Não me lembro de tudo, mas sei que vivi todas essas coisas

Tinha seis anos, lá pelo começo dos anos 1950, quando meu pai comprou nosso primeiro receptor, um rabo quente, de baquelite.

Ficava horas seguidas, ouvindo aquela incrível caixinha e programas como Café com Música ou o Grande Jornal Falado Tupi, com Corifeu de Azevedo Marques, Alfredo Nagib e Antônio Pimentel. Programas inesquecíveis, como Balança Mais não Cai, Historia das Malocas e PRK-30, dentre outros.

Em junho de 1964, dois meses depois da revolução fiz um teste na Rádio Difusora Hora Certa de Guarulhos, a mesma onde começou Hermano Henning. Um ano depois fui para a Rádio Marconi, onde apresentava um programa na madrugada, com um repórter também iniciante, João Leite Neto.

Ainda em 1965 realizei meu grande sonho que era trabalhar na Rádio Cultura, dos Diários e Emissoras Associados, a primeira rádio musical de São Paulo. Fui acumulando funções dentro da empresa e acabei trabalhando simultaneamente na Difusora, como programador musical e locutor e locução de cabine e noticiários diurnos na TV TUPI, tendo como companheiros, dentre outros, Lima Duarte, José Claudio, Chacrinha, Renato Macedo, Helio Ribeiro e todo o grande elenco daquela que era a maior empresa de comunicação à época.

Quando o governo do Estado de São Paulo adquiriu a TV Cultura, fui trabalhar na Fundação Padre Anchieta e tenho o orgulho de ter feito a primeira locução na abertura oficial das transmissões da emissora.
Saí da TV Educativa para realizar outro sonho: ser diretor de programação. Fui para a Rádio Piratininga e depois para Excelsior e Nacional, hoje Globo, dirigidas por Antônio Celso e Francisco Abreu.

Coordenei também a Cadeia Verde Amarela, da Bandeirantes e fui para Curitiba, como assistente de direção da Rádio Clube, convocado por Heraldo Evans Jr.
Foi uma experiência desastrosa. Levamos muitos profissionais de outras cidades e ficamos vários meses sem receber pagamento até que fomos obrigados a abandonar o barco.

Voltei para São Paulo, mais precisamente para a Rádio São Paulo, especializada em novelas. Depois coordenei as emissoras Paulinas, quando então consegui convencer os padres a assumirem a B2 de Curitiba que estava fechada. Tive a cumplicidade de Monsenhor Vítola nessa empreitada. Passei a coordenar emissoras em Curitiba, S.Paulo, Rio, Salvador e Recife, todas em AM.

Abandonei tudo isso por uma nova experiência que começava surgir: a Freqüência Modulada, tendo sido coordenador da Transamérica Produções, que detinha o sistema Transamérica de FM em implantação. Depois, Rede Bandeirantes de Rádio e Eldorado, tendo me mudado para a Bahia em 1985 e entrado para publicidade e propaganda.

Em 2000 vivi uma grande experiência em Angola, trabalhando na reformulação dos meios de comunicação, sobretudo rádio, num país em guerra e que precisava muito de suas emissoras como meio de integração e informação.

Hoje trabalho com Marketing Político, mas o rádio ainda é, e sempre será, minha grande paixão.

J. Pimentel – Nascido em São Paulo, em 09 de janeiro de 1946, no bairro da Mooca. Radialista, publicitário, especializado em marketing político no rádio, produtor executivo. Começou em São Paulo, na rádio Difusora de Guarulhos e foi coordenador, dentre outras, das rádios Piratininga, América, 9 de Julho, Transamérica e Cidade de Salvador. [email protected]

3 respostas
  1. Paulo Cosme says:

    Olá meu mestre, a quaanto tempo, já perguntei a muitos por voce e nada .
    Meu bateu na mente usar o Google e ão deu outra .
    Estou muito feliz.
    Me fala de você, por onde andás?
    Acesse o nosso site: http://www.conexaocidade.com

  2. Roberto Ianelli Kirsten says:

    Caro J. Pimentel
    Duas emoções num só dia: Recebê-lo em meu blog e tomar conhecimento da sua brilhante carreira, a partir da Rádio Difusora Hora Certa de Guarulhos.
    Não omiti o nome dela por não amá-la tanto que ela me propiciou doces recordações. Como meu blog foi criado pelo meu filho, na casa dele nos EUA, coloquei a Cultura de Santos, por se o meu primeiro microfone de verdade que enfrentei, porém a minha carreira profissional começou mesmo na Rádio Difusora (Guarulhos) Lá transmiti um dos últimos discursos de Jânio Quadros, rumo a presidência, em Brasília. Tive muitos amores, alguns inesquecíveis. E mais tarde, voltei a reencontrar velhos companheiros que também começaram comigo em Guarulhos: Valquíria Duarte, Zé Bétio, Moreira Filho, Valter Pinheiro, Valdomiro Moreira e José Ribeiro, (plantão esportivo em várias emissoras). Outros nomes inesquecíveis com os quais tive o privilégio de trabalhar, incluindo discotecários, operadores de som, e locutores:Maria Elisa, Cerly Campos, João Roberto, Henrique Taffo, Oscar Teodoro, Arnaldo Teófilo, José Afonso (tradutor de Neil Sedaka, quando este esteve no Brasil, Cláudio Roberto que me apontou que havia uma vaga na Pan. Para lá me mudei aproveitando a localização centralizada da Emissoras Unidas e trabalhei simultaneamente,nas Rádios: Record, São Paulo e TV Record. Depois fui para a Editora Abril trabalhar na Revista Intervalo. Durou pouco. A paixão pelo rádio me levou de volta para a Rádio e TV Cultura, da Fundação Padre Anchieta. Anos depois mudei com toda a família para Amparo, onde e dirigi por 21 anos, a primeira FM municipal do Estado de São Paulo, a Rádio Cultura Municipal, onde encerrei a minha carreira de mais de 40 anos. Receba o meu abraço e a minha mais sincera amizade. Roberto.

  3. Odair Bento says:

    Roberto

    Posso estar enganado mais me ocorre uma lembrança de sua pessoa no bairro de Ermelino Matarazzo, onde vc. fazia locuções aos domingos de “Show ao vivo” patrocinado pela Sociedade Amigos do Bairro e tambem lembro-me de poucas vezes ter falado ao microfone do Parque de Diversões Damasco, de propriedade do pai do meu amigo José Porceli.

    Aguyardo retorno.

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