Nasce a Associação Catarinense de Propaganda

Quando abro o jornal, ligo a televisão, ouço rádio, quando navego ao sabor das ondas da web, a cada dia que passa mais intrigado fico ao perceber que a informação que recebo vem cada vez mais radical: os repórteres, os redatores, os editores se esforçam ao desespero para mostrar que tudo é absolutamente novo, inédito e mais: é exclusivo. Isto é, só ele percebeu, só ele ouviu, só ele viu. O consumidor de suas lorotas é um néscio, sem memória.

nascer do sol

Reconheço que a todos nós, em algum momento da vida, tudo parecia novo, fantástico, extraordinário, deslumbrante. Magia pura. Então, o mundo éramos nós, os descobridores, os desbravadores, os inauditos, os incríveis, os prodigiosos.

E assim seguíamos até que, depois de algumas trombadas, íamos percebendo que muitas das nossas novidades eram manjadíssimas ocorrências que nós, na pressa, não havíamos percebido. E, modestamente, alguns decepcionados e outros e inconformados, dávamos a mão à palmatória e entrávamos nos trilhos.

Falo dessas coisas para dizer que hoje lamento muito a pouca atenção que dei a coisas que atualmente considero da maior importância, embora tenha tido a felicidade de participar de alguns eventos dos quais retiro momentos de alegria.

Por exemplo: quando percebi que a minha atividade profissional era mais ou menos valorizada em função da significância atribuída ao segmento de atividade a que me dedicava. Explico: quando comecei a trabalhar profissionalmente o rádio-empresa já existia no Brasil há quase 30 anos.

A profissão de radialista não existia e os profissionais paranaenses, onde eu estava, não tinham uma associação ou sindicato. Em Curitiba, participei do movimento que levou à fundação Associação dos Radialistas do Paraná. Fui um dos fundadores e um dos integrantes da primeira diretoria da entidade. Logo a seguir, em 1956, vim para Santa Catarina e aqui a situação se repetia.

Como o nosso tema é propaganda, abrevio e vou indo direto ao foco: em Florianópolis ou em quaisquer um dos outros cinco polos sócio-econômicos do Estado (Sul, Vale do Itajaí, Norte, Planalto e Oeste) não tínhamos nada em termos de organização institucional. Assim, com a participação sempre criativa do Emílio Cerri partimos para o desafio de criar a ACP – Associação Catarinense de Propaganda. Era 1972, dia dois de maio, uma quarta-feira quando conseguimos reunir o quórum razoável para iniciar a entidade.

Dos percalços, dos apoios, das picuinhas, dos afagos, das dúvidas pelas quais passamos poupo-os por serem comuns nessas circunstâncias. Afinal, toda inovação leva à mudança e havia muita gente acomodada. Mas, com a agradável sensação de ter vencido essas resistências, apresento-lhes os nomes dos que de corpo presente assinaram a ata de constituição, por ordem de chegada.

Antunes Severo (A.S. Propague) , Ney Ferreira (Public), João Machado Pacheco Filho (Gran Meta), Hélio Kersten Silva (HKS), Gilberto Rosa (TV Cultura), Osny Wilson Jacobsen (Radialista), Darci Lopes (TV Cultura), Télvio Maestrine (TV Coligadas), Eduardo Paes de Lima (Contato), Mário Ferreira (Contato), José Machado Pacheco (Gran Meta), Arion Freihstick (Publicitário) , Osvaldo Jeller (Publicitário) , João Ari dos Santos Dutra (Radialista), Acy Cabral Teive (Rádio Guarujá), Emílio Cerri Neto (A.S. Propague), Renato John (Bescri), Júlio C. Machado Pacheco (Gran Meta), Quinto David Baldessar (Rádio Jornal A Verdade), Eloy Carlos Struwe (Exa), Dorval Malburg Schmidt (Anunciante), Carlos Alberto Feldmann (Jornalista), Mauro José Pereira (A.S. Propague), Luciano José Corbeta (A.S. Propague), Ana Catarina Corbeta (A.S. Propague), Roberto Bernardes (Contato), Laércio Costa (A.S. Propague), Gualter Klingelfus (Contato), Marco Antônio Comiotto (Contato), George Alberto Peixoto (A.S Propague), Ely Salete Cidade (Contato), Hertz da Silva Moutinho (Contato), José Nazareno Coelho (Radialista), Renato Moreira (Contato), Marisa Ramos (Apresentadora TV 6), Norma Resson Guimarães (Contato) , Roberto da Luz Costa (A.S Propague), Ramiro Gregório da Silva (Radialista), Walter Linhares (Wali Publicidade) e Virgílio T.C. Bernardes (Contato).

Passados esses 52 anos da criação da Associação Catarinense de Propaganda – ACP e mais algumas dezenas da existência da Associação Brasileira de Agências de Propaganda – ABAP/SC e do Sindicato das Agências de Propaganda de Santa Catarina – Sinaprosc, vamos rememorar como andam as coisas da propaganda nesta Santa e Bela Catarina. É o que veremos na próxima semana.

Este artigo faz parte da série Apontamentos para a História da Propaganda em SC.

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