Naqueles tempos e nesses tempos…

Um saco. Lá no começo, pretendente a locutor profissional, ingressei na Rádio Eldorado (10 de dezembro de 1970), depois de pedir a saída da Carbonífera Próspera. Vivia lá, na carbonífera, insatisfeito. Operava na folha de pagamento, lidando com a odiada aritmética – fechando livros imensos de mineiros, escriturários e outras funções.
Por Aderbal Machado

Cada uma com um cálculo diferente. Diaristas, ajudantes-de-mineiros, mineiros, mensalistas, serventes, escriturários (o “pessoal do escritório”).
Os “cobras” na folha dos mineiros eram o Olávio Pavei e o Édiz Milaneze, contabilistas formados. Os cálculos eram muito complicados – produtividade, tempo de trabalho, horário, insalubridade e outras coisas mais.
As dúvidas de todos os setores eram tiradas pelo mestre dos mestres, o Moacir Jardim de Menezes, matemático de mão cheia e pessedista de quatro costados. Exercia a subchefia do escritório. O chefe do escritório da Próspera, à época, era Célio Grijó, falecido neste mês de outubro, com sua esposa Carminha, em trágico acidente em Araranguá, depois de retornar de uma viagem à Europa.
Comecei em 1964 com a direção da empresa exercida pelo Mário Balsini. É uma lenda. Todavia o presidente da empresa que mais marcou pessoalmente para mim – e eu nem era mais funcionário – foi o Dr. Jacy Eustachio Fretta, chamado pelos funcionários (talvez ele nem saiba disso até hoje) de “pescoço grosso”, por razões óbvias.
O Dr. Jacy tinha a fama, justificada, de durão, de querer tudo certinho e ninguém se atrevia a contrariá-lo.
Nas relações pessoais e profissionais que tive com o Dr. Jacy, constatei por baixo daquela carapaça de rigor e semblante pesado, uma pessoa justíssima, dócil, prática e – a meu ver – simpática. Mas que inspirava medo e um respeito muito grande, ah, lá isso inspirava…
Pois é. Então, saí da Próspera e ingressei na Eldorado. Tratei com o Antônio Luiz, então gerente todo-poderoso. Quem assinou minha carteira (Cr$ 500,00 – cruzeiros – mensais) foi o Dite Freitas (José Deusdedith Francioni de Freitas), com uma caneta verde sempre usada por simbologia do Metropol.
Fazia um jornal falado ao meio dia e os noticiários de hora em hora. Praticamente o dia inteiro na rádio.
Aí, claro, me enfiaram no horário da noite – das 20 às 24 horas – período  sonolento, chato, que ninguém queria fazer porque impedia sair à noite ou ficar em casa dormindo.
Entretanto, havia muito namoro no ar, coisa que muitos desconfiavam, mas ninguém arriscava confirmar. Era chato, mas era bom.
Ali convivi com figuras do rádio, ainda hoje vivas e outros já no “andar de cima”.
Dali saí para a aventura da televisão, em 1979 – um período de novidades espetaculares. Até hoje tenho guardada a camisa que comprei na Loja Honório Búrigo para usar. Passado o tempo, não entra mais nem no pescoço. Acho que engordei “um pouquinho”.
Relembrar esse período é ótimo. Das fases vividas, foi das boas. Depois, a fase de Florianópolis, a mais profícua profissionalmente (1982/1992). Alguns lampejos de arrependidas incursões (Jaraguá do Sul, 1993/1995 e Criciúma, 1995/1996) e finalmente a fase mais feliz da vida, Balneário Camboriú, momento atual. Que assim permaneça, em nome de Santa Madre Paulina, a quem devoto minha fé.
 


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Por Aderbal Machado

Radialista e jornalista. Nasceu em Araranguá (SC) e iniciou como locutor ao microfone da Rádio Eldorado de Criciúma onde exerceu funções de repórter, redator e de diretor da emissora. Atua atualmente em jornal, rádio, televisão e internet onde mantém o site aderbalmachado.com.br | Reside em Balneário Camboriú/SC.
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