Não basta ser pai

Entendam os amigos leitores, por favor, que quando digo, pai, obviamente me refiro às mães e aos pais.

Lembro também, aproveitando o momento, que não gosto do ditado: “Deus é pai não é padrasto”. Como já observei, li e tenho em minha vida pessoal a evidência de que não é o – sangue que torna alguém mais pai ou menos mãe ou vice-versa, creio que quem concorda com o ditado nunca conversou nem conheceu alguém que tenha um filho adotivo.

Ser pai ou mãe é muito mais do que ter o mesmo sangue, é assumir um dos mais lindos papéis que “o teatro da vida nos permite subir ao palco para um maravilhoso espetáculo”.

Quem sobe a um palco tem uma grande responsabilidade. Há mais do que a sua atuação em jogo, existe uma plateia. Ela poderá rir, se emocionar e até se questionar dependendo do que viu no palco. E é assim o papel de todos que são pais, estamos como que “num palco” e temos um papel a cumprir e uma plateia/sociedade observando.

Não lembro o nome do músico, ele ainda compõe e canta, e certo dia, disse: “Nos preocupamos muito sobre que mundo ficará para os nossos filhos, mas poderíamos nos perguntar; que tipo de filhos estamos preparando para deixar para o mundo?” Se troquei poucas palavras não importa, a ideia do artista era essa mesma – que tipo de filhos eu vou deixar para o mundo, ou seja, como os estou educando?”

Nas últimas três semanas estou acompanhando duas professoras em meu estágio da faculdade de Letras Língua Portuguesa. São cerca de seis turmas da parte final do ensino fundamental. Talvez se eu não atuasse na comunicação como colunista poderia deixar passar por alto, ou até achar impróprio mencionar. Mas o jornalismo, mesmo o literário, nos leva a perceber, questionar e relatar; trazer à tona o que vemos. E o que tenho visto? Tenho visto o mesmo que ótimos educadores têm presenciado, sentido, enfrentado em salas de aula. Alunos do sexto ao nono ano que conversam sem parar com os colegas; pior que isso, enfrentam os professores, os respondem; já houve casos de alunas do sexto ano roubando celulares.

Se escolhemos ser pais ou se um “acaso” nos fez pais já não importa. Fico imaginando duas coisas. A primeira: Se o que se passa em sala de aula pudesse ser filmado e gravado e então exibido na TV aberta, como a população se sentiria? A segunda: Se os pais de alguma forma vissem e ouvissem como seus filhos se comportam e tratam os professores em sala de aula o que fariam? Confesso que a resposta à segunda pergunta me causa um certo constrangimento. Explico. Será que os pais ficariam mesmo surpresos? Ou será que nem sequer se dariam conta do que está acontecendo? E o pior, seria o reflexo da situação em casa?

Não é novidade para ninguém que educação se recebe em casa. Na escola há o aprendizado, a escolarização. Mas quantos entendem isso?

O tema: Não basta ser pai me veio à mente devido a uma das antigas propagandas da pomada, Gelol. Numa de tantas havia a frase que marcou milhares de pessoas, dizia assim: “Não basta ser pai, tem que participar. Não basta ser remédio, tem que ser Gelol”. O contexto do comercial se dava com um menino, talvez com uns 10 ou 11 anos de idade, acordando o pai para levá-lo a uma partida ou campeonato de futebol, do qual o filho participaria. Quando o filho se machucava o pai corria e passava nele a “santa pomada”. Mas não chamo atenção para a pomada, mas para o fato de o pai estar lá; assistir ao filho se machucar, a correr até ele e passar a pomada; e na sequência ver o filho marcar um lindo gol. O filho vibrou muito mais porque o pai o vira fazer o gol; havia acordado, mesmo a insistência do filho; havia o levado e ficado com ele; estava na torcida; e quando o menino sente dor e precisa de ajuda quem corre para socorrê-lo? O pai.

E quantos pais têm socorrido os filhos com sua presença, nos bons conselhos, nos bons exemplos, na disciplina, na educação e na escola?

Ah, se esses pais pudessem ver como seus filhos se comportam. Provavelmente não teriam que tirar a cinta, mas com certeza saber e entender a importância da sua presença no dia a dia. Os times de futebol talvez recebam de muitos homens mais atenção do que seus próprios filhos.

Já assisti apresentações de crianças que olhavam de um lado para o outro a procura dos pais, mas eles não estavam lá. Em outras ocasiões quando os pais foram convidados para passar o tempo que pudessem com os filhos, mesmo que fossem alguns minutos, para tomar um café e jogar bola o que aconteceu? Havia mais de 30 crianças e menos de 6 pais compareceram. Os policiais do Proerd que o digam; fazem um belo trabalho com nossos filhos e quando os pais são convidados para uma reunião poucos comparecem.

“Vejam! Os filhos são uma herança de Deus”. Salmos 127:3. Bíblia. Quem é pai ou mãe têm uma grande herança. É verdade que os filhos poderiam ser mais gratos, mas há muitos pais distantes demais.

Há muitos pais que dão bom exemplo em casa e acompanham o “andamento” dos filhos na escola. Assim como há crianças e adolescentes que são dedicados e muito educados. Pena que esses não parecem ser a maioria.

É verdade, não basta ser pai, tem que participar. Não basta ser o “remédio”, tem que dar o exemplo. Já que estamos “nesse palco da vida” que não apenas nós, mas que nossos filhos por sua educação recebam todos os aplausos. Para que isso aconteça temos que participar da vida dos nossos filhos. Que herança!

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