Na Cadeira do Barbeiro – Por quê?

Preciso, por respeito aos meus caros e preciosos leitores, dizer antes de mais nada, que a coluna dessa semana é uma reflexão dos últimos 10 anos.

Mas isso não tem haver somente comigo, seria presunção usar meus espaços nos meios aos quais escrevo para falar a – meu respeito. Vai além de ser modesto; esses espaços como de qualquer colega colunista devem se prestar ao um – bem comum. Aí entra o assunto dessa semana – O por que do tema oficial das colunas – Na cadeira do barbeiro? É que temos algo em comum.

Em 2008, por motivos que não sei explicar, sentia angústia; algo “travado” no peito. Percebi com o tempo que precisava iniciar o que por anos pensava fazer; escrever. Mas o quê? Sobre o quê? Sobre quem?

Lembrei do filme: Cavalgada das Paixões – a história cheia de emoções de um barbeiro no início do século XX. Mas extrai algo especial dos muitos pontos altos do lindo filme.

O barbeiro havia recebido o título pela opinião comum de – toque de veludo. Era um exímio barbeiro; daí, desse domínio das ferramentas, em especial da navalha, por sua incrível perícia, o “apelido”, toque de veludo. Pessoas vinham de longe para serem barbeadas por ele. Mas havia algo ainda mais especial entre tantas coisas.

O Nome de Cada Cliente

O barbeiro tinha um caneco onde preparava a espuma para barbear cada cliente. Havia muitos canecos em sua estante; detalhe – com os nomes da cada cliente.

A Luz

Claro, ele não tinha apenas uma freguesia ou clientela; ele tinha clientes; seres humanos individuais, cada qual com sua história. Daí a minha ideia anos depois de ter visto o filme.

Na Cadeira do Barbeiro

Quando percebi que cada pessoa que sentava em minha cadeira tinha sua identidade, sua vida ímpar, sua história, “caiu a ficha” e tudo começou. Ainda em 2008 troquei ideias com a escritora e especialista em segurança no trânsito, Irene Rios e o jornalista, Luiz Carlos Prates; foi o chamado “‘ponta pé inicial”.

No dia 20 de abril de 2009, lancei meu primeiro livro – Crônicas Na Cadeira do Barbeiro. E tive a maravilhosa e assustadora surpresa; eu “não sabia escrever”. Falar é uma coisa, escrever é diferente. Mas foi bom ter começado. Vieram muitos bons momentos.

Falar e escrever são coisas essenciais à comunicação, mas diferentes linguagens; daí o meu engano, falava muito e escrevia pouco. Quando já estava escrevendo o segundo livro um amigo perguntou se é difícil escrever.

Entendi e respondi: Difícil é não escrever, não anotar; difícil é não relembrar; bom é poder compartilhar boas coisas.

Tanto homens quanto mulheres frequentam salões de beleza, muito embora o tema – Na cadeira do barbeiro faz alusão às conversas, os bate papos, os desabafos; histórias ora cômicas ora trágicas; que ocorrem em salões masculinos, femininos ou quando unidos.

O desafio

Não escrever um livro de piadas e nem de fofocas. E mesmo quando fosse reproduzir na escrita algum acontecimento interessante transformá-los em – crônicas ou contos.

A frase de Aristóteles:

“Na arte não se precisa contar exatamente o que aconteceu, mas o que poderia ter acontecido”.

Que frase libertadora. Só então percebi que poderia criar histórias a partir de outras histórias, dar mais “asas à imaginação”. E aí houve evolução; “bater as asas” para além da barbearia. Afinal de contas, nesses anos escrevendo pelo menos um texto por semana passei a escrever sobre relações entre pais e filhos; marido e mulher; amizades; trabalho; aventuras; tragédias; fatos cômicos; temas de ordem social como transtornos mentais, suicídio, maus tratos a animais, pedofilia e muito mais.

Recebi meu registro de jornalista em 2013 e vi nele a responsabilidade de usar da melhor forma possível meus espaços. Até hoje há pessoas que pensam que escrevo piadas ou só histórias de clientes; mas a verdade é que ousei ir além.

Houve momentos especiais de reconhecimento. Recebi em 2012 junto a outros 20 escritores e artistas plásticos o troféu – Osvaldo Deschamps de Literatura e Arte.

Presente: Certa noite recebi um telefonema de um sargento da polícia militar e no dia seguinte a visita de dois policiais. O sargento disse que havia ligado por ordem do comandante da PM de Santa Catarina; por um texto que escrevi e segundo eles foi relevante em manter um importante projeto da polícia – PROERD. Empresários que iriam retirar o apoio financeiro do projeto leram a coluna e decidiram manter sua importante contribuição. O sargento pediu autorização para publicar minha coluna no site oficial da PM de SC, e mais tarde naquele ano fui convidado para dizer algumas coisas sobre esse projeto na formatura das crianças e do belo trabalho realizado pelos policiais.

Cartas de leitores com elogios (poderiam ser críticas), sobre delicados temas como: pedofilia e aborto.

O convite do meu querido e saudoso amigo, Antunes Severo para fazer parte da especial equipe dos cronistas do – Portal Instituto Caros Ouvintes Para Pesquisa e Estudo de Mídia, em maio de 2013.

Enfim, em meu blog, nos Jornais Em Foco, do amigo jornalista, Ozias Alves Junior e Caros Ouvintes onde mantenho minhas colunas semanais, só tenho a agradecer.

Nesse meio tempo veio o programa de rádio – Na cadeira do barbeiro, com entrevistas, entre elas a participação de mais de 40 comunicadores de Santa Catarina.

Hoje, com 3 livros publicados, 2 de crônicas e o romance – Um Sonho de Menino, continuo na barbearia, escrevendo as colunas, fazendo faculdade de Letras Língua Portuguesa; assim mantenho minha trajetória na comunicação; sem deixar de lado a família e o lado espiritual.

Nos links abaixo podem ser encontradas muitas colunas na forma de crônicas e contos, além de muitas entrevistas.

Deixe seu comentário, seja crítica ou elogio. Nossa liberdade de comunicação e de expressão infelizmente ainda não é plena. O sistema como um todo não torna isso possível, mas ainda há meios de comunicação que ousam publicar a verdade. É nesses que gosto de escrever. Então, sinta-se a vontade para se manifestar.

E o que temos em comum afinal de contas? Somos humanos carregados de emoções, desejos, sonhos, frustrações, ansiedades. Há os que conseguem expor e muitos outros não. Ou expomos o que sentimos no “peito”; deve ser verdade e ter emoção ou somente aquilo que parece “leve” a quem irá ler.

Cada um de nós tem sim muitas histórias; que se colocadas no papel ou no computador daria um livro cheio de graça, com bons e maus momentos.

Temos em comum de que nossas vidas são um livro sendo escrito a cada momento, a cada dia, a cada decisão; a cada sim e a cada não; quanto a ser publicado dependerá do que entendemos sobre a palavra, “publicar”.

Em minhas colunas a cada semana há publicações que têm haver com nossas vidas direta ou indiretamente. Temas que por vezes deixamos para discutir só aqui, nesse espaço denominado – Na Cadeira do Barbeiro – Porque nossas histórias passam por aqui!

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