Namoro em São Miguel

Quem os visse, naquela noite, na praia de São Miguel, certamente pensaria tratar-se dos casais mais apaixonados do mundo. Dedos entrelaçados, trocando beijinhos e risos animadores – que prometiam uma grande noitada – lá se iam, na frente,   o Gastão e sua amada.  O casal que vinha mais atrás era composto pelo Boris – um baixinho totalmente irreverente – e uma menina que tinha, com muito boa vontade, 1,53m de altura e pesava, seguramente, 110 quilos. De qualquer lado que se olhasse para ela, a visão era, praticamente, a mesma. Isso tinha lhe rendido o apelido de Liquinho. Mas, para o Boris, não era problema. Era um homem livre de qualquer preconceito, sempre em companhia de um charuto que, se posto na vertical, poderia ser comparado a uma bengala. Também ele demonstrava uma paixão ardente. A lua cheia completava o encantador cenário. E a romântica caminhada continuou até surgir um pequeno curso d’água – daqueles vindos do morro e que acabam na praia. A educação insistia na necessidade de não permitir que a companheira molhasse os pezinhos. Acometido de um violento ataque de cavalheirismo, o Gastão abraçou sua amada pela cintura e transpôs aquele pequeno obstáculo. Atrás,  a “Liquinho” olhou para o Boris com cara de “eu também quero”. Ele não era homem de fugir de qualquer parada, por mais pesada que pudesse ser. E, tinha mais: o Gastão não era melhor que ele. Foi até uma mureta, deixou o charuto e voltou decidido a atender a amada. Abaixou-se ao lado dela,  até conseguir abraçá-la (se é que isso era possível) na altura da bunda. Concentrou-se mais que um levantador de peso e deu a arrancada. É verdade que ela até saiu um pouco do chão. Mas, em seguida, notou que  estava indo, rapidamente, para baixo. O que aconteceu era facilmente explicável:  a   base, formada por areia muito fofa, não foi suficientemente sólida  para suportar o excesso de peso,  e o Boris afundou até a metade das canelas.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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