Ninguém dá o que não tem

Pai e filho estavam sentados juntos. O pai bebia uma cerveja e o filho passava os olhos sobre um livro infantil. Então, o filho resolveu aproveitar a sabedoria e experiência do pai.

– Pai, posso fazer uma pergunta?

– Claro, filho, o que é?

– Por que os peixes só morrem fora da água e nós morremos se ficarmos lá embaixo muito tempo?

– Filho, já li a respeito, mas agora não lembro.

– Pai, por que os passarinhos não caem quando lá no alto param de bater as asas?

– Isso é bom perguntar para o seu tio que cria passarinhos. O tio Nelson.

– Pai, por que será que tem noites com muitas estrelas e outras sem nenhuma?

– Essa é uma boa pergunta para fazer ao seu professor de gastronomia, filho.

– Pai, eu acho que esse negócio de estrelas e planetas é com um professor de astronomia. De qualquer modo eu não tenho nem professor de astronomia nem de gastronomia.

– Então, talvez o professor de… Ah, qualquer professor sabe essa, meu filhão. Essa é fácil.

– Pai, o senhor não fica chateado por eu fazer tantas perguntas?

– Meu filho, claro que não, se tu me perguntar como vai aprender?

Essa simples e antiga história ensina e muito. Não discutimos aqui o amor do pai pelo filho, mas sim sua capacidade de ajudar a tirar dúvidas do menino em idade escolar.

Partindo dessa história voltamos ao tema: Ninguém dá o que não tem. Pode ser conhecimentos simples ou profundos, mas também podem ser outras coisas essenciais – Atenção, carinho, compreensão, empatia (nos colocar no lugar da outra pessoa), paciência, admitir que há sonhos e pensamentos diferentes dos nossos e o amor.

Não podemos dar o que não temos, mas fica algo no ar, um ponto que nos faz pensar: Alguém que por algum motivo não recebeu carinho, atenção, incentivos e amor, pode aprender a oferecer isso a outros?

Quem de nós já não ouviu ou conheceu histórias de pessoas que passaram ou tiveram uma infância difícil, sofrida, até mesmo com crueldades e ainda assim oferecem e dão o que nunca receberam?
Sei de pessoas a quem cabe o ditado: “Comeu o pão que o diabo amassou”; e são pessoas maravilhosas. Algumas pessoas têm mais facilidade e outras menos em demonstrar carinho, afeto, ternura, compaixão e amor. Aprender nunca é tarde.

Há relatos de vários homens que a primeira vez que ouviram a frase, e com sinceridade, pela primeira vez na vida, foi de um neto ou neta. De repente, o senhor é surpreendido por uma curta frase na voz inocente e verdadeira que diz: “Eu te amo vô”. Eu já presenciei e já ouvi outros relatos. O coração do avô vem até a garganta tornando-o mudo, lágrimas vêm e um sentimento simplesmente indescritível causa o que alguns chamam de – epifania.

Ninguém dá o que não tem, mas pode adquirir e compartilhar. “Há mais felicidade em dar do que em receber”. Palavras de Jesus. Bíblia: Atos 20:35. Qual a sensação que temos ao dar algo a quem amamos? E quando usamos de discreta bondade a quem não conhecemos?

Se julgamos o pai da história ali de cima como, tolo, ignorante, talvez esqueçamos de que ele – estava lá, ouvindo o filho; demonstrando seu vasto desconhecimento em algumas áreas, mas estava lá.

Se essa história fosse real e muitos anos se passassem do que será que o filho se lembraria, de um pai que não tinha respostas ou de um pai que estava lá perto, ouvindo e indicando possibilidades?

Ainda assim, para todos que vivem perto de nós em casa, no trabalho, na família ou na vizinhança; opa, faltaram os desconhecidos do dia a dia, como no trânsito; o que tenho para dar?

No fim das contas só daremos o que realmente temos.

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