Não se esqueçam deles!

No próximo ano, a televisão do Paraná estará completando meio século de existência. Entre os eventos que marcarão a data, programas especiais e um livro já começam a ser preparados por gente competente da emissora pioneira (TV Paranaense, Canal 12, hoje RPC), como Sandro Dalpicolo, Jorge Narozniak, Rubens Vandresen e Alexander de Marco. Dos registros constarão certamente nomes que criaram a TV da terra dos pinheirais, como Nagibe Chede, Renato Mazânek, Elon Garcia, Tônia Maria, Silas de Paula, Jamur Júnior, Mauro de Alencar, Moraes Fernandes, Alcides Vasconcellos, Meire Nogueira e tantos outros.

No entanto, como testemunha ocular da história, valho-me do ensejo para lembrar alguns outros nomes, de igual importância e significado na heroica jornada, que o tempo apagou e o telespectador esqueceu, já que, por tradição, a memória histórica não é um dos nossos fortes.

Um deles foi Olavo Bastos Freire, “um gênio”, segundo Renatinho Mazânek, que narra toda a epopeia em “Ao Vivo e Sem Cores” (edição Digital, de 2004). Mineiro de Juiz de Fora, Olavo construiu o primeiro transmissor de TV do País, com o qual realizou a primeira transmissão de imagem do Brasil, antecipando-se, inclusive, ao pioneiro oficial, Assis Chateaubriand. A convite de Nagibe Chede, Olavo instalou o equipamento no Edifício Marisa, na Rua Alencar Guimarães, próximo da Praça Osório, e ali começou a montar tecnicamente a futura televisão do Paraná.

Outro foi Charles Clemente Chen Wu, ou simplesmente Clemente Chen, vindo também das Minas Gerais, (TV Itacolomi, de Belo Horizonte). De uma criatividade ímpar, o “Chinês” bancou do próprio bolso o primeiro programa de variedades do vídeo paranaense, o “Tevelândia”.

Não se poderá omitir também a figura de Kar-Maia, ex-mágico e ilusionista, egresso, como todo mundo, do rádio, onde divertia o auditório fazendo adivinhações. Na TV, Kar-Maia dividia com Meire Nogueira, nossa primeira garota-propaganda, a apresentação do programa “Jantando com as Estrelas”, onde os convidados e as atrações musicais participavam de entrevistas e saboreavam maionese derretida pelo calor dos panelões do estúdio. Era comum Kar-Maia anunciar com grande entusiasmo a presença de um convidado famoso e na hora de entrevistá-lo indagar ao próprio: “Como é mesmo o seu nome?”

Muita gente ajudou a criar a televisão do Paraná. E não apenas na pioneira TV 12, mas através do Canal 6, da TV Paraná (hoje tristemente descaracterizada como CNT, sem nenhum vínculo com as suas origens), que em 2010 também completará 50 anos.

Vou citar mais um nome, do qual poucos haverão de se lembrar: Hélcio José Gonçalves. Hélcio foi um dos maiores repórteres do rádio e da TV desta terra. Também mineiro, com passagem pelo Rio de Janeiro, ficou conhecido como “Repórter-Voador”. Isto porque, quando atuava na Rádio Colombo, decidiu reportar a travessia da Avenida Luiz Xavier pela célebre trupe alemã Zugszpitze Artisten, sobre um cabo de aço esticado entre os edifícios do Braz Hotel e Arthur Hauer, a bordo de uma das motos dos malabaristas.

A figura era um azougue e um cara-de-pau como poucos. Fez fama, inclusive internacional, ao transmitir a eleição do Papa João XXIII, abrindo caminho no Vaticano devidamente paramentado de padre. A história é contada por Mazânek no livro “Ondas Curta e Média sem Delongas”, que ele acaba de mandar para o forno.

Hélcio foi ainda personagem de outro saboroso episódio, ocorrido em Nova York, onde aportou com dois colegas de rádio. Um deles falava bem o inglês; o outro, um pouco; Hélcio, nem uma palavra. No primeiro almoço, o fluente traduziu o cardápio e escolheu um prato. O segundo, emendou um “Me tôo” (“Para mim também”), no que foi acompanhado por Hélcio. No dia seguinte, ele resolveu voltar sozinho ao restaurante e, para evitar transtorno, repetir o mesmo prato. Quando o garçom chegou, Hélcio não teve dúvida: todo senhor de si, largou um sonoro “Me too!”.

Célio H. Guimarães | Paraná Online

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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  1. Fernanda says:

    Vocês poderiam citar a primeira garota propaganda do Paraná concursada pela radio colombo Eneri Maria Taques (minha avó). A “menina dos olhos verdes”

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