Não se faz mais rádio como antes

Consideramos sem medo de cometer injustiças, que o rádio é um dos maiores inventos dos últimos tempos. Na Era de Ouro do Rádio – 1930 a 1960 – os programas radiofônicos tinham outra conotação. Mais interação com o ouvinte, programas de auditório, novelas, programas voltados para a gurizada, cultura diversificada e entretenimento de diversos matizes. Naquele tempo, mesmo com o evento da publicidade o rádio não perdeu o seu glamour.

Grandes radialistas fizeram história no rádio e ainda hoje são reverenciados como verdadeiros mitos. Programas ou programações marcaram época e hoje são relíquias em mãos de colecionadores. O que dizer do rádio hoje?  Duas variantes permeiam e transformam a psicosfera do rádio, levando-a ao deboche e ao clamor daqueles que trabalham em prol da ética cultural.

Usadas constantemente por supostos profissionais da radiodifusão, a pornografia e a pornofonia já fazem parte da nova e horrenda programação da maioria das emissoras de rádio espalhadas pelo Brasil, são usadas como armas de guerra para amealhar audiência, pois se fortalecem na expressão ilusória de que o povão gosta. Os que pensam assim estão verdadeiramente equivocados ou mesmo enganados. Um grande jornal de circulação no estado do Ceará na coluna inserida no tablóide “buchico” publica os melhores de 2010. Nessa primeira coluna do ano, resolvemos divulgar uma lista de quem se destacou no rádio e TV de Fortaleza em 2010.

Com base em avaliações da equipe e índices de audiência, diz o colunista conhecido como abidoral, com letra minúscula mesmo. Seria surpresa se os escolhidos não trabalhassem na maior empresa de comunicação do Ceará afiliada à Rede Globo:  Rádio Verdes Mares, TV Verdes Mares e TV Diários, do Grupo Verdes Mares de Comunicação (O melhor Comunicador do rádio, Melhor apresentadora de Noticiário de Televisão, Menção honrosa, Troféu Chico Anísio, Melhor Repórter de TV, Melhor Programa de Auditório).
 
A premiação mais justa e que homenageia uma das maiores jornalistas do Ceará, Adísia Sá, que premiou aquele que consideramos o gênio da radiodifusão em nosso Estado, o profissional Narcélio Lima Verde. Achamos injusta a escola do melhor comunicador do rádio e do melhor programa de auditório, bem como o programa que foi aquinhoado com o Troféu Chico Anísio. Citamos esses pormenores, por que as escolhas da qual discordamos recaem na premissa do uso da pornografia e da pornofonia como ponto alto e cujo intuito único é angariar para as hostes da emissora, audiência e para os apresentadores a fama sem ética. Temos notado o esforço de muitos profissionais que fazem bons programas, mas não têm seus nomes lembrados.

Faz pena e dó. Não nos preocupamos em citar nomes, mas os ouvintes sabem de quem falamos. Queremos enaltecer o nome de um grande profissional do rádio que foi escorraçado dessa mesma empresa, talvez por não aderir à pornografia, seu nome: Carlos Augusto mais conhecido como o “amigão”.  E assim caminha a radiodifusão no estado do Ceará e ninguém toma providências. A palavra ética, muito usual nos dias atuais, está se esvaindo e cedendo lugar a trasgos de baixarias, palavras de duplo sentido, procedimentos indignos, ou pérfidos, sórdidos e situações decorrentes de radialistas que esqueceram que o rádio foi programado para educar, e não deseducar.

O rádio deve ter uma linha de ação norteadora a todos os que têm compromisso com o microfone. Não só o repórter, o redator, mas principalmente o locutor, deve mensurar o que vai expor aos seus ouvintes. O radialista, seja qual for o seu campo de atuação, tem o dever de cultivar a precisão, a clareza, a objetividade, a seriedade. O que menos se vê em alguns programas de rádio aqui em Fortaleza é a seriedade e, quando se reclama, eles afirmam que o povão gosta. Temos uma missão árdua de melhorar a programação de rádio da terra alencarina, mas se não tivermos o apoio necessário estaremos nadando contra a maré.

É bom lembrar o jornalista Armando Figueiredo quando diz que o radialista tem que ter plena noção de que milhões de brasileiros, nas áreas urbanas e rurais, dependem da massa de informações que lhes proporciona o rádio, que tão profundamente influi na sua formação para criar juízos próprios e, assim, assumir e manter cidadania (qualidade ou estado de cidadão). Não queremos fazer juízo de valor, mas queremos expor um vírus que se espalha enodoando a nossa classe e a nossa profissão.

“Muitas vezes o ego nos aprisiona em crenças e valores do passado que não são mais verdadeiros para nós. Tomamos uma atitude libertadora quando inspiramos profundamente a luz da nossa Alma e permitimos que essa mesma luz revele o potencial de renovação que carregamos interiormente e dissolva crenças aprisionantes. Viver inteiramente o momento presente é a atitude mais liberadora que existe”. Pense nisso!

Membro da ACI, da Alomerce, da Aouvirce, da UBT e da Avspe

Categorias: , Tags:

Por Antonio Paiva Rodrigues

Bacharel em Segurança Pública, gestor de empresas e jornalista integrante das associações de Ouvintes e de Imprensa, do Sindicato dos Jornalistas e da Academia de Letras dos Oficiais da Reserva do Ceará. Poeta, ‘também autor de seis livros. Colunista do Caros Ouvintes tem se dedicado à pesquisa da história do rádio.
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *