caros Ouvintes, do qual é um dos coordenadores.

Depois de passar pela A.S. Propague, agência criada por Severo e que completou 50 anos em fevereiro, ela passou a se dedicar exclusivamente à família. Ambos filhos únicos, Nivalda e Severo foram autodidatas na arte de desenvolver a prole, agora composta por cinco crianças. Quebraram tabus, deixaram aos filhos a opção por esta ou aquela religião e também aceitaram a escolha da maioria deles de abandonar os estudos para entrar mais cedo no mercado de trabalho.

Por mais qualidade de vida

Os anos 1950 e 1960 mesclavam muito bem as radionovelas com os programas de auditório, os noticiários, os humorísticos e os que faziam as músicas regionais, de raiz caipira.

Nesse período o casal fez muitos amigos, como Cláudio Alvim Barbosa, o Zininho, autor do Rancho de Amor à Ilha, o hino de Florianópolis, que chegou a participar da fundação da Propague. Mas na lembrança estão também o jornalista Adolfo Zigelli, Humberto Mendonça, grande narrador esportivo, e gente que se mantém próximos a exemplo de Mauro Amorim, José Valério Medeiros e Carminatti Júnior.

Hoje, embora continue ouvindo rádio, o que Nivalda curte mesmo são os livros: é fã de Huberto Rhoden e está lendo a “Divina Pastora” de José Antonio do Vale Caldre e Fião. Também lê Marcel Granet, alguma coisa de Paulo Coelho, e obras sobre filosofia, religião, homeopatia e alimentação natural. Das 7h às 8h senta ao lado do marido, que a chama carinhosamente de Preta, na sacada do prédio onde mora, no Estreito, para ler e trocar impressões sobre as leituras.

Do que sente falta na cidade? “De sair de casa a qualquer hora, sem precisar da companhia de alguém para dar segurança”, diz.

[email protected] | @pc_ND | Plural | Notícias do Dia | 04/03/2013

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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